terça-feira, 31 de março de 2009

Morre Raúl Alfonsín, na Argentina

O ex-presidente da Argentina, Raúl Alfonsín, 82 anos, acaba de falecer no seu apartamento na Recoleta, em Buenos Aires. O homem que liderou a abertura democrática no país vizinho após uma feroz ditadura morreu de câncer, no dia em que aqui no Brasil temos os 45 anos do golpe militar.

Alfonsín era ultimamente a maior referência ética da política da Argentina, em tempos que o país carece de lideranças e padece, uma vez uma vez, do populismo.

Assim que assumiu o governo, em 1983, após a derrocada dos militares com a malograda Guerra das Malvinas, Alfonsín deixou o caminho aberto para o julgamento dos militares. Criou uma comissão, a Conadep, que documentou as violações aos direitos humanos, ocorridas durante a Guerra Suja na Argentina, quando desapareceram cerca de 30 mil pessoas, dando origem ao livro Nunca Más.

Alfonsín foi uma espécie de "Sarney" da Argentina, com a diferença de que por lá ele morreu reconhecido pelo comportamento ético e de estadista. O ex-presidente governo sob sérias turbulências políticas e até tentativas de golpes por regimentos militares isolados.

Junto com Sarney, deu o passo inicial para a criação do Mercosul, e da integração sulamericana. Seu governo foi também marcado pela instabilidade econômica e o lançamento de planos e de uma moeda, o Austral. Nos seus anos finais na Casa Rosada, teve de sair antes do tempo, a fim de evitar uma grave crise política no país. Foi sucedido por Carlos Meném, com quem fez um trato de governabilidade conhecido como Pacto de Olivos.

Opositor dos peronistas, Alfonsín voltou a ser a grande voz da UCR (União Cívica Radical) nos últimos anos, após a decorrada do governo de seu partidário, Fernando de La Rua, em 2001, no ápice da crise argentina.

Veja texto do diário La Nación e também o perfil de Alfonsín na Wikipedia (en español, já que o perfil em português está pobre).

segunda-feira, 30 de março de 2009

Sarah Brown: pega pela gramática em convite do G20

Depois do turbilhão Cherie Blair, tradicional habituè da imprensa britânica por conta de suas gafes e jeito genuíno de ser, a atual primeira-dama do Reino Unido, Sarah Brown (ao lado), é do tipo... bem apagadinha. Mas uma gafe "gramática" fez a esposa de Gordon Brown enfrentar uma bela saia curta nesta semana.

Na carta enviada às "primeiras-damas" dos países do G20 (Dona Marisa incluída), cujos líderes se encontrarão em Londres para discutir como salvar o mundo da crise, Sarah cometeu um erro... básico.

“I know that my husband, Gordon, has written recently regarding the next leader’s [sic] summit to be held in London on 2nd April 2009 ..."

Tsc tsc tsc... Dona Sarah inventou um apóstrofo!!, e ninguém revisou o texto. Nada comparado à verve verbal de nosso presidente Lula, mas o tal erro caiu mal para a primeira-dama.

Apóstrofos à parte, caberá a Dona Sarah ciceronear 16 esposas, levando-as à eventos de caridade e afins em Londres. Downing Street 10 (a sede do governo) não quer que o mulheril seja fotografado em compras em Bond Street, desviando a atenção do encontro, crucial no atual momento econômico, segundo reportagem do The Times. Michelle Obama confirmou presença. Já Carla Bruni declinou do convite, assim como os "primeiros-damos" Néstor Kirchner (marido da presidentA argentina) e Joachim Sauer (companheiro da alemã Angela Merkel).

E falando em Cherie Brown (à esquerda), fica aqui a resenha da Vanity Fair sobre a recém lançada autobiografia da esposa de Tony Blair, "Speaking for Myself". Lá pelas tantas, Cherie descreve uma conversa na Royal Opera House com a aloprada Princesa Margareth, a irmã ovelha negra da Rainha Elizabeth, morta em 2006. Assim que o Ministro da Cultura Chris Smith (que é gay) se aproximou delas, Cherie o apresentou à princesa, acrescentando:

"E este é o seu parceiro", disse Cherie, referindo-se ao tal outro.
"Parceiro de quê?", perguntou a já idosa princesa Margareth.

"De sexo, madame", respondeu a primeira-dama.

That´s is Cherie.

sexta-feira, 27 de março de 2009

hackers atacam site dos Kirchner na Argentina

As coisas são mesmo rápidas na Argentina...

Com níveis pessimos de aprovação, que irão piorar nos próximos meses à medida que a crise (econômica, global, e política, local) se agrava, os Kirchner (Cristina, a presidentA, e Néstor, o Rasputin do governo) mandaram uma lei para o Congresso para adiantar as eleições legislativas de outubro para junho.

Hoje, logo após a aprovação da lei no Senado (que ocorreu ontem), as ruas de Buenos Aires amanheceram com propaganda política do casal.

Hoje mesmo, em represália, um grupo de hackers entrou no site da Frente para la Victoria, a agremiação peronista que levou os Kirchner à Casa Rosada. O resultado logo se vê:

terça-feira, 24 de março de 2009

Debora Serracchiani: uma "obama" da Itália?

Ela tem 38 anos, se parece com a Malu Magalhães (a cantora teen) e com a Soninha (vereadora paulistana e ex Vj da MTV) e é a mais nova sensação na Itália. Num país conhecido pela instabilidade e "antiguidade" política (o presidente Giorgio Napolitano tem 83 anos e o premiê Silvio Berlusconi tem 72), Debora Serracchiani tem se mostrado a nova promessa do Partido Democrata, de centro-esquerda.

Veja "a Itália e sua política mofada ", neste blog

Dias atrás, ela discursou na convenção do partido e reproduziu, a la italiana, o mesmo sucesso de Barack Obama, que se fez famoso num encontro dos Democratas há alguns anos, pavimentando seu caminho à Casa Branca. Seu discurso faz sucesso na internet e Debora já vem sendo chamada de a "obama da Itália".

Phillippe Starck terá um reality show na BBC

O cultuado designer francês Phillippe Starck vai ganhar um reality show na BBC, a partir de abril. O programa chamado "Design for Life" vai reunir doze aprendizes, que durante seis semanas vão tentar convencer Starck de que têm talento suficiente para ganharem um estágio no seu ateliê em Paris. O francês é responsável, entre outros projetos, pelo design do hotel Sanderson em Londres (foto) e pelo Faena, em Buenos Aires. Todos tão balados quanto o seu criador.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Lampreia chama Celso Amorim de cara de pau

Já não são novidades os ataques do ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia ao atual chefe do Itamaraty, Celso Amorim. O ministro de FHC volta e meia lança o sarrafo contra o titular das Relações Exteriores de Lula. Desta vez, Lampreia (ao lado) não foi nada diplomático e chamou Amorim (abaixo) de cara de pau, no título de um post de seu blog, em O Globo.

Lampreia questiona uma declaração de Amorim, segundo a qual a “a globalização da política externa brasileira atuou como um dos colchões para ajudar o país a enfrentar a crise". Lampreia escreveu: "Esta é uma das declarações mais falsas e auto-propiciatórias que tenho visto um homem público fazer", e seguiu argumentando contra seu sucessor.

No ínicio do ano, quando Amorim fez uma viagem controversa ao Oriente Médio, durante o ataque isralense à Faixa de Gaza, Lampreia escreveu: "No seu afã de protagonismo, o ministro Amorim iniciou um périplo no Oriente Médio que beira o ridículo".

Deve haver mais que discordância ideológica entre os dois colegas do Itamaraty. Até o momento, Amorim tem se mantido diplomaticamente calado... vamos ver até quando!

Filho de político tem de ir para escola pública, prevê projeto de lei de Cristovão Buarque

Um projeto do senador Cristovão Buarque (PDT-DF) propõe que todos os políticos eleitos do país (presidente, governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores) mandem seus filhos estudarem na escola pública.

Na justificativa do PLS 480 de 2007, Buarque diz que a opção pelo ensino privado"mostra, em primeiro lugar, a má qualidade da escola pública brasileira, e, em segundo lugar, o descaso dos dirigentes para com o ensino público". O senador vai além e argumenta que "além de deixarem as escolas públicas abandonadas, ao se ampararem nas escolas privadas, as autoridades brasileiras criaram a possibilidade de se beneficiarem de descontos no Imposto de Renda para financiar os custos da educação privada de seus filhos", contabilizando uma deducação de mais de R$ 150 milhões nas suas respectivas declarações de Imposto de Renda.

