sábado, 20 de junho de 2009

meu blog mudou de endereço

A partir de agora, esse blog será hospedado no UOL. Para acessar a nova home, recauchutada, clique aqui.

O novo endereço é : blogdomauriciomoraes.zip.net. Deixe seu comentário! Abs

terça-feira, 16 de junho de 2009

a revolução verde do Irã bomba na web

A mídia tem mostrado, nos últimos dias, a grande pelea no Irã entre o presidente ultra conservador Mahmoud Ahmadinejad e o liberal (ou menos conservador) Mir Hussein Mousavi. Idependente do resultado da eleição (oficialmente vencida por Ahmadinejad), quem realmente manda no Irã é o Conselho dos Guardiães, liderados pelo líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamanei.

Mesmo com toda a repressão aos manifestantes, que não aceitam a reeleição de Ahmadinejad num processo que cheira a fraude, os "guardiães supremos" do Irã e do regime islâmico instalado no país em 1979 não conseguiram aplacar a força da internet.

Embora a cobertura da imprensa tradicional esteja sendo fortemente controlada (enviados estrangeiros já não podem cobrir as manifestações), as imagens da "revolução verde", como vêm sendo chamados os protestos, estão se espalhando pela web. Seja pelo Flicker de Hamed Saber (foto ao lado) ou pelos vídeos postados no blog Iran Election (abaixo). O Facebook também tem cumprido um papel importante no processo, bem como o Twitter. Incrivelmente, as autoridades ainda não proibiram tais sites e ferramentas... A ver até quando.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

o banquinho de Sarkozy

Conhecido pela baixa-estatura, o presidente francês Nicolas Sarkozy resolveu não fazer feio quando estiver ao lado de líderes estrangeiros. Nos discursos do aniversário do Dia D, Sarkô subiu num "banquinho" para ficar com a mesma altura de Obama.

terça-feira, 9 de junho de 2009

jornal alemão terá fotos de homens semi-nus

Conhecido pelas fotos de garotas sensuais que estampam diariamente suas edições, o tablóide alemão Bild (o jornal de maior tiragem na Europa) anunciou hoje que, além da Bild Girl, terá também um Bild Boy (veja a foto publicada no seu site).

Lido por 3,5 milhões de pessoas, o jornal anunciou que espera publicar "a foto do homem mais desejado da Alemanha". Centenas de candidatos já se apresentaram no primeiro dia. As primeiras fotos devem ser publicadas no fim de semana.

Segundo a direção do jornal, a decisão de publicar fotos de homens semi-nus é uma forma de contemplar as mulheres. "É uma mudança atrativa para as nobres leitoras", explicou Tobias Fröhlich, porta-voz do jornal.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

atum sustentável

A rede britânica de lanchonetes "Pret a Manger" vai incluir apenas "atum sustentável" nos sanduíches que vende no Reino Unido. A decisão foi tomada pelo próprio presidente, Julian Metcalfe, motivado pelo documentário "End of the line", que estreia hoje o país.

Baseado no livro do jornalista Charles Clover, o documentário mostra que, se os métodos de pesca não mudarem, peixes e frutos do mar serão artigos raríssimos à mesa no ano de 2048. O "Pret a Manger" não vai mais utilizar a variedade atum azul, que já não é vendida na rede "Mark & Spencer", segundo matéria do Guardian. Serão vendidas apenas variedades cujos métodos de pesca tenham menor impacto no ambiente de vida marinha.

domingo, 7 de junho de 2009

Obama fala aos árabes e muçulmanos

discurso do presidente Barack Obama para os muçulmanos, na tradicional e milenar Universide do Cairo

sexta-feira, 5 de junho de 2009

a suruba de Berlusconi

as fotos falam por si... clique aqui e veja a seleção picante publicada pelo El País e que sacode a Itália

quinta-feira, 4 de junho de 2009

dupla de artistas mata um colecionador na Bienal de Veneza

O duo escandinavo Elmgreen and Dragset "matou" um colecionador e o deixou boiando na piscina do Pavilhão Nórdico e Dinamarquês da Bienal de Artes de Veneza, o mais importante evento do circuito artístico internacional. Veja aqui uma seleção de trabalhos apresentados nos pavilhões nacionais, feitas pelo Guardian.

vice-prefeita de Buenos Aires faz reality show durante campanha

Gabriela Michetti, vice-prefeita de Buenos Aires, está filmando seu dia a dia na campanha eleitoral para o Congresso argentino e postando os vídeos em seu blog e no Youtube.

Michetti ganhou notoriedade política ao compor a chapa, há dois anos, com o conservador e boa-pinta Maurício Macri, que antes era cartola do Boca Junior. A vice-prefeita é deficiente e se locomove numa cadeira de rodas.

Além de burocráticos encontros com eleitores, discussões sobre a questão da acessibilidade nas cidades, Michetti ainda arruma tempo para falar sobre seu cabelo. Veja o vídeo onde ela explica porque mantê-los presos durante a campanha.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Chávez não vai à posse de Funes em El Salvador com medo de atentado

Ele teria passado icólume por uma dezena de supostos atentados por parte do governo americano e afins (pelo menos assim o próprio propagandeia). Mas desta vez Hugo Chávez preferiu se previnir: não foi à posse do novo presidente de El Salvador, o esquerdista Mauricio Funes (foto, da Frente Faribundo Marti, que combateu na Guerra Civil dos anos 80).


"Graças a fontes de inteligência sobre grupos de ultra-direita internacional, se pode concluir que havia um alto risco e se tomou a decisão, correta, de suspender a visita do presidente Chávez", disse o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, ao canal da TV estatal da Venezuelana.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Air France: cada um no seu quadrado

Uma zapeada pelos sites jornalísticos de vários países revela um procedimento um tanto comum quanto nonsense dos jornalistas em episódios como o incidente do avião da Air France, que sumiu no trajeto entre Rio e Paris.

Cada qual dá destaque às suas pretensas vítimas:

- Os jornais da Argentina davam destaque ao único passegeiro argentino
- Os britânicos, falavam dos cinco britânicos que estavam no avião
- No Diário de Notícias, de Portugal, a manchete principal era: "Não havia nenhum português no avião".... ora ora, isso é a anti-notícia

POR OUTRAS BANDAS,

A visita do presidente francês Nicolas Sarkozy ao aeroporto de Paris, a fim de consolar as famílias das vítimas, poderia ter se transformado numa bela saia-justa para Lula.

No acidente da TAM em Congonhas, em 2007, Lula foi criticado pela demora em se manifestar. Na ocasião, a presidência da Argentina chegou a divulgar uma nota de pesar antes do Palácio do Planalto.

Com a pronta visita de Sarkozy ao aeroporto, Lula seria cobrado a fazer o mesmo no Galeão, no Rio. Se fizesse, por outro lado, não tardaria quem dissesse que seria "oportunismo seu", "imitação de Sarkozy" ou "mea-culpa ante o episódio da TAM".

Mas Lula é sortudo até nestas horas... diante da eventual saia-curta, ele está longe, voando pela América Central, em visita a países da região.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

prefeito foge com namorado no dia da posse

Eis que, no dia da posse, o prefeito sumiu. Na pequena e árida San Angelo, no Estado do Texas, o prefeito que acabara de ser reeleito com 82% dos votos simplesmente não apareceu para a cerimônia. O jovem político de 32 anos, considerado um prodigio no serviço público, desapareceu porque fugiu com o namorado, um mexicano ilegal.

O prefeito apaixonado foi parar do outro lado da fronteira, etc e tal. Não é fácil ser político e gay nos EUA (nem em qualquer outro lugar). A história completa está no El País e tem enredo de Brokeback Mountain com toques de novela mexicana - e ao que parece terá final feliz. Ainda que não tenha voltado à cidade, seus habitantes conservadores, da América profunda que vota em George W. Bush, não parecem se importar muito com as preferências sexuais do prefeito. Gostariam, por outro lado, que ele voltasse ao trabalho.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

menino da gripe suína pode virar estátua no México

O garoto Édgar Hernández, que ficou famoso por ser o primeiro portador da gripe suína no México, além de virar figurinha descolada na mídia mundo afora, espécie de (anti-)herói nacional mexicano, pode agora virar estátua...

A fim de turbinar o turismo da pequena La Glória, o vilarejo onde vive o garoto, o governador do Estado de Vera Cruz, Fidel Herrera, já divulgou seus planos de erguer a estátua, segundo o NYTimes. Na web, já se pergunta se a obra vai incluir o porquinho, que espirrou perto de Édgar.

(foto: Pablo Spencer/Agence France-Presse — Getty Images)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

porteños se acham os mais cultos da região

“65% dos portenhos consideram ter um alto nível cultural e 63% creem que os habitantes da cidade (de Buenos Aires) são mais cultos e têm um nível de cultura superior ao resto dos latino-americanos", conclui uma pesquisa do Centro de Estudios Observatorio Porteño, da Argentina, publicado no diário Perfil.


A gente já sabia (apesar da pretensa mediocridade cultural de cada dia)...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

vídeo de horror da UE: há sempre tempo para votar

A União Europeia lançou uma campanha com pequenos vídeos publicitários incitando os eleitores a votar nas próximas eleições ao Parlamento Europeu. O resultado (dos vídeos, por enquanto, não da campanha pulicitária em si) é um tanto quanto hilário. Há também vídeos institucionais e sobre políticas públicas, como as de emprego. Veja aqui a seleção do Liberation.

Veja o primeiro, com direito a Frankstein:



E um vídeo sobre o valor do trabalho e da criatividade. Recomendação caliente!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

el gran cuñado en la Argentina de los Kirchner y el gran hermano en la Venezuela de Chávez

Comecemos por Chávez:

O último grande plano do presidente venezuelano é tornar obrigatória a leitura de Marx e Che Guevara nas escolas do país. Trata-se do "Plano Revolucionário de Leitura", que ainda inclui os livros "El socialismo venezolano y el partido que lo impulsará", escrito pelo atual ministro da economia Alí Rodríguez, e "Ideas cristianas y otros aportes al debate socialista", com fragmentos de discursos de Chávez. Aos jornalistas, o líder bolivariano defendeu assim o seu plano de leitura: "Temos de injetar à contra-revolução todos os dias uma dose de libertação através de leitura".

Libertação?? Bem... Viva a libertação bolivariana trazida pela leitura obrigatória dos discursos chavistas!!

E na Argentina...



Trata-se do programa "Gran Cuñado", que está dando o que falar no outro lado da fronteira.

É uma versão caricata do Big Brother (Grande Irmão), na qual sósias de políticos do país ficam presos numa casa... brigando, cometendo trapalhadas e fazendo rir o público, que já não sabe onde termina a realidade e começa a ficção nesta grande tragicomédia política latinoamericana. Deixo aqui o vídeo da entrada de "Cristina Kirchner" na casa do "Gran Cuñado". Aproveite!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

farra: deputados britânicos também tem de explicar gastos extras

Suas excelências, os deputados brasileiros, se viram repentinamente no meio de mais um escândalo, envolvendo o gasto abusivo com passagens aéreas. No Reino Unido, na terra de Sua Majestade Elisabeth 2, o barulho é ainda maior e o escândalo versa sobre o mesmo tema - gastos irregulares dos congressistas (embora os gastos sejam quase pueris comparados aos daqui).

Até o premiê, Gordon Brown (que continua a ser um deputado) se viu no meio da história, tendo de explicar seus gastos com a faxineira (fatura que ele pagava ao irmão, que por sua vez repassava à funcionária, na versão oficial).

Como se trata de um país "sério" (diferente destas terras tupiniquins), os gastos "abusivos" descambaram num quiprocó danado, que pode até antecipar a queda de Gordon Brown (que todos já esperam para um futuro não muito distante). A questão é que até o líder dos conservadores, David Cameron, cotado para assumir o gabinete, foi pego pelo rabo, por ter pago com dinheiro público as 150 libras cobradas por seu encanador.

O Guardian fez uma lista insólita dos "gastos abusivos" de Suas Excelências britânicas... Ah... se eles vissem a lista de compras de Nossas Excelências de Brasília. Por lá, a deputada Cheryl Gillan, por exemplo, está no olho do furacão porque gastou 4,47 libras do dinheiro público em ração de cachorro.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

vergatório: o celular fálico de Chávez

A revolução bolivariana de Chávez fez uma notável contribuição à humanidade: o vergatório. Trata-se de um telefone celular de baixo custo, vendido por US$ 15. Mas não é pelo seu preço que o lançamento mais se destaca, mas sim pelo nome fálico. Vergatório vem de verga, que em espanhol é justamente o que você deve estar pensando... digamos que seria o membro masculino preparado ao que por excelência se destina.

Os aparelhos são produzidos na China, mas remontados numa fábrica venezuelana da recém-constituída estatal de telecomunicações Vetelca. Chávez lançou o produto, como não poderia deixar de ser, no seu programa de televisão. "O seu vergatório já chegou?", perguntou o presidente, com jeito de garoto-propaganda. Se ele não chegar, bem... se ele não chegar bem poderia se tratar de uma conspiração americana... ao menos no jeito bolivariano de encarar as coisas.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

3º mandato: Uribe perde estribeiras com repórter

Quanto se trata do presidente colombiano Álvaro Uribe, a pergunta que não quer calar é: ele vai se candidatar a um terceiro mandato??? Pois bem, essa pergunta foi feita por um jornalista da BBC em espanhol. Veja a resposta:

Uribe - Outra pergunta, amigo... Você nasceu onde?
Repórter - Eu sou argentino.
Uribe - Bom... estude a história do seu país, deixe a democracia colombiana tranquilinha...

quinta-feira, 7 de maio de 2009

crise?: Gordon Brown gastou R$ 1,582 mi na recepção do G20 em Londres

A reunião do G20 em Londres, quando Obama chamou Lula de "o cara", custou 500 mil libras, ou R$ 1.582.804, aos contribuintes britânicos, segundo o jornal The Independent.

Tanto a rainha Elisabeth quanto o premiê Gordon Brown receberam os líderes mundiais com pompa e circunstância... justamente no encontro em que o mundo discutia como sair da crise. O jantar em Downing St. 10, a residência do primeiro-ministro, por exemplo, ficou a cargo de Jamie Oliver, o chef super star... a conta não deve ter saído barata.

terça-feira, 5 de maio de 2009

A primeira primeira-dama do Irã

A campanha eleitoral no Irã começou a pegar fogo, tanto que o presidente Mahmoud Ahmadinejad cancelou a visita que faria ao Brasil esta semana. Mas no país dos aiatolás, quem está chamando atenção é uma mulher - Zahra Rahnavard. Ela anda com desenvoltura, não cobre o rosto, vez ou outra usa um véu colorido, tem um posicionamento político incomum num país onde o machismo é institucionalizado e... mais que isso, é esposa do candidato reformista Mir Hossein Mousavi, segundo lugar nas pesquisas. Além disso... é a primeira mulher a fazer campanha no país desde a Revolução Cultural de 1979.

Em artigo no Guardian (cujo título eu copiei aqui), a historiadora Massoumeh Torfeh ressalta que, mesmo sob o chador, Zahra tem um papel bastante progressista numa sociedade onde as esposas dos políticos são literalmente invisíveis. A esposa do presidente linha-dura Ahmadinejad, por exemplo, cobre-se totalmente de preto.

Segundo os analistas ouvidos no artigo, a dupla Mousavi / Zahra tenta atrair o voto das mulheres no Irã, que foram decisivos na eleição do ex-presidente reformista Ali Khamenei, há alguns anos. A derrota de Ahmadinejad também teria um gosto pessoal para Zahra. Ela foi a primeira mulher a se tornar reitora de uma universidade desde o país se tornar uma teocracia islâmica, em 1979. Até Ahmadinejad subir ao poder e demiti-la do cargo na Universidade de Al-zahra.

sábado, 2 de maio de 2009

Congresso espanhol compra briga com o papa

A crise se aprofunda e a Espanha tem a maior taxa de desemprego da Europa. Mesmo assim, a discussão mais caliente no parlamento do reino ibérico é uma proposta de censura contra o papa Bento 16, por este ter dito que o uso da camisinha em nada contribui para a prevenção da Aids, na sua recente viagem à África, onde há países com 20% da população infectada.

A proposta é dos partidos "Iniciativa per Catalunya" e "Izquierda Unida", que ganharam o apoio de ONGs como "Médicos Sem Fronteiras". A Organização Mundial de Saúde e o parlamento da Bélgica já fizeram censuras públicas ao pontífice. A proposição ainda está nas comissões, como mostra o El País.