Resumo da ópera: o projeto nunca vai passar se não houver pressão pública. Alguém já viu deputado e senador votando lei que os afete??? Vide a eterna promessa da Reforma Política... O PLS 480 está na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça do Senado). Para fazer pressão, escreva para o presidente da comissão, senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

domingo, 22 de março de 2009

Chavez teria tentado derrubar Raúl Castro

Pelo menos é o que diz o ex-chanceler mexicano, Jorge Castañeda. Biógrafo de Ernesto Che Guevara, o respeitado intelectual disse ao diário Perfil da Argentina que a demissão de dois altos funcionários do governo cubano, há um mês, os então ministros Felipe Pérez Roque e Carlos Lage, se deu porque ambos estariam tramando um golpe contra Raúl Castro, o atual presidente cubano, com a ajuda de... Hugo Chávez da Venezuela. Conhecidos por serem "comunistas linha-dura", Roque e Lage discordariam da política de abertura e distenção de Raúl, irmão e herdeiro político de Fidel Castro.


"Hugo Chávez se opone a la relación de Raúl Castro con Barack Obama porque si se produce ese acercamiento, se le vienen abajo todas sus consignas y retóricas antiimperialistas. Por eso es que sostengo que el presidente de Venezuela estuvo involucrado en una conspiración contra el gobierno de Cuba", disse Castañeda ao Perfil.

Se as declarações de Castañeda não forem mais uma das inúmeras teorias da conspiração que alardeiam nossos criativos hermanos hispánicos, Chávez estará em maus lençóis. Tanto porque Cuba ocupa um espaço essencial na sua retórica anti-imperialista, que ganha adeptos pelo continente. Certo apenas é que a demissão de Roque, ex-chanceler da ilha, e de Lage, ex-chefe de gabinete, despertou a curiosidade dos analistas políticos que não encontravam respostas para a saída dos dois ministros. Ambos eram frequentemente apontados como sucessores de Raúl Castro... A esperar pela cenas do próximo capítulo.

sábado, 21 de março de 2009

US$ 3 mil para quem se casar com uma viúva

É exatamente esta a proposta do grupo fundamentalista islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, na Palestina. A recente investida israelense na área deixou, além de milhares de mortos, um grande número de mulheres viúvas. Segundo o Hamas, o casamento é a melhor forma para dar estabilidade à mulher muçulmana.


(viúvas em Gaza. Alguém se candidata?)

Até o momento, nenhum homem se candidatou à oferta. Tanto porque é necessário confirmar que possui recursos suficientes para assegurar uma boa vida à nova conjuge e aos filhos do primeiro casamento dela. Entidades de defesa da mulher já estão se manifestando contra a proposta, por motivos obvios.

quarta-feira, 18 de março de 2009

a solução é (não) alugar... Madagascar

O novo líder de Madagascar, Andry Rajoelina, deu para trás no negócio feito com a Coreia do Sul pelo seu antecessor, Marc Ravalomanana, deposto esta semana por um golpe militar. No ano passado, em plena crise inflacionária dos alimentos (antes do debaclè atual), Ravalomanana alugou metade da ilha, pelo período de 99 anos, para a empresa sulcoreana Daewoo Logistics.

A Coreia do Sul dispõe de um território insuficiente para a produção de todo o montante de alimentos que consomem os seus 48 milhões de habitantes. Em troca do aluguel, de obras de infraestrutura como portos e linhas de transmissão de energia, a empresa de desenvolvimento do governo sulcoreano seria autorizada a cultivar e produzir alimentos em metade da ilha, que fica na costa índica da África. A negociata, aliás, foi um dos motivos da queda de Ravalomanana.
Veja reportagem sobre o aluguel no El País.

terça-feira, 17 de março de 2009

Mercado de arte empobrece depois da crise global

para a Folha de S. Paulo, 15.mar.09

Volume de vendas cai com saída de cena da classe média; no Brasil, efeito ainda não veio com força, mas há desaquecimento

Britânica Christie's vai fazer corte de 20% no número de funcionários; ações da americana Sotheby's caem 64% desde setembro

Passados nove meses de sua morte, o estilista francês Yves Saint Laurent causou frisson em Paris há três semanas. Sua coleção de arte privada, e de seu companheiro Pierre Bergé, foi leiloada por 373,5 milhões (foto acima).

O valor é recorde, mas o que mais estarreceu o setor, acostumado a cifras exorbitantes, é que a venda se deu no meio da turbulência econômica que varre o mundo. Apesar do resultado grandioso, as artes já amargam os efeitos da crise, com feiras enxutas e clientes ressabiados. No Brasil, a crise ainda não chegou com força, mas o mercado já se desacelerou. Na Bolsa de Arte do Rio, a captação de obras para a temporada de leilões, por enquanto, é 50% menor que em 2008.

O mercado de artes plásticas, assim como quase toda a economia, vivia tempo de vacas gordas até o estouro da crise. Poucos dias após a concordata do banco americano Lehman Brothers, há seis meses, um leilão com obras do britânico Damien Hirst (próxima foto) levantou US$ 107,8 milhões em Londres. Mas a bolha da arte contemporânea parece ter estourado. "Não se pode esperar que uma obra de um artista com menos de 50 anos valha mais que um Rafael", diz Pedro Corrêa do Lago, representante no Brasil da casa de leilão Sotheby's, referindo-se a um dos ícones da Renascença.

Apetite
A disparidade de preços mostra o quão aquecido andava o mercado de artes, sobretudo pelo apetite dos novos milionários russos e de colecionadores da Ásia. No Brasil, guardadas as devidas proporções, o mercado seguia igualmente bem. Ainda não se consegue ver com clareza os eventuais estragos da crise por aqui, já que as vendas tradicionalmente ganham força a partir de agora, com a temporada de leilões e a SP Arte, feira que acontece em maio.

Dadas as características do mercado brasileiro, muito pequeno e sem políticas públicas de aquisição, a alavancagem das galerias locais sempre foi muito limitada se comparada à das norte-americanas.

Segundo a marchand Márcia Fortes, da galeria Fortes Vilaça, a obra mais cara da última exposição da pintora carioca Beatriz Milhazes foi vendida por R$ 300 mil. Valor muito inferior ao US$ 1,05 milhão arrecadado com a venda de sua tela "O Mágico" (última foto), num leilão da Sotheby's em Nova York, no início do ano passado.

Os galeristas são unânimes em confirmar que o mercado anda "devagar", mas negam que estejam baixando preços. "Estamos é enxugando todo tipo de operação, em cerca de 30%", diz Fortes, que representa outros pop stars da arte brasileira, como Vik Muniz e Ernesto Neto.



Segundo outra marchand, Raquel Arnaud, dona da galeria que leva seu nome, "esta é uma fase de espera". "Os clientes estão mais cautelosos", conta.

Já o galerista Eduardo Leme, que é economista, acredita que parte da retração no mercado internacional de artes se dá porque repentinamente saiu de cena uma classe média que passou a consumir com a bonança dos últimos anos. "Mas isso não acontece no Brasil, porque esse perfil é insignificante aqui." Ele diz que não é só o preço ou a oportunidade do negócio que motiva a compra de uma obra: "Tem o fetiche da peça única e a vontade do colecionador, que vai continuar comprando, senão a peça mais cara, uma mais barata".

Transações milionárias
Por trabalhar com uma mercadoria muito subjetiva, o mercado de artes possui diversas nuances. Os especialistas dizem que a crise não deve impedir, por exemplo, transações milionárias de obras-primas consagradas, cujo preço não deve cair. Um trabalho da fase de vanguarda de Pablo Picasso, por exemplo, vai continuar caro e com mercado garantido, mas uma "obra média", uma gravura dos seus últimos anos, pode se tornar suscetível.

"Se Eduardo Constantini [colecionador argentino] quiser vender "O Abaporu", de Tarsila do Amaral, vai ter quem pague milhões aqui no Brasil", afirma Jonas Bergamin, presidente da Bolsa de Arte do Rio de Janeiro. O mesmo não acontece com obras menores e artistas menos consagrados, a julgar pela dificuldade de Bergamin em captar peças para a próxima temporada de leilões.