Obviamente, a cúpula da igreja espanhola e vários outros congressistas católicos vociferaram contra a proposta. Afinal, a Espanha profunda é católica, tanto quanto uma boa porção dos espanhóis é anarquista e anticlerical. O circo está armado! Vamos aguardar os próximos capítulos.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Kirchner ressuscita Evita nas eleições

A dama da foto ao lado (do blog La cena está servida) é Evita, mas apenas nos palcos dos musicais da Avenida Corrientes, em Buenos Aires. Só que Kirchner, o Néstor, esperto que só ele e em tempos de eleições bicudas, resolveu ressuscitar o grande mito argentino. Uma de suas principais candidatas às eleições legilativas de junho (quase um plebiscito sobre o governo K de sua esposa, Cristina) é Nacha Guevara, a vedete que vive Evita. É mais ou menos como eleger o Frank Aguiar aqui no Brasil... só que os argentinos, finos que só eles, precisam de mais confete...

terça-feira, 28 de abril de 2009

pérola suína: José Serra fala sobre a gripe

Questionado pelos repórteres, na segunda-feira, em Ribeirão Preto, o governador José Serra fez comentários sobre a crise da gripe suína. Veja só como ele está informado:

"Sobre a gripe suína, procurei me informar bem, pois vocês sabem que eu fui ministro da Saúde, mas não sou médico. Ela é transmitida dos porquinhos para as pessoas só quando eles espirram, quando a pessoa chega perto do nariz do porco. Portanto, a providência elementar é não ficar perto de porquinho algum, mesmo não tendo gripe suína no Brasil, pelo que se constata até agora"

Conclusão: torcedor do time, Serra terá agora de dar explicações ao Palmeiras.

susan boyle e a gripe suína

chegou pelo Twitter
>>
diego_pale e depois as pessoas reclamam da ficção. vamos lá: o mundo imerso numa crise fudida; uma mulher feia com voz de anjo conquista a raça humana;

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Israel não quer chamar a gripe de suína

O ministro da Saúde de Israel, o ultra-ortodoxo Yakov Litzman, pediu que a gripe suína, que já matou mais de cem pessoas e está espalhando terror, seja chamada de "gripe do México". É porque o porco não é kosher... logo, judeu que é judeu não pode comer, tampouco pegar, qualquer coisa que venha dos pobres suínos...

na Argentina, até "a soja é peronista"

"
Para Eduardo Buzzi una cuestión está clara: Juan Domingo Perón fue el primer dirigente argentino en observar las virtudes económicas de la soja. "La soja es peronista. Yo se lo dije a Cristina (Fernández)", afirmó el presidente de Federación Agraria (FAA), quien habló de todo, de cara a las elecciones legislativas del 28 de junio próximo", diz o Perfil.

Eduardo Buzzi, presidente da Federación Agrária Argentina, é o aquiinimigo da presidentA peronista Cristina Kirchner. Ele lidera o "campo", que há um ano faz greves e enfrenta o governo dos Kirchner.

Conclusão: na Argentina, até as pedras são peronistas.

gripe suína: aprenda como espirrar no México

O jornal La Reforma, do México, fez um gráfico ensinando como espirrar. O assunto é serio, mas legendas são hilárias. Seria cômico se não fosse trágico... Dezenas de pessoas já morreram e o mundo está em estado de alerta, com medo da gripe suína.

Anticoncepcional falhou, diz mãe de suposto filho de Lugo

para a Folha de S. Paulo, 15.mar.09

Um ano após sua posse, um filho assumido e dois por reconhecer, o ex-bispo Fernando Lugo, 58, presidente do Paraguai, enfrenta a pior crise de seu governo. A história envolve sexo, religião e, claro, política. Mãe de um dos supostos filhos do presidente, Damiana Morán, 39, falou com exclusividade à Folha por telefone.

Lugo, diz, "sabia" que ela usaria um DIU (dispositivo intrauterino) durante o relacionamento -o uso de anticoncepcional viola a doutrina católica. "Por isso estávamos tranquilos", afirma. Mas o método falhou e nasceu Juan Pablo, 16 meses, batizado em homenagem ao papa anterior.

Damiana enfatiza que não contou para o então candidato que engravidara dele, em 2007, para não atrapalhar sua campanha. Diz que o filho é "fruto de amor incondicional". "E a vida segue nesse tom. Eu gosto muito dele [Lugo] e o valorizo."

Militante política e líder de uma pastoral católica em San Lorenzo, no centro do país, ela não processou o presidente como fez Viviana Carrillo, 26, cujo filho de dois anos foi reconhecido pelo mandatário. Outra a demandar a paternidade é Benigna Leguizamón, 27.
Desde que revelou o caso, sua vida mudou radicalmente: "Agora tenho resguardo policial e não posso me deslocar com tranquilidade."Damiana diz que falou com Lugo há uma semana e o vê "muito atingido". "Arma-se um cenário que a cada dia lhe é mais difícil administrar", diz.

Um senador do Partido Liberal Radical Autêntico (partido da coalizão governista) pediu a renúncia de Lugo. A presidente do Partido Colorado (cuja hegemonia de 61 anos foi rompida por Lugo), senadora Lilian Samaniego, pediu que a Promotoria investigue o presidente por estupro (Vivana Carrillo diz que começou a se relacionar com Lugo aos 17).

"Nossa sociedade é muito machista. Por isso, a oposição acertou [na meta de usar politicamente o caso]", diz Damiana.Ela ainda aponta um complô "multinacional" para desestabilizar o governo. Mas, apesar do contencioso entre o governo Lugo e o Brasil sobre a usina binacional de Itaipu, não cita países na sua tese conspiratória.

"Eu recebi, há dois meses, a informação de pessoas ligadas à Suprema Corte [paraguaia] de que haveria um documento com meu nome, dizendo que eu estaria demandando uma ação contra o presidente. Fiquei muito surpresa, porque não autorizei ninguém a entrar com o processo", conta.
Ela alega que uma investigação informal, feita por "pessoas capacitadas e de confiança", teria apontado a participação de "estrangeiros" no complô, destinado a divulgar a história dos supostos filhos de Lugo.

"Vida a dois"
A despeito da crise, Damiana crê que Lugo está feliz com a ideia de ter um filho dela. À imprensa, "Lugo prometeu ser bom pai. Isso me emocionou bastante, porque eu já havia colocado que não estou pedindo um sobrenome, tampouco recursos", diz. Ela rechaça especulações de que criaria uma comissão de ex-mulheres do ex-bispo. "Me entenderam mal."

Damiana diz que Lugo sempre soube que ela usava DIU e nunca se incomodou. Eles se relacionaram, afirma, quando o então bispo já anunciara a disposição de renunciar ao episcopado. Mas a Igreja Católica ainda não o havia liberado das funções clericais -o que só aconteceu às vésperas de assumir a Presidência, em agosto último.

Diferentemente da primeira mulher, Viviana, que sumiu após o início do escândalo, e da segunda, Benigna, que já falou desaforos ao presidente num programa sensacionalista, Damiana fala quase diplomaticamente, empenhada em resguardar a figura de Lugo.

Indagada se gostaria de ser primeira-dama, ela hesita e responde: "Ai [risos], não quero por essa questão". "O que posso dizer é que quando começamos nossa relação havia uma intenção de viver uma vida a dois."

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A rainha ficou sem a sua cadeira...

copiado do El País
"
Isabel (Elisabeth) II de Inglaterra se quedó sin poder ocupar el palco real del hipódromo porque había sido alquilado a otras personas por los organizadores de la carrera de caballos de Newbury. Como consecuencia, Isabel II se vio materialmente "expulsada de su propio palco y tuvo que sufrir la ignominia de pasar el día en el de los invitados", según cuenta el Daily Telegraph. El palco real lo había alquilado John Finch, un agente de seguros que celebraba su 60 cumpleaños con su esposa, Sheila, y que había pagado más de 11.000 euros para ver correr a su caballo. "Lo alquilé en julio del año pasado, así que no iba a perderme la ocasión", explicó Finch, cuya esposa dijo de la reina: "No le presté demasiada atención porque estar allí nos había costado mucho dinero". (AFP)"

O grande vazio da Bienal

Escrevi, para a Folha Ilustrada de hoje, e para a CartaCapital, há duas semanas, sobre as idas e vindas da Fundação Bienal, uma das mais importantes instituições culturais do país. Não fosse pela força propulsora da instituição, os artistas e as artes brasileiras não teriam ganhado a proeminência que têm hoje. Acontece que a Bienal tornou-se vítima de sua própria meodiocridade. Com poucas exceções, falta gestão qualificada no conjunto das instituições culturais do país. É como se a política cultural ainda estivesse nos tempos do malufismo...


Análise - Gestão é o problema
O modelo de gestão da Fundação Bienal é ultrapassado e inadequado à realidade brasileira. Inspirado no conselho de mecenas do MoMA, de Nova York, cujos membros fazem aportes milionários à instituição, o similar brasileiro transformou-se num clube de notáveis, que não contribuem financeiramente e decidem com pouca transparência. Ainda que o poder público (Prefeitura de São Paulo) seja o principal credor da instituição, com repasses orçamentários de cerca de R$ 2 milhões anuais, há pouca ou nenhuma interferência pública. Outra parte do custeio vem de fundos de renúncia fiscal. Mesmo assim, a Bienal não possui uma estrutura permanente que administre seu financiamento, a exemplo da Pinacoteca do Estado. Prova disso é o pedido para captação via lei Rouanet protocolado às pressas, para a representação brasileira na Itália, e a decisão de adiar a próxima edição da Bienal para 2011, ano da Bienal de Veneza _como boa parte do evento é patrocinado pelos países representados na mostra, já se antevê outro aperto financeiro, uma vez que São Paulo irá competir com Veneza pelas verbas governamentais.

Participação brasileira na Bienal de Veneza está em risco

para a Folha de S. Paulo, 15.mar.09

O vazio que marcou a última edição da Bienal de São Paulo pode chegar ao pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza, o evento mais importante das artes plásticas no mundo. Até o momento, a Fundação Bienal não garante a produção da mostra, orçada em R$ 350 mil. Afundada em dívidas que ultrapassam R$ 4 milhões e em meio a uma crise política, a instituição pode esvaziar a representação artística e do Estado brasileiro em Veneza, já que o pavilhão é considerado território diplomático do país.

Para levantar fundos, a Bienal entrou às pressas com pedido no Ministério da Cultura para captação de recursos via lei Rouanet, mas não deve haver tempo hábil para os trâmites.

"Não aparecer em Veneza é lamentável, uma perda incrível para o circuito brasileiro", diz Ivo Mesquita, curador da representação brasileira e responsável pela última edição da Bienal de São Paulo. "Os reis escandinavos, por exemplo, vão representar seus países. É um dano na imagem do Brasil."

Os artistas selecionados para o pavilhão brasileiro são o fotógrafo paraense Luiz Braga e o pintor alagoano Delson Uchôa (foto). Ambos seguem produzindo normalmente, apesar da incerteza sobre a mostra.

Segundo apurou a Folha, a Fundação Bienal protocolou em 17 de março um projeto de captação de fundos via lei Rouanet para custeio da representação brasileira em Veneza. O pedido está sob analise técnica e, na melhor das hipóteses, poderá ser votado apenas em maio, quando acontece a próxima reunião do Conselho Nacional de Incentivo à Cultura.

Somente a partir daí, a fundação estaria apta a buscar um patrocinador e fazer a captação. As obras, no entanto, deveriam ser despachadas no dia 5 de maio, para a produção da mostra, que será inaugurada no dia 7 de junho.

Sem decisão
O presidente da Fundação Bienal, Manoel Pires da Costa, que deve deixar o cargo em breve, reconhece que "por enquanto não há nenhuma decisão" sobre o pavilhão do Brasil em Veneza. "Não posso tomar a decisão do próximo presidente", esquiva-se. A Bienal procura há cinco meses um novo nome para substituir Pires da Costa, que está à frente da fundação há três mandatos.

O mais cotado para assumir é Andrea Matarazzo, secretário paulistano das Subprefeituras. Segundo o presidente do conselho da fundação, o arquiteto Miguel Alves Pereira "o Manoel [Pires da Costa] já não decide mais nada". Ele crê que haverá representação, mas não dá garantias nem sabe de onde poderia vir o dinheiro.

O Itamaraty, responsável pela manutenção do pavilhão do Brasil em Veneza, disse por meio de sua assessoria que trabalha com a possibilidade da representação brasileira.

Em nota, o Ministério da Cultura diz que desde outubro "vem buscando o entendimento com as instituições brasileiras e italianas para resolver esta situação extremamente delicada que se abriu com a crise administrativa da Fundação Bienal de São Paulo e o vazio institucional então decorrente". Segundo o comunicado, o ministério "não pode resolver de forma unilateral a questão, nem substituir administrativamente a instituição responsável".

quinta-feira, 23 de abril de 2009

dilema n.º 1 de Jacob Zuma: quem é a primeira-dama da África do Sul?

O primeiro dilema de Jacob Zuma, 67, presidente eleito da África do Sul, envolve uma discussão diplomática e tanto: qual de suas seis (ou mais) esposas será a primeira-dama do país africano?

Numa entrevista que deu à TV, Zuma disse: "Muitos políticos escondem suas senhoras e suas crianças para fazer de conta que são monogamos. Eu amo minhas esposas e sou orgulhoso de minhas crianças".

Mas não parece que todo o amor do mundo seja capaz de convencer os cerimoniais a convidar mais de uma primeira-dama para cúpulas e afins. Quem Sarah Brown iria chamar para a recepção que deu às senhoras consortes durante o encontro do G20 em Londres, no caso da África do Sul?

Resta a questão: com quem será (bis), com quem será que o Zuma vai... aparecer?

No páreo estão Sizakele Khumalo, sua primeira esposa, que ele conhece há mais de 50 anos. Ou então a mais jovem e bonita delas, Nompumelelo Ntuli, 34 (ambas estão na foto, reconhecíveis). A última tem grandes chances - foi ela quem acompanhou Zulu durante a votação. Mas assim que saiu da sala e todos os flashes se puseram sobre ela, Ntuli se mostrou lacônica (lacônica??) ao responder os repórteres. A única coisa que dizia após as questões era: "Jesus é o Senhor!".

com quem será? (bis)_

quarta-feira, 22 de abril de 2009

as frases são claras. mas será que entendi?

A Folha revela que os deputados estudam aumentar os próprios salários no lugar de manter a verba indenizatória, um dinheirinho aí que serve para pagar, entre outras coisas, passagens aéreas. Veja a reação dos congressistas:

"É péssimo. Não gostaria de ser patrulhado. Não quero ser obrigado a colocar minhas coisas na internet."
Jovair Arantes (GO), líder do PTB, sobre a proposta de divulgar os gastos dos deputados. Não quer patrulhamento?? Ah... não diga!

"A verba produz um equilíbrio entre os deputados pobres e os ricos"
Marco Maia (PT-RS), vice-presidente da Câmara. E desde quando deputado precisa de equilíbrio salarial? Deputado pobre tem necessariamente de ficar rico?

"É preciso saber que tipo de Parlamento a sociedade brasileira quer: um deputado bem remunerado, para ser incorruptível, ou um que ganhe pouco e vá para o Congresso defender o interesse de grandes grupos"
Mário Negromonte (BA), líder do PP. O deputado parece que já fez a sua opção.

a cada dia, um novo filho para Lugo

Durante a campanha presidencial paraguaia, dizia-se que o candidato e ex-bispo Fernando Lugo teria 17 filhos... "Intriga da oposição", era a desculpa oficial. Mas se o ritmo se mantiver, Lugo chega lá: na semana passada, o presidente do Paraguai assumiu a paternidade de um filho de dois anos. Na segunda-feira, uma segunda mulher disse ter mais um filho do líder político, que fará um exame de DNA. Agora, uma terceira mulher, 39 anos, divorciada, disse ter mais um filho seu.

Diferente das anteriores, Damiana Hortensia Morán Amarilla, coordenadora de uma pastoral da Igreja, não processará o presidente. Ela diz ter se apaixonado por ele e que seu amor é unilateral, segundo o jornal ABC Color...

Assim que assumiu o governo, Lugo abriu mão de metade de seu salário (um sinal dos tempos de mudança no Paraguai). O presidente já teve de pedir a restituição da tal metade... para a pensão-paternidade...

Vamos aguardar os novos capítulos da novela paraguaia.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Mandela faz seu último discurso à multidão

O líder sulafricano Nelson Mandela levou a multidão à histeria, ontem, num estádio em Joanesburgo. O heroi da luta contra o Apartheid chegou a ofuscar Jacob Zuma, candidato e próximo presidente da África do Sul (as eleições são favas contadas), para quem o circo foi armado. Aos 90 anos, muito fragilizado, Mandela fez muito provavelmente sua última aparição pública perante às massas.

Mandela não discursou propriamente, mas teve uma mensagem sua gravada e exibida às várias milhares de pessoas que se acotovelavam no estádio, no evento da ANC (Congresso Nacional Africano, na sigla em inglês), partido fundado por ele.

"À medida que nos empenhamos em assegurar uma vitória decisiva nesta eleição, temos de lembrar do nosso primeiro objetivo (...) que é erradicar a pobreza e assegurar uma vida melhor para todos. A ANC tem uma responsabilidade histórica de liderar nossa nação e ajudar a construir uma sociedade não racial", disse, sem sequer mencionar o nome de Zuma. Mandela foi aplaudido e tratado como heroi.