"A oferta para os leilões caiu 50%. É comum pensar que, numa crise, as pessoas vão vender. Podem até deixar de comprar, mas nunca vão vender", diz, considerando que as obras também são uma reserva de valor. Para Corrêa do Lago, da Sotheby's, há "uma correção de 10% a 30% no valor das peças médias". Ele confirma a dificuldade na captação de obras.

E o sucesso do leilão de Saint Laurent? "É que uma peça que pertenceu a ele ganha pedigree", responde Corrêa do Lago. Também havia muitas raridades entre as obras leiloadas, que não vão estar disponíveis tão cedo no mercado.

Preços
Christina Haegler, representante da Christie's, a casa responsável pelo leilão do estilista, também se diz surpresa: "Foi um alívio". Ela conta que o valor das obras tem caído nos pregões. "Na arte contemporânea, os preços caíram até 30%", diz, e também há dificuldade em encontrar peças para os leilões. A desaceleração do mercado de artes já fez com que a Christie's anunciasse que irá fazer "reduções significativas no quadro de funcionários" ao longo deste ano. Fala-se de um corte de até 20%.

O volume de vendas dos leilões antes e depois da crise (apesar da surpresa em Paris) mostra o desaquecimento. Em maio do ano passado, um leilão com produção do pós-Guerra, que incluía o expressionista abstrato Sam Francis, teve 95% dos lotes vendidos pela Christie's. Em novembro, num outro leilão, que incluía peças do também artista americano Jean-Michel Basquiat, 68% dos lotes foram arrematados.

As coisas também não vão bem para a rival Sotheby's. Desde o agravamento da crise, as ações da empresa americana negociadas em Wall Street se desvalorizaram em 64%.

domingo, 15 de março de 2009

Filha de Sarah Palin vai ser mãe solteira

Que casar que nada! Bristol Palin, 18 anos, filha da vice candidata republicana à Casa Branca Sarah Palin (derrotada pela chapa de Obama), anunciou que não vai mais se casar com seu namorado. O pai da criança é o também adolescente Levi Johnston. O garoto havia sido pego a laço, quando a gravidez veio à tona durante a campanha. Sarah é uma evangélica fundamentalista (e por isso foi escolhida por John McCain), ferrenha opositora do aborto e dos métodos contraceptivos. Logo, casa de ferreiro, espeto de pau.


Agora que a campanha acabou, as aparências já não são tão importantes. Tanto porque dona Sarah por si mesma já danou bastante a sua imagem durante a eleição.

segunda-feira, 9 de março de 2009

acabou o celibato do presidente Lugo?

Quem diria... Fernando Lugo, o ex-bispo paraguaio que virou presidente, agora estaria de caso com uma vedete argentina, Jesica Cirio (foto). Tudo pode ser intriga da oposição colorada (longe do governo após 61 anos de poder), que na campanha espalhou que o religioso teria 17 filhos. Segundo a imprensa paraguaia, Jesica teria inclusive vindo com o presidente no Fórum Social Mundial, em Belém...


Sessentona, Barbie se muda para a China

Com a queda acentuada na demanda do consumidor nos EUA e na Europa, a Barbie fez as suas malas cor-de-rosa e se mudou para a China, segundo notícia da Bloomberg.


A Mattel Inc., a maior fabricante de brinquedos do mundo, ignorou Londres e Paris como o local da primeira loja dedicada ao seu brinquedo mais vendido, e escolheu um prédio de seis andares em Xangai. A loja foi inaugurada neste final de semana e oferece tudo, de roupas da designer de "Sex and the City", Patricia Field, a tratamentos de beleza, passando por coquetéis "Bitini".

A mudança acontece no ano em que Barbie completa 50 anos. A boneca já foi dona-de-casa, dondoca, profissional e tudo o que as mulheres foram ou almejaram ser nas últimas décadas. A foto, uma brincadeira, mostra como a Barbie realmente seria, se aparantasse a verdadeira idade (uns 68 anos, uma vez que a boneca já tinha uns dezoito anos quando nasceu... algo Macunaíma).

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Ingrid, "a egoísta"

Ela não queria repartir os poucos livros disponíveis na floresta e ainda roubava comida no cativeiro. Será o fim de Ingrid Betancourt como mocinha da história?

No livro "Out of Captivity", escrito por três ex-refens das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves, a ex-candidata a presidente da Colômbia é descrita como sendo uma pessoa egoísta, "uma princesa arrogante" que "pensa que as Farc construíram um castelo só para ela".

O livro põe mais lenha na fogueira da já polêmica ex-refém. Sua ex-companheira de chapa, Clara Rojas, que também foi sequestrada, não fala mais com a ex-amiga. Na Colômbia, há quem veja a Ingrid como uma oportunista, que quis faturar em cima de seu infortunio.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

protesto de merda

Os produtores leiteiros da província argentina de Santafé fizeram, literalmente, um protesto de merda em frente a uma usina de laticínios local. Nos tambores, ao invés de leite, outro produto menos nobre das mimosas.

começou 2009

"O brasileiro é um feriado!", segundo Nelson Rodrigues.

Começamos, enfim, a parte 2 do nosso Carnaval. Feliz 2009!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

o grande Vicente Fernandez

Diálogo num táxi em Barranquilla, cidade no Caribe colombiano onde nasceu Shakira

- Y usted de donde es?, pergunta o motorista.
- De Brasil.
- Chévere! Que bueno que podrá disfrutar Barranquilla. El domingo habrá un concierto de Vicente Fernandez.
- Vicente quien?, questiono.
- Vicente Fernandez... ah, no me digas que no conoce a Vicente Fernandez. El és un do los más grandes cantantes de todo el mundo.
- Perdon, pero no le conozco.
- Ah... esto posible no es. Pues fijete... es que acá tengo un DVD y te muesto en un minuto.

O taxista para e se põe a buscar o DVD do cantor mexicano, estrela máxima dos fãs latinos. O carro decorado com badulaques coloridos tinha uma tela de plasma no banco traseiro. A cena parecia sair dos blocos de Regina Casé, no Fantástico. Três minutos depois, lá estava eu assistindo Vicente Fernandez, devidamente acompanhado pelo coro do motorista, é claro.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Caso dos "falsos positivos" persegue Uribe

para a Folha de S. Paulo, 15.fev.09

Mesmo após destituição de 27 militares, sobe número de militares investigados por cooptar e matar jovens, inflando cifra do combate às Farc

Mãe da periferia de Bogotá conta busca pelo cadáver do filho assassinado em troca de recompensa e depois acusado de ser da guerrilha

MAURÍCIO MORAES
EM BOGOTÁ

No dia 8 de fevereiro de 2008, o colombiano Jaime Steven (foto), 16, ligou para sua casa em Soacha, a uma hora de Bogotá. Com a voz sussurrada, contou rapidamente à irmã que estava em Ocaña, próximo à divisa com a Venezuela. Steven desaparecera havia dois dias, deixando a mãe em desespero. Apesar da chamada, só foi encontrado sete meses depois, morto, numa vala comum.

Oficialmente, Steven era um membro das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), assassinado numa batalha com o Exército. Mas os fatos acabaram por mostrar que ele é mais um dos cerca de 1.500 "falsos positivos" -muitos garotos pobres cooptados e mortos por soldados que, em busca de recompensa e promoção, forjavam enfrentamentos com a guerrilha e baixas.

O escândalo estourou em outubro passado e segue sendo um calcanhar-de-aquiles do presidente Álvaro Uribe, dado o volume cada vez maior de soldados arrolados nas investigações no Ministério Público. No fim de janeiro, já eram 1.500.

Se casos do tipo já eram denunciados por ONGs há vários anos, o assassinato de Steven e outros dez rapazes de Soacha detonou o surgimento de relatos em vários pontos do país e acendeu a luz amarela em relação à exitosa política de "segurança democrática" de Uribe, a ofensiva militar que acossou como nunca as Farc e deu a ele recordes de popularidade.

María Sanabria (foto), 50, seguiu buscando o filho Steven desde o telefonema. Na casa em que vive com 3 dos 8 filhos em Soacha, uma cidade-dormitório paupérrima de 400 mil habitantes, ela conta que em 28 de setembro foi mais uma vez ao Instituto Médico Legal, quando surgiram na imprensa as primeiras suspeitas. Foi a filha quem, no dia seguinte, o identificou. "Fui então ver as fotos. Vi que o haviam torturado porque tinha a testa inchada. Bateram muito nele", chora.