Estas eleições são históricas na África do Sul. Jacob Zuma é um político populista, muito diferente do estilo intelectual e politicamente correto que vinha marcando os líderes do país desde o inicío do regime democrático pós-Apartheid. (Veja perfil de Zuma). Zuma deve quebrar uma cultura política construída por Mandela, embora tenha legitimidade por sua origem tribal e forte carisma popular. Ainda não se sabe o que virá de seu governo, certo apenas é que um capítulo está prestes a ser fechado na história da África do Sul. E Nelson Mandela, seu principal protagonista, parece ter o epílogo merecido - reconhecimento e imortalidade.
(colagem de Mandela difundida na web - autor desconhecido)

sábado, 18 de abril de 2009

Cristina Kirchner: 3 looks na abertura da cúpula

A Argentina já não tem o protagonismo diplomático de antigamente. Já se foi o tempo em que Buenos Aires se fazia ouvir, em alto e bom tom, nas reuniões internacionais. Mas os olhos dos presidentes reunidos em Trinidade e Tobago, na Cúpulas das Américas (Lula e Obama incluídos), se voltam, sim, à Cristina Kirchner. A presidentA argentina é de longe a mais elegante... só no primeiro dia da cúpula, a presidentA desfilou com três looks, muito diferentes dos terninhos burocráticos da chilena Michele Bachelet e da secretária de Estado americana, Hilary Clinton.

A presidentA entra na sala principal da cúpula. A camisa com xadrez escocês tem estampa próxima ao do sapato e muito diferente da saia de seda. Haja ousadia!!

Cristina faz a revista da tropa, com um modelito clássico e discreto

A presidentA viajou vestindo uma bata da Burberry.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Nas eleições da Índia, partido político quer banir inglês e computadores

A Índia, a maior democracria do mundo, começou ontem seu processo eleitoral, com um mês de duração e 700 milhões de eleitores. Num país com centenas de línguas e milhares de deuses, o consenso é demorado e ideias absurdas volta e meia se colocam no meio do caminho. Exemplo disso é o manifesto do partido Samajwadi , que pretende abolir o inglês como língua oficial e o uso de computadores no país. "As mãos serão usadas nos lugares do computador", argumentam (argumentam???).

O partido é um dos dois principais da província de Uttar Pradesh, a mais populosa da Índia. Dado seu tamanho nada insignificante, ele deve fazer parte da colcha de retalhos, vulgo coalizão, que deve governar a Índia. O assunto aparece no artigo do jornalista hindu Sriram Karri, colunista do The Guardian.

Mas a grande novidade na eleição é a possibilidade de But Mayawati chegar ao governo do país. Ela é uma "intocável", a mais baixa casta na divisão social indiana, ou seja, aqueles cuja função deveria se resumir a limpar os dejetos das classes superiores.

Ich... se ela se der bem a Glória Perez vai ficar sem argumento para o Bahuan (Márcio Garcia), o intocável de "Caminho das Índias"... Será?

a nova diplomacia de Obama para os latinos

Começa hoje na ilha de Trinidade e Tobago a Cúpula das Américas. É a estreia da "nova diplomacia" norte-americana para a América Latina (a pré-estreia se dá no México, onde Obama fez uma parada antes de ir para o Caribe). Parece que os ventos vindos do norte são promissores, sobretudo para a questão cubana. Quem ganha também é o Brasil, que teve reconhecido seu papel como líder sulamericano, com as declarações de Obama endossando a política externa do país. Ficam aqui as caricaturas da revista The Economist sobre a cúpula.

(Ilustração de David Simonds)

(Ilustração de Peter Schrank)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

a língua solta de Sarkozy

Nicolas Sarkozy não é lá o presidente dos sonhos dos franceses... acostumada a senhores discretos e letrados, como François Mitterrand, Georges Pompidou e Jacques Chirac, eis que o país se depara com presidente yuppie, casado com uma cantora pop, e de língua muito solta. A última de Sarkô foi o vazamento de uma conversa em off, no diário Liberation, com comentários sobre alguns líderes. Do premiê espanhol José Luis Zapatero, ele disse: "pode ser que não seja muito inteligente", referindo-se ao corte de publicidade estatal feito na França e agora copiado na Espanha.

Mas a incontinência verbal não para por aí: "Na minha carreira política, eu ganhei de pessoas que se diziam mais inteligentes e preparadas que eu". Também disse que "conhece alguns muito inteligentes, mas que não chegavam ao segundo turno [das eleições] presidenciais", numa alusão ao socialista Lionel Jospin, que teve menos votos que o folclórico xenófobo Jean Marie Le Pen, há alguns anos.

Sobre Obama, disse que "não tem posição" em vários assuntos e que "nunca teve um ministério em sua vida", apesar de ser "muito inteligente e carismático". Quanto à alemã Angela Merkel, disparou: "Quando ela se deu conta do estado de seus bancos e de sua indústria automobilística, não teve outra opção que não somar-se à minha posição", disse, cheio de orgulho.

Elogios só, quem diria..., a Silvio Berlusconi: "O importante na democracia é ser reeleito. Veja o Berlusconi, foi reeleito três vezes...". Será que o Sarkô gosta do Hugo Chávez também?

quarta-feira, 15 de abril de 2009

os casamentos cossanguíneos mataram a dinastia dos Asturias, na Espanha

O homem raquítico ao lado, pintado por Velazquez, é o rei Carlos 2, da Espanha. Ele morreu aos 39 anos, em 1700, sem herdeiros, acabando com a poderosa dinastia dos Asturias no país. Carlos 2 era doente, como boa parte de seus familiares. Era epilético e estéril. A razão de tanta desgraça, segundo um estudo publicado na Espanha, está nos genes. A sucessão de casamentos intrafamiliares (para manter a linhagem dinástica) fez com que o coeficiente de consanguinidade do rei fosse altísimo, similar ao de uma pessoa nascida de uma relação entre pai e filha ou irmão e irmã, segundo reportagem do El País.

Os pesquisadores da Universidad de Santiago de Compostela estudaram 16 gerações da família real e comprovoram que a alta taxa de mortalidade entre os Asturias (que já causava espanto na ocasião) é resultado dos casamentos consanguineos também. Segundo os relatos da época, Carlos 2 era tão debilitado que aos 30 anos já parecia um velho.

terça-feira, 14 de abril de 2009

a última gafe do Berlusconi

"Eu não me importaria em ser ressuscitado por você". Foi assim, com cantada de tiozão de meia-idade (embora ele já esteja na sua terceira), que o premiê italiano Silvio Berlusconi elogiou uma paramédica, que trabalha na zona afetada pelo terremoto (mais precisamente no lugar que se parece com um "acampamento de férias", numa definição polêmica do próprio premiê). A incontinência verbal de Berlusconi já é folclórica. Saindo pela tangente, Fabiola Carrieri (foto), ruiva, olhos azuis, médica de Milão, qualificou de "galante" a fala do político, embora tenha dito a ele esperava nunca ressuscitá-lo. Há controvérsias sobre o real significado de sua resposta.

Vaticano veta embaixadora Caroline Kennedy

Caroline Kennedy não está mesmo com sorte. Depois de ver ir por água abaixo uma possível vaga no Senado americano, no lugar de Hillary Clinton (representante de Nova York), a filha do ex-presidente John Kennedy teve mais uma vez seu nome negado, desta vez pelo Vaticano.

Caroline, de família católica, foi um dos nomes indicados por Obama para servir na embaixada americana no Vaticano. Mas sua posição favorável ao aborto fez a Santa Sé barrar a candidatura. Ano passado, a Argentina também teve seu embaixador recusado por uma razão ainda mais trivial: ele era divorciado. Veja: Cristina K. se estranha com o Vaticano

Kirchner volta ao palco político na Argentina

Kirchner, o Néstor, ex-presidente e atual consorte argentino, volta à cena política do país. Ele vai encabeçar a lista de candidatos a deputado pela província de Buenos Aires, a maior e mais importante do país. Néstor pode ter saído de cena, mas desde que passou o poder em 2007 à sua esposa, Cristina, a presidentA, ele nunca ficou longe dos bastidores.

A jogada de Kirchner, o Néstor, pode lhe render um cheque mate, assim como lhe valer a cabeça. Afundada na crise (política, econômica e até dengosa), Cristina (sim, a crise é argentina, mas sobretudo é de Cristina) resolveu antecipar as eleições de outubro para junho, numa estratégia que cheira a politicagem de quinta. Decidiu porque os níveis de popularidade do casal Kirchner diminuem ao longo do tempo, apesar da alta carga de populismo...

Se Kirchner, natural de Santa Cruz, na Patagônia, conseguir boa votação (logo, eleger a tiracolo muitos deputados peronistas em Buenos Aires), dará sobrevida ao atribulado governo de sua esposa. Mas se tiver votação pífia (há o risco, embora pequeno), pode aprofundar ainda mais a crise de governabilidade de Cristina. Tanto que o ex-presidente Carlos Menem, senador vitalício, já advertiu que Cristina pode ter de renunciar se Kirchner, o Néstor, derrapar em Buenos Aires... O tiro pode sair pela culatra.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Lugo, do Paraguai, é o pai da criança

E não é que o então bispo Fernando Lugo pulava a cerca da Santa Madre Igreja??? O atual presidente do Paraguai reconheceu a paternidade de uma criança de dois anos, depois da mãe entrar na Justiça.

Até há pouco o presidente mais popular do continente, Lugo tem visto seu índice de popularidade ir ladeira abaixo... Quando estive no Paraguai, cobrindo as eleições, pude perceber que muitos votaram no atual presidente por conta de seu histórico religioso. Se Evo Morales apela para a questão índigena, Lugo apela mesmo é para Deus... além da mãe da criança, que corre o risco de virar mula-sem-cabeça, o presidente paraguaio pode ele mesmo ver cabeças rolarem em seu gabinete por causa do escândalo... (apesar de parecer só um pecadilho, no Paraguai eles não estão acostumados com Itamar Franco e Lilian Ramos na Sapucaí).

Jacob Zuma, um populista na África do Sul

Um guerreiro zulu vestido com pele de leopardo... O homem ao lado, Jacob Zuma, não é dançarino de grupo folclórico tampouco animador de auditório, senão o próximo presidente da África do Sul. As eleições ainda estão por acontecer, mas Zuma já ganhou a liderança do Congresso Nacional Africano, partido que invariavelmente fez todos os presidentes pós-Apartheid, o que não deve ser diferente desta vez.

Após décadas mergulhada num regime racista, a África do Sul fimou-se nos anos 90 como a principal democracia do continente. Suas lideranças políticas têm se esforçado em promover políticas modernas, como a implantação do casamento gay. O pai do atual regime, Nelson Mandela, é reconhecido mundialmente pela defesa dos direitos humanos e por aí vai...

Mas Zuma, como bem mostra um perfil do El País, é uma personalidade que no mínimo destoa da tradição dos últimos líderes, como o atual presidente Thabo Mbeki, um reconhecido intelectual. Ele é casado com quatro mulheres e tem dezoito filhos, sem contar suas estripulias públicas e o jeito populista que dá inveja aos mais arraigados caudilhos lationoamericanos. Teme-se que possa ser um Robert Mugabe da África do Sul, o que é improvável, já que o país está distante de ser um Zimbábue.

A ascenção de Zuma se explica por um racha no partido... ele seria uma espécie de Severino Cavalcanti, que se torna opção pela falta (ou abundância) de opções. A exemplo do político pernambucano, Zuma pode se tornar um anti-presidente... mas aí é assunto para outro post.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

regime: Evo Morales entra em greve de fome

A exemplo do ex-governador do Rio, Antony Garotinho, o boliviano Evo Morales resolveu entrar em greve de fome. O rechonchudo presidente do país andino faz pressão para que o Congresso apóie uma lei eleitorial, que regulamente eleições gerais para dezembro. O escrutínio está previsto na nova constituição, que dividiu o país e quase levou os bolivianos à guerra civil no ano passado. Segundo a oposição, o adiantamento do calendário eleitoral daria mais poder (e tempo no poder) para Evo, caso esse ganhe as eleições, o que é provável.

Em 2006, então pré-candidato à presidência, Garotinho também iniciou uma greve de fome. O político teve de capitular pouco tempo depois, já que sua campanha caiu no ridículo.

Quantos quilos o Evo irá perder, hein?

quarta-feira, 8 de abril de 2009

ex-bispo, Lugo teria um filho no Paraguai

Uma mulher entrou na justiça do Paraguai pedindo o reconhecimento de paterninadade de seu filho de dois anos. Até aí, tudo bem... se o pai não fosse o presidente Fernando Lugo. O pequeno de dois anos teria sido concebido, sem intervenção do Espírito Santo, quando Lugo ainda era bispo de San Pedro, no norte do país.

O presidente nega... Neste ano, a mídia já publicara notícias sobre supostas estripulias sexuais do presidente, daquela feita com uma vedete argentina. Durante sua campanha, 17 filhos foram atribuídos a Lugo. Segundo ele, tudo não passa de intriga da oposição... O atual presidente assumiu o poder após 61 anos de hegemonia autoritária do Partido Colorado no país vizinho.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Keiko Fujimori, a filha, já é candidata no Peru

O ex-presidente Alberto Fujimori, 70, acaba de ser condenado a 25 anos de prisão por violações aos direitos humanos no Peru. Trata-se do primeiro lider democraticamente eleito na América Latina a ser condenado, no seu caso por ser o mandante de dois massacres que deixaram 25 mortos, além de outros crimes "menores", como o sequestro de um jornalista.

Acabou a era Fujimori??? Bem... A que está na foto abaixo, junto do pai, é Keiko Fujimori, a deputada mais votada no Peru e candidata às eleições presidenciais em 2011 (já com 19% das intenções de voto).


Em entrevista ao El País, Keiko disse que "não há provas" contra os crimes atribuidos ao seu pai. A deputada também já disse que seu primeiro ato como presidenta seria indultar Fujimori pai. Nos últimos dias, tem tido que ela e seu partido, Alianza para el Futuro, não iriam acatar uma possível condenação do ex-presidente. Tanto que o editorial de hoje do El Comércio, o principal jornal peruano, adverte a deputada com o título: "Em que justiça e democracia acredita Keiko?".

é fashion ser judeu em Bahrein

Em pleno Golfo Pérsico, na costa da Árabia Saudida, de frente para o Irã, a pequena ilha de Bahrein é uma espécie de paraíso para os judeus. Hostilizada em toda a região, em razão dos conflitos em Israel, a comunidade judaica ganhou a simpatia do rei do Bahrein, Hamad bin Isa al-Khalifa, e postos importantes na burocracia do país. Numa atitude inédita, o monarca indicou uma mulher judia, Houda Ezra, para a embaixada do país nos Estados Unidos.

Mesmo com tanta simpatia, apenas 36 judeus vivem na ilha de 700 mil habitantes, segundo reportagem do The New York Times. Mas o rei não se faz de rogado. Ano passado, ele fez uma viagem a Londres para convencer judeus desterrados dos países árabes a irem viver no Bahrein. Sua majestade, que detém poder absoluto, também indicou empresários judeus à câmara alta do país.

Tamanha simpatia é vista com certo ceticismo por muita gente, judeus e árabes incluído. A atitude do rei é considerada uma estratégia de aproximação com Washington - a localização da ilha explica os interesses americanos. Política à parte, é fashion ser judeu em Bahrein.
(mapa do The New York Times)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

morto, Alfonsín começa a remendar a Argentina

A Argentina é um país que não consegue construir sínteses. A história e a cultura do país vizinho é marcada pelo conflito e pela antítese (uma diferença elementar em relação ao Brasil). Vide a luta fratricida entre os empresários do campo e o governo de Cristina Kirchner, que se arrasta há mais de um ano. A prática política também é fortemente marcada por protestos populares. Tampouco a oposição consegue se entender e se articular.

Tudo é difuso e explosivo do outro lado da fronteira. Até o ex-presidente Raúl Alfonsín, morto aos 83 na semana passada, conseguir o que parecia improvável - reunir a classe política argentina em torno de seu esquife e aglutinar setores da oposição. Diferente do Brasil, onde conseguimos anteaver que o(a) próximo(a) ocupante do Palácio do Planalto virá do PT ou do PSDB e pouco irá mudar (porque as coisas se institucionalizaram), na Argentina não há nomes de peso que se contraponham ao governo, sempre com perigo do populismo à espreita. Um grande pampa sem cachorro.

Estaria, então, Alfonsín remendando a Argentina?

Em miúdos, antes de seguir: a Argentina possui tradicionalmente dois grandes partidos, (1) a centenária UCR (União Cívica Radical), de Raúl Alfonsín, um partido ligado a setores intelectuais e liberais de classe média, e (2) o PJ (Partido Justicialista), ou Peronista, fundado pelo ex-líder Domingo Perón, que instaurou um regime baseado no sindicalismo e no populismo, quase uma religião na Argentina, que se define como sendo "nem de direita, nem de esquerda", embora congregue de marxistas à Opus Dei.