No centro de Bogotá, a poucas quadras da Casa de Nariño, o palácio presidencial, o ex-deputado Jairo Ramírez, presidente do Movimento Nacional de Vítimas, diz que as organizações de Direitos Humanos da Colômbia contabilizam cerca de 1.500 casos como o de Steven. "O governo mede o desempenho [das Forças Amadas] pela quantidade de mortos. É uma prática macabra."Civis estariam fazendo falsas denúncias, ligando pessoas à guerrilha, em busca de recompensa: "Em [departamento de] Arauca, o presidente do Comitê de Direitos Humanos foi preso porque foi denunciado como sendo ligado às Farc", diz.

Ramírez anda de carro blindado, com proteção policial, após receber ameaças de paramilitares -apesar da desmobilização negociada pelo governo em 2005, há remanescentes deles e novos grupos, que dividem com as Farc o comando do tráfico. Uma investigação sobre a vinculação dos "paras" com políticos já levou à prisão de mais de 30 congressistas, a maioria governista.

Fernando Escobar, representante do Ministério Público em Soacha, também está sob ameaça de morte desde que liderou as denúncias dos "falsos positivos". "Me acusam de ser inimigo de Uribe, do Exército, de colaborar com a guerrilha."

Reação e medidas

A primeira reação de Uribe ao escândalo foi defender os militares, dizer que os rapazes achados em Ocaña eram delinquentes -nenhum tinha grave delito nas fichas policiais.

Mas o caso cresceu e o Ministério da Defesa abriu investigação interna. Pressionado, o comandante do Exército, general Mario Montoya renunciou. Outros 27 -entre eles três generais- foram destituídos.

O ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, citado como presidenciável em 2010, baixou um manual com "regras para o enfrentamento" e estabeleceu exigência de bom histórico na matéria para promoções. Bogotá reconheceu o caso em dezembro, no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

O cuidado com o tema - praticamente sem reflexo na aprovação do governo - é redobrado quando Uribe está em campanha para convencer a Casa Branca de Barack Obama e o Congresso de maioria democrata a manter a ajuda milionária que os EUA transferem à Colômbia para o combate ao narcotráfico e à guerrilha. Após visitar o Brasil, a partir de amanhã, acompanhando o presidente Uribe, o chanceler Jaime Bermúdez vai a Washington iniciar a ofensiva diplomática. Santos integrará a missão.

Saga de horror
O enredo de horror da mãe de Steven não acabou com a confirmação da morte. María, que trabalha para a Cruz Vermelha, viajou a Ocaña. "O mais terrível foi quando o tiraram da cova, numa bolsa preta. Nunca vou apagar isso da memória."Sem dinheiro para o translado, voltou sozinha a Soacha. Levaria dois meses até levantar fundos para o funeral. Em novembro, o corpo de Steven foi finalmente enterrado.As medalhas de atletismo e natação do garoto seguem penduradas na casa. María diz não confiar na Justiça, tampouco diz ter medo de represálias por denunciar o caso. "Levaram-no direto ao matadouro."

Fotos William Martinez

sábado, 14 de fevereiro de 2009

do terror à folia

Escrevo este post em primeira pessoa. Estou há uma semana na Colômbia, para uma oficina de crônicas da Fundação Gabriel Garcia Márquez. Aterrisei em Bogotá num dia cinzento, com garoa e frio, o que parece ser habitual na capital colombiana. Tive uma maldita dor de cabeça por conta da altitude de 2.600 metros (Clara Rojas me receitou um chá aromático quente - sim, trata-se da simpatissísima refém liberada ano passado, ex-canditata à vice-presidência, na chapa de Ingrid Betancourt). Estou agora em Barranquilla, a alguns minutos do mar, na cidade de Shakira e do mais famoso carnaval do Caribe.

Minha jornada colombiana começou em busca de uma entrevista com Alan Jara (na foto rodeado pelo filho e pela esposa, Claudia), um dos reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), liberto pela guerrilha na semana passada. A conversa com Jara, e com seu filho Alan Felipe, 15, aconteceu num restaurante. A entrevista à Folha foi a primeira dada a um veículo estrangeiro.


É difícil entender como uma pessoa que passou sete anos e sete mesos encarcerado, em condições subumanas, consegue manter tamanha lucidez e equilibrio (ao menos é o que parece). Jara parecia extremamente feliz, bem como o filho, hoje adolescente, que tinha apenas sete anos quando o pai foi sequestrado. "Eu não vi meu filho crescer, apenas vi meu filho crescer", contou ele.

Veja a entrevista completa na Folha.

Segunda e terça-feira viajei a Soacha, cidade a uma hora de Bogotá. Alí reportei um dos temas mais macabros e triste de minha curta vida jornalística, o caso dos falsos positivos. Tratam-se de rapazes pobres cooptados e executados pelo exército colombiano segundo uma lógica perversa de resultados na qual quanto maior o número de mortos (supostamente guerrilheiros), mais eficiente são as Forças Armadas no combate às Farc. Conversei com a mãe de Jaime Steven, 16, que nada tinha que ver com a guerrilha, embora oficialmente tenha sido morto num combate em Ocaña, dois dias depois de desaparecer de Soacha, mais de mil quilômetros distante.

A entrevista será publicada amanhã, domingo, no dia em que o presidente Álvaro Uribe chega ao Brasil. Convém dizer que, como prega o bom jornalismo, o Ministério da Defesa foi procurado para se posicionar sobre o caso. Cinco dias após o início dos contatos, o assessor do ministro me ligou para dizer que ele só poderia falar com a Folha a partir de terça, 17, justamente o dia em que Uribe voltaria à Colômbia - uma tática para postergar a publicação da reportagem e evitar mal-estar durante a estadia do chefe de Estado colombiano no Brasil.

Na quarta cheguei a Barranquilla, na costa do Caribe, para enfim tomar parte da oficina de crônicas da Fundação Garcia Márquez. Aqui estou com outros treze jornalistas de oito países latino-americanos, da Argentina ao México, passado por El Salvador. Fui o único brasileiro selecionado, de maneira que sou quase um gringo num mundo de "hispanohablantes". Ressalto a presença de três colegas venezuelanas, todas ressentidas pelo fato de não poderem votar no referendo deste domingo, no qual a Venezuela escolherá se quer ou não a eleição ilimitada do pseudo-democrata Hugo Chávez (serão três votos NÃO a menos).

Estamos escrevendo crônicas sobre o Carnaval de Barranquilla, uma festa super colorida, alegre, da qual os barranquilleros são extremamente orgulhosos. Os textos serão publicados posteriormente em um livro, em espanhol. Conto mais detalhes em breve.

Agora, ufa!, tenho de voltar à minha redação. E ainda tenho que ir "cumbiar" (o que é tudo muito estranho, já que eu nem sou amante do Carnaval). Ontem desfilei fantasiado, tomei rum e até assisti a um tiroteio. This is Latin America.

That´s all folks!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Barack Perón Obama

"No se si Obama habrá leído a Perón, pero déjenme decirles que se le parece mucho" .

A comparação um tanto quanto inusitada partiu da president(a) peronista Cristina Kirchner, da Argentina, em um pronunciamento na Quinta de Olivos.

É difícil entender a histérica e histriônica cultura política da Argentina (até para nós brasileiros acostumados a uma cultura política para lá de heterodoxa, para ser eufêmico). Numa comparação um pouco tosca, é como se as discussões políticas no Brasil ainda fossem pautadas pelas ideias de Getúlio Vargas (com direito a mausoléu, múmia e peregrinação), cuja doutrina trabalhista é vista como uma filosofia (feita de uma pitada de catolicismo anti-clerical, socialismo sem comunismo, uma grande dose de personalismo e outra de autoritarismo), amparada num grande partido, o Justicialista (vulgo Peronista), uma espécie de grande PMDB, com todos os seus vícios. Achou suficiente? Não... no Brasil não há nada a Evita para avançar na comparação.

Obama, segundo Cristina, bem que poderia ser peronista....tsc tsc tsc

O mais hilário é que, na Argentina, a comparação soou como elogio. Houve palmas retubantes após o discurso da president(a).

(fotomontagem do diário Perfil)

sábado, 31 de janeiro de 2009

Calvin Klein lança nova campanha publicitária


A nova campanha da Calvin Klein, assinada pelo publicitário americano Steven Meisel, já incomodou os conservadores de plantão. O vídeo sofreu embargo no YouTube.

Para passar bem o fim de semana, eis o vídeo...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

'habemus patriarca' na Igreja russa, o antigo espião Kirill

Kirill, bispo de Smolensk e Kaliningrad, 62, é o novo patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, no lugar de Aleksey II, morto em dezembro.

O novo patriarca (foto) serviu à KGB, o antigo serviço secreto soviético, sob o codinome Mikhailov, como reportou o jornal londrino The Times. Kirill é conhecido por seu nacionalismo e, ironicamente, pela abertura de diálogo com o ocidente, mais especificamente com o Vaticano, onde esteve no ano passado.

Kirill não era o preferido do Kremlin, que mantem uma estreita relação com a hierarquia ortodoxa desde a desintegração soviética. O premiê e líder de facto Vladimir Putin, também ex-agente da KGB, e o presidente Dmitry Medvedev costumam frequentar as festas religiosas. Situação muito diferente da vivida nas décadas anteriores, quando o ateismo era quase imposto pelo governo comunista.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

ex-espiões russos são candidatos a papa da Igreja Ortodoxa

Depois de ganhar o Kremlin na figura de Vladimir Putin (antes presidente, hoje premiê e sempre o homem que manda), os ex-espiões da KGB, o antigo serviço secreto soviético, agora estão na corrida para ser patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, o "papa" na versão svovsky.

O último patriarca, Aleksey II (na foto com Putin), morreu em dezembro do ano passado. Segundo reportagem do diário londrino The Times, três ex-espiões participam da eleição:

(1) Kirill, bispo de Smolensk e Kaliningrad, 62, codinome Mikhailov, foi chefe do departamento de assuntos estrangeiros da Igreja Ortodoxa e é uma das vozes mais estridentes do nacionalismo russo

(2) Clemente, bispo de de Kaluga e Borovsk, 59, codinome Topaz, atuou nos EUA e Canadá e já foi chamado de "o homem das sombras do sistema"

(3) Filaret, bispo de Minsk e Slutsk, 73, codinome Ostrovskii, é próximo do ditador da Bielorússia, Alexander Lukashenko

O último patriarca, Aleksey II, também era envolto de polêmica. Ele também teria servido a KGB sob o codinome Drozdov.

A notícia chega uma semana depois de outro ex-agente, Alexander Lebedev, 49, comprar o Evening Standard, o principal jornal vespertino de Londres.

O negócio é ser ex-agente da KGB!

governo da Islândia é o primeiro a derreter com a crise

No último dia 6 de outubro, o premiê da Islândia, Geir H. Haarde, falou em cadeia nacional de televisão:

"Há um perigo real, cidadãos, de que a economia da Islândia, no pior caso, pode ir para o ralo junto com os bancos, e o resultado pode ser uma falência nacional". Ontem foi o dia Haarde ir para o ralo e o governo da Islândia ser o primeiro a derreter com a crise.


No dia do pronunciamento, a outrora caríssima coroa islandesa (que fazia os compatriotas de Björk se sentirem ricos em qualquer parte do mundo) viu 25% do seu valor evaporar. A dívida dos bancos islandeses era imensa e equivalia a 9% do PIB da ilha gelada do Atlântico Norte.

Veja: "Quase 'falida', Islândia é espelho da crise" (MM)

Mas a realidade veio à tona. A bolha da Islândia estourou e o país de 320 mil habitantes e melhor IDH do mundo foi até parar na lista de "terroristas" do Reino Unido (que inclui a Al Qaeda). Tudo porque os bancos islandeses deram um calote em 300 mil investidores britânicos.

O país teve de acorrer ao FMI e, desde então, vive uma situação surreal, de quase falência. Os protestos, inéditos, passaram a fazer parte do cotidiano da antes pacata Islândia. A temperatura subiu na ilha. O governo derreteu.

Para entender melhor a urucubaca islandesa, recomendo o texto antológico "A grande ilusão", de João Moreira Salles, na edição de janeiro, da Piaui.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

FHC quer mudar Constituição para impor 'pax tucana'

Matéria de Kennedy Alencar, na Folha, conta que os grão-tucanos já decidiram que vão de José Serra em 2010. A decisão tomada por uma meia dúzia de caciques destoa bastante da imagem de partido moderno, de moldes europeus, que o PSDB costuma evocar. Tanto porque há um outro postulante importante à corrida presidencial - o mineiro Aécio Neves - o que deveria resultar em prévias, como costumam fazer os partidos democráticos.

Que o PSDB é um partido de caciques travestidos de tucanos, não há novidade. Estarrecedora é a proposta de FHC, narrada a seguir (sim, ainda é possível se estarrecer com a tragicômica política nacional):

"O principal defensor de Serra é FHC, que gosta de falar que "política tem fila". Ele tem dito reservadamente que Aécio é jovem e que precisaria entender que é a vez de Serra. (...) FHC aconselhou Serra a fazer um compromisso com Aécio para acabar com a reeleição, caso o paulista se eleja em 2010. Segundo o ex-presidente, deveriam ser dadas as garantias a Aécio de que ele será o próximo postulante do PSDB à Presidência".

Então se muda a Constituição apenas para dar a vez a Aécio??? FHC já impôs a emenda da reeleição em benefício próprio e agora que acabar com o dispositivo por conveniência tucana. Tsc tsc tsc... Não é mais fácil Serra e Aécio fazerem um acordo de cavalheiros (ou de caciques, com dança da chuva e tudo) e acertarem a ordem da fila???

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

na Casa Branca, o site é novo, mas a política para a América Latina continua velha

A julgar pelo novo site da Casa Branca, que entrou no ar no minuto posterior ao juramento de Barack Obama como o novo presidente americano, a mudança chegou mesmo aos Estados Unidos.

De visual novo, com mais recursos e direito a blog, o site inova até no texto biográfico de seus novos ocupantes. Veja a descrição da primeira-dama, Michelle Obama:

"Quando as pessoas pedem a Michelle Obama que descreva a si mesma, ela não hesita. Primeiro e antes de tudo, ela é mãe de Malia e Sasha. Mas, antes de ser mãe - ou esposa, advogada ou servidora pública - ela é filha de Fraser e Marian Robinson".


Mas se o site é inovador, a América Latina continua a ocupar o velho e quase inexistente lugar na agenda externa norte-americana. Na página dedicada às relações exteriores, todos os continentes são citados, com algumas questões devidamente detalhadas. Exceto dois deles: a Europa e a América Latina. O primeiro, porque é um parceiro histórico e estratégico. Não há no que se mexer. Já a pobre América Latina, pelo visto, continua a ser vista como mero quintal norte-americano. Nada muda também?

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

yes, he did

Barack Hussein Obama II tomou hoje posse como o 44.º presidente dos Estados Unidos. Obama é o primeiro negro a ocupar a Casa Branca. A ver as cenas dos próximos capítulos...



(instalação com reprodução da obra do artista Shepard Fairey, que ficou famoso ao retratar o então candidato à presidência americana)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

virgem Maria!

O estilista Ricardo Oyarzun provocou a ira dos católicos do Chile, após vestir suas modelos de Virgem Maria para um desfile em Santiago. Oyarzun cutucou um vespeiro: a sociedade chilena é uma das mais conservadoras do continente. Vale lembrar que o país foi o último do mundo a legalizar o divórcio, apenas em 2003.

(foto Rodrigo Nunes/Reuters)

domingo, 18 de janeiro de 2009

Inspirador de Madoff, Charles Ponzi morreu pobre no Brasil há 60 anos

para a Folha de S. Paulo, 18.jan.09

No dia 18 de janeiro de 1949, o Hospital São Francisco, no centro do Rio de Janeiro, registrava a morte do italiano Charles Ponzi. Cego, vítima de um infarto, ele não tinha família no Brasil. Internado na ala dos indigentes, era o mesmo homem que, três décadas antes, tinha uma vida luxuosa e que quase comprou um banco nos Estados Unidos. Até sua rede de fraude, imortalizada como "Esquema Ponzi", cair por terra.

O homem que inspirou o investidor Bernard Madoff (acusado de fraudes de até US$ 50 bilhões) começou seu negócio na década de 1910, alguns anos depois de emigrar para os EUA.