Desde o anti-governo de Fernando de la Rua (UCR), que desaguou na "crise de 2001", quando o país praticamente faliu, a Argentina se vê sob o regime cada vez mais centralizador dos Kirchner (Néstor e agora Cristina), um casal provinciano da Patagônia que chegou à Casa Rosada simplesmente porque ninguém queria descascar o grande abacaxi deixado pela crise.

A "crise de 2001" não implodiu apenas com a ordem social do país, mas também despedaçou instituições e desagregou a oposição. O nome mais estridente, desde sempre, tem sido o de Elisa Carrió (foto), ex-UCR e líder de um novo partido, o ARI (Alternativa Republicana Igualitária), de esquerda. E a grande estrela emergente é o vice-presidente Júlio Cobos (foto acima), ex-UCR que foi para a seara kirchnerista, até romper com a presidentA Cristina ao se posicionar ao lado do "campo", votando contra o governo em relação a lei fiscal que desatou o conflito agrícola. Há ainda o prefeito conservador de Buenos Aires, Mauricio Macri, ex-cartola do Boca Junior e fundador do partido CPC (Compromiso para el Cambio).

Alfonsín, que reuniu um país despedaçado pela ditadura ao reconduzir a Argentina à democracia, em 1983, era um homem conhecido como conciliador, tipo raro na política estridente do país vizinho. Agora, com sua morte, a oposição argentina parece finalmente começar a tomar forma, com uma possível aliança de Elisa Carrió e Julio Cobos, com adesão de outros setores "radicais" dissidentes. É o que já se chama de "pan-radicalismo".

A dupla não deve atuar nas eleições legislativas desde ano (antecipadas para junho, por conveniência dos Kirchner, que com canetadas também diminuem os índices de inflação, medidas pelo Indec - o órgão oficial de estatística). Mas pode se apresentar para a corrida à Casa Rosada em 2011, acabando com hegemonia dos "pinguins", como são conhecidos os Kirchner na Argentina.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Obama dá IPod de presente à Rainha Elizabeth

notícia que chegou no meu Twitter

r_miranda obama deu um ipod de presente pra rainha elizabeth. gênio.

r_miranda mas agora me fala: oq a rainha ouviria nesse ipod?! e qnd ela escutaria?! durante o trajeto de ônibus até o palácio?!

r_miranda "o foda é que qnd a rainha para de escutar o ipod, todo mundo tem de parar tb", diz o colhéga gênio.

r_miranda em troca, a rainha deu de presente pro obama uma foto dela e do príncipe philip. quepobrezameudeusdocéu!

r_miranda "a rainha deve usar o ipod pra ouvir a última do beethoven", arremata o colhéga genial.

>>>
A Rainha é fã mesmo do IPod. Em dezembro passado ela condecorou o designer do IPod, o inglês Jonathan Ive, com o título de Comandante da "Most Excellent Order", a terceira mais importante das cinco classes de cavalaria britânica. Segundo a imprensa britânica, a Rainha Elizabeth leva na bolsa um iPod mini prateado de 6G. Ela também tem um funcionário para ajudá-la no download de músicas e organização de arquivos.

o retrato dos líderes do G20*

Assim estavam os líderes europeus, quando saíram de uma reunião da União Europeia, no último dia 22 de fevereiro, em Berlim.

Na foto de Wolfgang Kumm, da AP, no grupo do centro - à esquerda, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel - o presidente da França, Nicolas Sarkozy - ao fundo, a ministra francesa da economia, Christine Lagarde - e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, à direita.

*os líderes estão reunidos em Londres, para tentar salvar o mundo! (porque até agora, tem sido um salve-se quem puder)

terça-feira, 31 de março de 2009

Morre Raúl Alfonsín, na Argentina

O ex-presidente da Argentina, Raúl Alfonsín, 82 anos, acaba de falecer no seu apartamento na Recoleta, em Buenos Aires. O homem que liderou a abertura democrática no país vizinho após uma feroz ditadura morreu de câncer, no dia em que aqui no Brasil temos os 45 anos do golpe militar.

Alfonsín era ultimamente a maior referência ética da política da Argentina, em tempos que o país carece de lideranças e padece, uma vez uma vez, do populismo.

Assim que assumiu o governo, em 1983, após a derrocada dos militares com a malograda Guerra das Malvinas, Alfonsín deixou o caminho aberto para o julgamento dos militares. Criou uma comissão, a Conadep, que documentou as violações aos direitos humanos, ocorridas durante a Guerra Suja na Argentina, quando desapareceram cerca de 30 mil pessoas, dando origem ao livro Nunca Más.

Alfonsín foi uma espécie de "Sarney" da Argentina, com a diferença de que por lá ele morreu reconhecido pelo comportamento ético e de estadista. O ex-presidente governo sob sérias turbulências políticas e até tentativas de golpes por regimentos militares isolados.

Junto com Sarney, deu o passo inicial para a criação do Mercosul, e da integração sulamericana. Seu governo foi também marcado pela instabilidade econômica e o lançamento de planos e de uma moeda, o Austral. Nos seus anos finais na Casa Rosada, teve de sair antes do tempo, a fim de evitar uma grave crise política no país. Foi sucedido por Carlos Meném, com quem fez um trato de governabilidade conhecido como Pacto de Olivos.

Opositor dos peronistas, Alfonsín voltou a ser a grande voz da UCR (União Cívica Radical) nos últimos anos, após a decorrada do governo de seu partidário, Fernando de La Rua, em 2001, no ápice da crise argentina.

Veja texto do diário La Nación e também o perfil de Alfonsín na Wikipedia (en español, já que o perfil em português está pobre).

segunda-feira, 30 de março de 2009

Sarah Brown: pega pela gramática em convite do G20

Depois do turbilhão Cherie Blair, tradicional habituè da imprensa britânica por conta de suas gafes e jeito genuíno de ser, a atual primeira-dama do Reino Unido, Sarah Brown (ao lado), é do tipo... bem apagadinha. Mas uma gafe "gramática" fez a esposa de Gordon Brown enfrentar uma bela saia curta nesta semana.

Na carta enviada às "primeiras-damas" dos países do G20 (Dona Marisa incluída), cujos líderes se encontrarão em Londres para discutir como salvar o mundo da crise, Sarah cometeu um erro... básico.

“I know that my husband, Gordon, has written recently regarding the next leader’s [sic] summit to be held in London on 2nd April 2009 ..."

Tsc tsc tsc... Dona Sarah inventou um apóstrofo!!, e ninguém revisou o texto. Nada comparado à verve verbal de nosso presidente Lula, mas o tal erro caiu mal para a primeira-dama.

Apóstrofos à parte, caberá a Dona Sarah ciceronear 16 esposas, levando-as à eventos de caridade e afins em Londres. Downing Street 10 (a sede do governo) não quer que o mulheril seja fotografado em compras em Bond Street, desviando a atenção do encontro, crucial no atual momento econômico, segundo reportagem do The Times. Michelle Obama confirmou presença. Já Carla Bruni declinou do convite, assim como os "primeiros-damos" Néstor Kirchner (marido da presidentA argentina) e Joachim Sauer (companheiro da alemã Angela Merkel).

E falando em Cherie Brown (à esquerda), fica aqui a resenha da Vanity Fair sobre a recém lançada autobiografia da esposa de Tony Blair, "Speaking for Myself". Lá pelas tantas, Cherie descreve uma conversa na Royal Opera House com a aloprada Princesa Margareth, a irmã ovelha negra da Rainha Elizabeth, morta em 2006. Assim que o Ministro da Cultura Chris Smith (que é gay) se aproximou delas, Cherie o apresentou à princesa, acrescentando:

"E este é o seu parceiro", disse Cherie, referindo-se ao tal outro.
"Parceiro de quê?", perguntou a já idosa princesa Margareth.

"De sexo, madame", respondeu a primeira-dama.

That´s is Cherie.

sexta-feira, 27 de março de 2009

hackers atacam site dos Kirchner na Argentina

As coisas são mesmo rápidas na Argentina...

Com níveis pessimos de aprovação, que irão piorar nos próximos meses à medida que a crise (econômica, global, e política, local) se agrava, os Kirchner (Cristina, a presidentA, e Néstor, o Rasputin do governo) mandaram uma lei para o Congresso para adiantar as eleições legislativas de outubro para junho.

Hoje, logo após a aprovação da lei no Senado (que ocorreu ontem), as ruas de Buenos Aires amanheceram com propaganda política do casal.