Na ocasião, descobriu que os selos de retorno postal vendidos no país eram muito mais caros que os comprados na Europa. Passou, então, a comprar e a revender selos do correio internacional e conseguir lucros elevados. Para expandir seu negócio, passou a captar dinheiro com outros imigrantes em troca de alta rentabilidade. Até o negócio desmoronar, e Ponzi acabar parando no Brasil.

Quase um século depois, Madoff também prometia altos rendimentos aos seus investidores. Em vez dos selos de Ponzi, o ex-presidente da Nasdaq dizia aplicar em fundos igualmente fabulosos. Entre seus clientes, estavam, principalmente, membros e instituições da comunidade judaica, que, igualmente aos imigrantes italianos do início do século, confiaram o seu dinheiro a um dos membros de sua comunidade.

Assim como Madoff, Ponzi vivia uma vida de luxo em Boston, após enriquecer. Sua fama cresceu, ele contratou agentes e montou um pequeno império.

"Ele administrava milhões de dólares em investimentos, que só faziam crescer, com as pessoas hipotecando as próprias casas", diz o jornalista americano Mitchell Zuckoff, autor de "Ponzi's Scheme: True Story of a Financial Legend" ("Esquema Ponzi: A Verdadeira História de uma Lenda Financeira", em tradução livre). Cerca de 17 mil investidores deixaram seu dinheiro nas mãos de Ponzi.

A rentabilidade fenomenal começou a levantar suspeitas e o jornal "The Boston Post" passou a investigá-lo, descobrindo que, para sustentar o negócio, Ponzi teria de comercializar 160 milhões de selos de retorno postal. Mas apenas 27 mil selos circulavam no país.

A notícia fez uma multidão de investidores reclamar seu dinheiro, em 1920. Ponzi se fez de vítima, pagou a alguns e convenceu a maioria a manter as aplicações. Contratou até um relações-públicas, James McMasters, para gerir o escândalo. Conseguiu segurar a situação por mais alguns meses, até McMasters vender os detalhes da negociata ao jornal.

Ponzi acabou preso e, em 1934, foi deportado à Itália. Em 1941, desembarcou no Brasil, como funcionário da antiga companhia de aviação Ala Littoria. Por razões desconhecidas, deixou a empresa e passou a viver no subúrbio de Engenho Novo, na zona norte do Rio, de onde mantinha uma intensa e apaixonada correspondência com Rose, sua ex-mulher, que ficara nos EUA. Eles não tiveram filhos, eram divorciados.

"A impressão que tenho de suas cartas é que ele estava feliz no Brasil, mas queria voltar para Rose e para os Estados Unidos, não para a Itália", afirma Zuckoff. "Ele tentou a sorte com alguns negócios. Numa carta, ele pergunta a Rose qual tipo de batom ela usava. Ele queria vender batons no Brasil. Ele estava sempre tentando fazer dinheiro de alguma forma.

"Nos últimos anos, doente e cego, Ponzi nem conseguia escrever. "As cartas eram escritas por um vizinho" chamado Antonio, segundo Zuckoff. Foi ele quem avisou Rose da morte de Ponzi, aos 66 anos, num dia quente de verão de 1949.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Para fugir, simulou a morte e tentou suicídio, mas foi pego pela polícia

para a Folha de S. Paulo, 15.jan.09

No último domingo, uma torre de controle do Estado do Alabama recebeu um cha­mado de socorro. Uma ven­tania teria pego de surpresa o avião pilotado pelo consul­tor financeiro Marcus Schrenker, acusado de frau­des milionárias nos Estados Unidos. Minutos depois, um jato militar localizou a aero­nave, que estranhamente voava sozinha, com a porta aberta. O piloto sumira.

Em seguida, o aparelho se espatifou no chão da Flórida. O paradeiro do condutor tor­nou-se um mistério, até Schrenker ser encontrado na noite de terça-feira, de pulsos cortados, numa apa­rente tentativa de suicídio.

Schrenker teve frustrada suas duas tentativas de sair de cena. Na primeira, atola­do em problemas, o consul­tor teria feito um plano au­dacioso: simular a própria morte, deixando o avião no piloto automático enquanto saltava de paraquedas. Schrenker esperava que o avião caísse no mar do Golfo do México, onde ninguém reclamaria seu corpo. Mas o aparelho se espatifou antes, por falta de combustível.

Em terra firme, no Alaba­ma, Schrenker teria fugido com uma moto, estrategica­mente escondida no local em que previu que aterrissaria após seu salto. Seguiu para um hotel, onde ficou prova­velmente sabendo do fracas­so do primeiro plano. Ten­tou, então, se suicidar, ao que tudo indica. Mas foi achado semiconsciente, com o pulso cortado sangrando. Segundo os paramédicos, Schrenker balbuciava a pala­vra "morte". Mas ele conti­nua vivo, e deve seguir para acadeia, avisou a polícia.

Negociata - Schrenker, 38, ex-piloto,era conhecido pela lábia. Fa­lante, gostava de ternos bem cortados. Profissional do ra­mo de seguros, o consultor do Estado de Indiana cole­ciona fraudes e processos ju­diciais. Na última sexta-fei­ra, um juiz de Maryland de­terminou que sua compa­nhia, a Heritage Wealth Ma­nagement, pagasse US$ 533mil num processo perdido. Um ex-colega o acusa de rou­bar US$ 2 milhões.

Mas a crise fez Schrenker se ver encurralado nos pró­prios negócios, com clientes furiosos reclamando os in­vestimentos. Sua última víti­ma teria sido o padrasto. Schrenker tentou, então, a última cartada. Mas tudo pa­recia conspirar contra ele, inclusive a sorte e a esposa: Michelle Schrenker entrou com um pedido de divórcio, no dia 30 de dezembro.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Fidel Castro morto?

É a mais nova fofoca virtual. A probabilidade foi reportada pelo diário espanhol El País. É muito provável que o líder cubano esteja, ao menos, muito doente, a julgar pelas declarações suspeitas do venezuelano Hugo Chávez, no último domingo: "Já sabemos que aquele Fidel que andava pelas ruas e vilarejos com seu uniforme de guerreiro, abraçando o povo, não voltará. Porque Fidel viverá, como está vivo, e viverá sempre, além da vida física. E deve viver, ele sabe, por anos. Precisamos de você ainda".

Fidel não apareceu, nem em foto protocolar, durante a visita do presidente equatoriano Rafael Correa à Cuba, semana passada, assim como não foi visto na visita do panamenho Martín Torrijos e da chilena Michele Bachelet. El Comandante já não mais escreve sua coluna no jornal Granma. Especula-se que o líder possa estar em estado terminal, ou até morto, mas o regime cubano estaria postergando o aviso para depois da posse de Barack Obama, nos EUA. O recente cortejo de líderes estrangeiros à ilha também seria uma forma de reafirmar a autoridade de Raúl Castro, o irmão e herdeiro político de Fidel.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Madoff: roubou até a irmã

Sondra Wiener, 74, irmã de Bernard Madoff, é outra ví­tima das fraudes de US$ 50 bilhões arquitetadas pe­lo ex-presidente da Nas­daq. Sondra tenta despe­radamente vender uma casa com piscina e três quartos que possui na Fló­rida (pede US$ 950 mil), após "perder mi­lhões" em investimentos administrados pelo ir­mão mais novo.

Sondra teria, no entanto, recebido um dos pacotes com jóias e relógios valiosos (um deles Cartier, outro Tiffany, cravejado de diamantes) despachados por Madoff pelo correio, na semana passada. O investidor está em prisão domiciliar no seu luxuoso apartamento de US$ 7 milhões, no Upper East Side, em Manhattan, sem os relógios, mas com um rastreador eletrônico em forma de bracelete.

O investidor é acusado por fraudes que podem chegar a US$ 50 bilhões, por meio de um rede de corrupção conhecida como esquema Ponzi. Entre as vítimas estão bancos europeus e in­vestidores particulares co­mo o cineasta espanhol Pedro Almodóvar. O golpe atingiu em cheio instituições e membros da comunidade judaica, que confiaram a Madoff (também judeu) seu rico dinheirinho...

domingo, 11 de janeiro de 2009

Cristina Kirchner desmaia, à beira de um ataque de nervos

Cristina Kirchner encontra-se em repouso. A president(a) argentina teve de adiar compromissos, depois de sofrer um desmaio nesta semana.

A temperatura subiu muito em Buenos Aires nos últimos dias. A president(a) passou mal e, segundo o diário La Nación, foi cogitada sua internação. Cristina inclusive adiou uma viagem à Cuba e à Venezuela. Ao que tudo indica, trata-se de uma forte crise de estresse.

Cristina define-se ela própria como "pinguina", uma referência à província patagônica de Santa Cruz, onde fez sua carreira política (embora tenha nascido na província de Buenos Aires). São comuns suas queijas ao "calor agobiante" da Capital Federal. Também o recanto preferido da president(a) é sua casa em El Calafate, no gelado sul do país.

Além dos calores da estação, aos calores da president(a), nos seus 50 e poucos anos, somou-se mais um round da crise agrícola, que por três meses paralisou a Argentina ano passado. Os produtores já começaram a fechar novamente as estradas do país. Cristina também tem de lidar com a briga dos manifestantes da província de Entre Rios, que há quase dois anos mantem ilegalmente fechada a fronteira com o Uruguai, desde o conflito sobre a papeleira Botnia. Além disso, 2009 é ano de eleições legislativas na Argentina, e Cristina deve sofrer uma derrota achapante. Isso só para falar dos problemas domésticos.

A crise econômica já afeta uma fragilizada Argentina, que ainda não se recobrou da quase falência de 2001. O país sofre de carência institucional, maquila seus índices econômicos e sociais e tem uma sociedade (como já de costume histórico) dividida, agora em torno do polêmico casal presidencial Kirchner. Aliás, diz-se por lá, o principal problema da president(a) é seu marido, o ex-presidente Néstor, que parece ser o lider de facto e a grande sombra de seu governo. O noticiário político é de um dramalhão típico de novela mexicana, cheio de peleas e conspirações. Néstor está sendo processado por formação de quadrilha, isso só para citar um dos capítulos da crônica argentina.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

indústria pornô pede ajuda nos EUA

"As pessoas podem viver sem carro, mas não sem sexo", diz o comunicado que empresários da indústria pornô de Los Angeles publicaram esta semana. Depois de verem cair em 22% a venda de DVDs eróticos, os empresários resolveram agir. Liderados pelo lendário Larry Flint, dono da revista Hustler, e por Joe Francis, criador da série Girls Gone Wild, a indústria pornô faz lobby no Congresso americano por uma ajuda de US$ 5 bilhões ao setor.

Larry Flint e suas "sobrinhas"

"As pessoas estão muito deprimidas para se manter sexualmente ativas", justifica o comunicado, que argumenta que a crise financeira e, mais especificamente, a crise na indústria pornô , "é algo muito negativo para a saúde do país". "As pessoas estão deprimidas e o Congresso deveria rejuvenescer o apetite sexual", conclui o documento.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

filha de Benazir Buttho faz rap para mãe

Bakhtawar Bhutto, filha da ex-premiê paquistanesa Benazir Buttho, assassinada ano passado por fundamentalistas, fez um rap em homenagem à mãe. Em I Would Take The Pain Away, a garota de 18 anos lamenta a morte prematura de Benazir. Rodeada de polêmica e acusações de corrupção, a herdeira de um clã político do Paquistão foi a primeira mulher a dirigir uma nação muçulmana.



"Minha mãe foi morta. Eu nem entendo. Valia à pena ter morrido por isso?" , pergunta a menina. O clipe foi exibido pela TV estatal, controlada por seu pai, o atual presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

crise faz bilionário alemão se matar

Às 18h30 da noite de segunda-feira, funcionários da estrada de ferro que corta o vilarejo de Blaubeuren, na região de Baden-Württemberg, no sul da Alemanha, encontraram um corpo estendido nos trilhos. O suicida, Adolf Merckle, 74, era o quinto homem mais rico da Alemanha e o dono da 94ª maior fortuna do mundo, segundo a revista Forbes. Isso até chegar a crise e Merckle perder € 1 bilhão na especulação de ações da Volkswagen e arruinar as finanças de suas empresas.

Merckle era rico desde o berço. Advogado, nunca exerceu a profissão. Entre suas paixões estava o esqui e o mercado financeiro. Gostava de investir. Mas, no último outubro, foi vítima de sua própria especulação, surpreendido com a brusca desvalorização das ações da Volkswagen. Segundo a imprensa alemã, Merckle perdeu cerca de € 1 bilhão em investimentos com ações da montadora.

O baque foi sentido também nas suas empresas, prejudicando a saúde financeira da HeidelbergCement, a quarta maior produtora de cimento na Alemanha. Merckle se viu na iminência de vender sua parte na empresa, bem como na farmacêutica Ratiopharm, também fundada por sua família. Ele era ainda proprietário da Phoenix Pharmahandel e da montadora de máquinas Kässbohrer. O conglomerado familiar fatura anualmente € 30 bilhões e emprega 100 mil pessoas, mas se especula que as dívidas seriam de € 16 bilhões.

"A situação desperadora das suas companhias, causada pela crise financeira, as incertezas das últimas semanas e sua impotência para agir quebraram o apaixonado empreender e tiraram a sua vida", disse a família, num comunicado.

Merckle não é a primeira vítima fatal da crise financeira. Há poucos dias, o francês Thierry de la Villehuchet se esfaqueou no seu escritório em Nova York, depois de receber um calote de US$ 1,4 bilhão do investidor fraudulento Bernard Madoff. As mortes lembram os lendários suicídios cometidos no lastro do Crash de 1929, quando vários investidores teriam se atirado pelas janelas de edifícios de Nova York e de Londres.

Casado e pai de quatro filhos, Merckle deixou uma carta, pedindo desculpas pelo suicídio. Advogado de formação, luterano, considerado discreto e um investidor prudente, o empresário viu sua tragédia financeira circular pela imprensa alemã. Merckle poderia ser um dos destinatários do pacote de socorro ao empresariado, do governo regional de Baden-Württemberg. Dias atrás, a manchete do jornal local "Suedkurier" referia-se a Merckle como "o bilionário de bolsos vazios".

Na segunda-feira, ao meio dia, o dono da fortuna de US$ 9,2 bilhões, saiu de casa. Preferiu não voltar.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

o tempo dos imigrantes


Os imigrantes africanos, que costumam frequentar as crônicas policiais e humanitárias na Espanha, ficaram pop. Doze deles foram clicados, nus, pelo fotógrafo Adolfo López, para levantar fundos a uma associação de apoio aos trabalhadores sin papeles. Veja reportagem do El Pais.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Japão multicultural?

Abrir-se ao mundo parece ser, mais uma vez, a salvação da lavoura japonesa. É o que pensa um grupo de políticos do Partido Democrático Liberal (conservador), o mesmo do premiê Taro Aso. À revelia da opinião da maioria de seus partidários, eles promovem o esboço de uma ampla política de imigração, que pretende atrair trabalhadores dos países asiáticos vizinhos (ainda ressabiados com os arroubos imperialistas do Japão no passado próximo). Depois do baby boom do pós-guerra, que ajudou a alçar o Japão ao grupo das mais desenvolvidas economias do mundo, a população envelheceu: logo, o país perdeu vigor e ganhou altas faturas previdenciárias.

Embora o tema seja espinhoso (que o diga a Europa), foram os imigrantes que fizeram bombar a economia britânica e espanhola nos anos 90. No Japão, além dos problemas demográficos, assusta a desaceleração da economia, reflexo da atual crise. Só em novembro a produção industrial retraiu 8,1%, ante outubro.

A reportagem é da revista The Economist, que diz ter o Japão um dos menores contingentes de imigrantes entre os países desenvolvidos. Diz também que por lá, estrangeiro e deliquente costumam ser sinônimos para o japonês médio. O texto cita os dekasseguis brasileiros e fala da dificuldade de adaptação numa cultura extremamente fechada.

Vale lembrar que o país só arrancou econômica e políticamente no fim do século 19 (na Era Meiji) quando rompeu o isolamento em que se encontrava há seculos. O Japão chegou então a figurar entre os protagonistas do imperialismo no início do século 20 e (após a derrota na 2. Guerra) tornou-se um grande exportador de tecnologia e cultura (mangás, moda, design...).

Agora, além de fazer negócios com o mundo, os japoneses terão pela frente o desafio de conviver com a gente do mundo... Multiculturalismo? No, it´s the economy, stupid!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Björk cria fundo para ajudar Islândia

A cantora Björk está procurando investidores para o fundo Ardur Capital, criado por ela a fim de irrigar a economia da agora pobre Islândia. A ilhota no Atlântico norte, cujo IDH é o mais alto do mundo, está prestes a submergir - além do perigo trazido pelo aquecimento global, a Islândia viu sua economia derreter com a crise global.

Veja: Quase "falida", Islândia é o espelho da crise

O país se aproveitou da bolha ilusória da economia, que estourou em setembro. A dívida dos bancos do país é 9 vezes maior que o PIB islândes. A crise provocou uma situação surreal na ilha, cujo primeiro-ministro chegou a declarar, em rede nacional, que a Islândia estaria à beira da falência. Até empréstimo do FMI o país nórdico recebeu depois de entrar numa fria... gelada até para os padrões islandeses.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Madonna escapou da crise por pouco, afirma produtor

para a Folha de S. Paulo, 21.dez.08

Responsável pela turnê "Sticky & Sweet", que rendeu US$ 280 mi, diz que a venda antecipada de ingressos evitou impactos da turbulência

Cantora também movimenta economia das cidades onde faz shows; em SP, prefeitura calcula que 39 mil turistas deixarão R$ 23,4 milhões

Não à toa ela é a "material girl". Mais do que a adrenalina dos fãs, Madonna movimenta milhões de dólares, na economia de onde passa e na própria conta bancária. Cantora mais bem paga de 2007, segundo a revista "Forbes", a rainha do pop pode ser considerada um fenômeno de fazer dinheiro. A turnê "Sticky & Sweet", que acaba hoje em São Paulo, deve render US$ 280 milhões à sua produtora, a Live Nation.

Segundo o produtor da turnê, Arthur Fogel, "até agora, não há crise para Madonna". Por pouco. "É que quase todos os ingressos foram vendidos antes de a crise começar", afirma, em entrevista à Folha."Eu não posso dizer que houve qualquer impacto, mas no futuro teremos de ser mais cuidadosos [na venda de ingressos]", disse Fogel, que produz as turnês de Madonna desde 2001. Ele admite um "ambiente econômico muito ruim", acha que "a crise vai afetar" os negócios da música, mas aposta que "grandes artistas não devem sofrer grande impacto".

Fogel foi um dos principais responsáveis, no ano passado, pela assinatura do contrato de dez anos de Madonna com a Live Nation, que rendeu US$ 120 milhões à cantora. Nada mal para quem diz ter chegado em Nova York com US$ 35 no bolso, em 1976. Três décadas depois, a Live Nation espera faturar US$ 1 bilhão com o contrato de Madonna.

A turnê, que vendeu 2,3 milhões de ingressos nos 58 shows (28 deles com lotação completa) em 17 países, deve render US$ 280 milhões. "É um bom começo", diz Fogel. Em 2006, a temporada de "Confessions on a Dance Floor" rendeu US$ 195 milhões. Na turnê de 2004, foram US$ 125 milhões e, na de 2001, US$ 75 milhões.

"Ela é um bom negócio. Neste ponto da sua carreira está melhor do que nunca", diz o produtor sobre a cantora, que mostra jovialidade aos 50 anos. Mas ele toma para si parte do sucesso: "Há um bom planejamento. Optamos por tocar em estádios maiores e para mais gente", conta. "Também incluímos cidades onde ela nunca tinha se apresentado ou não toca há muito tempo." Caso do Brasil, onde ela não cantava havia 15 anos: os três shows iniciais viraram cinco.

Fogel não revela muitos números, mas admite que a venda de CDs, a mina de ouro dos artistas no passado, já não é "tão relevante" no faturamento. "Hoje as turnês e o merchandising são a parte mais importante da receita de Madonna", diz. No ano passado, ela lançou uma linha de roupas na cadeia sueca H&M. Faturou US$ 15 milhões já na primeira semana.

Segundo Fogel, "Madonna é a responsável pela maior parte da receita da Live Nation". A cantora recebeu US$ 25 milhões em ações da companhia na ocasião do contrato. Além das turnês e do merchandising, a produtora administra os direitos autorais e as gravações de Madonna. A Live Nation também trabalha com artistas como Elton John e a banda de rock Mettalica. Apesar do otimismo de Fogel, as ações da companhia, negociadas na Bolsa de Nova York, acumulam perdas de 70% em 2008.

Extra-oficialmente, estima-se que a fortuna de Madonna supere US$ 1 bilhão. Mas não é só a cantora quem fatura com suas turnês. A Prefeitura de São Paulo calcula que os 39 mil turistas que vieram assistir aos shows deixarão R$ 23,4 milhões na cidade. No Rio, a ocupação hoteleira da zona sul foi de 83% no período dos shows, acima da média de 64%.

Tudo para assistir à turnê de divulgação de "Hard Candy" ("Doce Forte", duro, em português) -o álbum é dos mais vendidos em 2008, adoçando ainda mais as cifras de Madonna.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

no século 17, tulipas deixaram Amsterdã à beira da bancarrota

para a Folha de S. Paulo, 21.set.08

Um arranjo de tulipas custa hoje cerca de R$ 30. Mas, na Holanda do século 17, para comprar um só bulbo da flor, era necessário dispor de 24 toneladas de trigo. A conta é assustadora, assim como foi a quebradeira que se seguiu à primeira crise especulativa de que se tem notícia. Quase 400 anos depois, Wall Street vê algumas de suas instituições ruírem. Os tempos e as crises são outras, mas o "espírito animal" que faz as cotações alcançarem preços irreais continua o mesmo.

"Espírito animal" foi o termo usado pelo economista inglês John Keynes (1883-1946) para explicar a euforia que move os investidores em busca do lucro fácil proporcionado pelo mercado financeiro. Assim foi na crise de 1929 e assim foi na rica Amsterdã dos anos 1600. A exótica tulipa, vinda do Oriente, virou mania entre os holandeses, que passaram a colecionar e logo a disputar os bulbos.

Tamanha valorização fez os produtores (e logo os intermediários) fecharem contratos futuros informalmente, os chamados "windhandel" (negócio de vento). A cada ano, o preço da tulipa se inflacionava e alcançava valores exorbitantes.

"Uma isca dourada fisgou tentadoramente um a um. Todos correram para os mercados de tulipas, como abelhas num pote de mel", descreveu Charles Mackay, num relato do século 19 que celebrizou a tulipamania, como ficou conhecida.

O que foi inicialmente uma vaidade dos ricos holandeses se tornou um negócio milionário. Mackay conta que um marinheiro bêbado passou seis meses na prisão depois de comer um dos valiosos bulbos, pensando se tratar de uma cebola.

Em 1637, a bolha estourou. "Foi um efeito manada", explica o professor Renato Colistete, da FEA-USP. "Os negociantes começaram a vender os contratos e o mercado fictício desapareceu." Assim como evaporaram as propriedades e tudo o que os holandeses empenharam na tulipamania. O relato de Mackay é controverso e muito do que conta pode ser lenda, ou seja, tão real quanto o valor de muitos títulos negociados Bolsas afora. Mas a história ilustra bem a crise que chacoalha Wall Street, tragando instituições de peso como o banco Lehman Brothers e virando a ideologia do livre mercado pelo avesso.

Assim como o governo americano já torrou US$ 1 trilhão para aliviar a crise (e deve gastar em breve outros bilhões), o governo holandês teve de intervir. Os contratos podres eram comprados por 10% de seu valor. Para Colistete, a atual intervenção "é surpreendente". Muito diferente de 1929, quando o governo Herbert Hoover assistiu de braços cruzados à erosão do sistema financeiro. Dinheiro público seria usado só depois, para pagar as frentes de trabalho num país em que 25% da população ficou desempregada.

Um dos efeitos da tulipamania foi a sofisticação do sistema financeiro e a criação de mecanismos como o mercado de opções. Colistete acredita que a atual crise também trará mudanças: "Haverá uma pressão por mais transparência", diz, já que houve uma oferta exacerbada de crédito ao setor imobiliário e os riscos não foram perceptíveis no início.

Sobre a crise atual, o professor não se arrisca, mas parece crer no presidente do Federal Reserve: "Ele está usando o conhecimento acumulado pelos estudos", brinca Colistete. Enquanto acadêmico, Ben Bernanke foi um especialista em Grande Depressão.
 
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