Hoje mesmo, em represália, um grupo de hackers entrou no site da Frente para la Victoria, a agremiação peronista que levou os Kirchner à Casa Rosada. O resultado logo se vê:

terça-feira, 24 de março de 2009

Debora Serracchiani: uma "obama" da Itália?

Ela tem 38 anos, se parece com a Malu Magalhães (a cantora teen) e com a Soninha (vereadora paulistana e ex Vj da MTV) e é a mais nova sensação na Itália. Num país conhecido pela instabilidade e "antiguidade" política (o presidente Giorgio Napolitano tem 83 anos e o premiê Silvio Berlusconi tem 72), Debora Serracchiani tem se mostrado a nova promessa do Partido Democrata, de centro-esquerda.

Veja "a Itália e sua política mofada ", neste blog

Dias atrás, ela discursou na convenção do partido e reproduziu, a la italiana, o mesmo sucesso de Barack Obama, que se fez famoso num encontro dos Democratas há alguns anos, pavimentando seu caminho à Casa Branca. Seu discurso faz sucesso na internet e Debora já vem sendo chamada de a "obama da Itália".

Phillippe Starck terá um reality show na BBC

O cultuado designer francês Phillippe Starck vai ganhar um reality show na BBC, a partir de abril. O programa chamado "Design for Life" vai reunir doze aprendizes, que durante seis semanas vão tentar convencer Starck de que têm talento suficiente para ganharem um estágio no seu ateliê em Paris. O francês é responsável, entre outros projetos, pelo design do hotel Sanderson em Londres (foto) e pelo Faena, em Buenos Aires. Todos tão balados quanto o seu criador.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Lampreia chama Celso Amorim de cara de pau

Já não são novidades os ataques do ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia ao atual chefe do Itamaraty, Celso Amorim. O ministro de FHC volta e meia lança o sarrafo contra o titular das Relações Exteriores de Lula. Desta vez, Lampreia (ao lado) não foi nada diplomático e chamou Amorim (abaixo) de cara de pau, no título de um post de seu blog, em O Globo.

Lampreia questiona uma declaração de Amorim, segundo a qual a “a globalização da política externa brasileira atuou como um dos colchões para ajudar o país a enfrentar a crise". Lampreia escreveu: "Esta é uma das declarações mais falsas e auto-propiciatórias que tenho visto um homem público fazer", e seguiu argumentando contra seu sucessor.

No ínicio do ano, quando Amorim fez uma viagem controversa ao Oriente Médio, durante o ataque isralense à Faixa de Gaza, Lampreia escreveu: "No seu afã de protagonismo, o ministro Amorim iniciou um périplo no Oriente Médio que beira o ridículo".

Deve haver mais que discordância ideológica entre os dois colegas do Itamaraty. Até o momento, Amorim tem se mantido diplomaticamente calado... vamos ver até quando!

Filho de político tem de ir para escola pública, prevê projeto de lei de Cristovão Buarque

Um projeto do senador Cristovão Buarque (PDT-DF) propõe que todos os políticos eleitos do país (presidente, governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores) mandem seus filhos estudarem na escola pública.

Na justificativa do PLS 480 de 2007, Buarque diz que a opção pelo ensino privado"mostra, em primeiro lugar, a má qualidade da escola pública brasileira, e, em segundo lugar, o descaso dos dirigentes para com o ensino público". O senador vai além e argumenta que "além de deixarem as escolas públicas abandonadas, ao se ampararem nas escolas privadas, as autoridades brasileiras criaram a possibilidade de se beneficiarem de descontos no Imposto de Renda para financiar os custos da educação privada de seus filhos", contabilizando uma deducação de mais de R$ 150 milhões nas suas respectivas declarações de Imposto de Renda.

Resumo da ópera: o projeto nunca vai passar se não houver pressão pública. Alguém já viu deputado e senador votando lei que os afete??? Vide a eterna promessa da Reforma Política... O PLS 480 está na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça do Senado). Para fazer pressão, escreva para o presidente da comissão, senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

domingo, 22 de março de 2009

Chavez teria tentado derrubar Raúl Castro

Pelo menos é o que diz o ex-chanceler mexicano, Jorge Castañeda. Biógrafo de Ernesto Che Guevara, o respeitado intelectual disse ao diário Perfil da Argentina que a demissão de dois altos funcionários do governo cubano, há um mês, os então ministros Felipe Pérez Roque e Carlos Lage, se deu porque ambos estariam tramando um golpe contra Raúl Castro, o atual presidente cubano, com a ajuda de... Hugo Chávez da Venezuela. Conhecidos por serem "comunistas linha-dura", Roque e Lage discordariam da política de abertura e distenção de Raúl, irmão e herdeiro político de Fidel Castro.


"Hugo Chávez se opone a la relación de Raúl Castro con Barack Obama porque si se produce ese acercamiento, se le vienen abajo todas sus consignas y retóricas antiimperialistas. Por eso es que sostengo que el presidente de Venezuela estuvo involucrado en una conspiración contra el gobierno de Cuba", disse Castañeda ao Perfil.

Se as declarações de Castañeda não forem mais uma das inúmeras teorias da conspiração que alardeiam nossos criativos hermanos hispánicos, Chávez estará em maus lençóis. Tanto porque Cuba ocupa um espaço essencial na sua retórica anti-imperialista, que ganha adeptos pelo continente. Certo apenas é que a demissão de Roque, ex-chanceler da ilha, e de Lage, ex-chefe de gabinete, despertou a curiosidade dos analistas políticos que não encontravam respostas para a saída dos dois ministros. Ambos eram frequentemente apontados como sucessores de Raúl Castro... A esperar pela cenas do próximo capítulo.

sábado, 21 de março de 2009

US$ 3 mil para quem se casar com uma viúva

É exatamente esta a proposta do grupo fundamentalista islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, na Palestina. A recente investida israelense na área deixou, além de milhares de mortos, um grande número de mulheres viúvas. Segundo o Hamas, o casamento é a melhor forma para dar estabilidade à mulher muçulmana.


(viúvas em Gaza. Alguém se candidata?)

Até o momento, nenhum homem se candidatou à oferta. Tanto porque é necessário confirmar que possui recursos suficientes para assegurar uma boa vida à nova conjuge e aos filhos do primeiro casamento dela. Entidades de defesa da mulher estão se manifestando contra a proposta, por motivos obvios.

quarta-feira, 18 de março de 2009

a solução é (não) alugar... Madagascar

O novo líder de Madagascar, Andry Rajoelina, deu para trás no negócio feito com a Coreia do Sul pelo seu antecessor, Marc Ravalomanana, deposto esta semana por um golpe militar. No ano passado, em plena crise inflacionária dos alimentos (antes do debaclè atual), Ravalomanana alugou metade da ilha, pelo período de 99 anos, para a empresa sulcoreana Daewoo Logistics.

A Coreia do Sul dispõe de um território insuficiente para a produção de todo o montante de alimentos que consomem os seus 48 milhões de habitantes. Em troca do aluguel, de obras de infraestrutura como portos e linhas de transmissão de energia, a empresa de desenvolvimento do governo sulcoreano seria autorizada a cultivar e produzir alimentos em metade da ilha, que fica na costa índica da África. A negociata, aliás, foi um dos motivos da queda de Ravalomanana.
Veja reportagem sobre o aluguel no El País.

terça-feira, 17 de março de 2009

Mercado de arte empobrece depois da crise global

para a Folha de S. Paulo, 15.mar.09

Volume de vendas cai com saída de cena da classe média; no Brasil, efeito ainda não veio com força, mas há desaquecimento

Britânica Christie's vai fazer corte de 20% no número de funcionários; ações da americana Sotheby's caem 64% desde setembro

Passados nove meses de sua morte, o estilista francês Yves Saint Laurent causou frisson em Paris há três semanas. Sua coleção de arte privada, e de seu companheiro Pierre Bergé, foi leiloada por 373,5 milhões (foto acima).

O valor é recorde, mas o que mais estarreceu o setor, acostumado a cifras exorbitantes, é que a venda se deu no meio da turbulência econômica que varre o mundo. Apesar do resultado grandioso, as artes já amargam os efeitos da crise, com feiras enxutas e clientes ressabiados. No Brasil, a crise ainda não chegou com força, mas o mercado já se desacelerou. Na Bolsa de Arte do Rio, a captação de obras para a temporada de leilões, por enquanto, é 50% menor que em 2008.

O mercado de artes plásticas, assim como quase toda a economia, vivia tempo de vacas gordas até o estouro da crise. Poucos dias após a concordata do banco americano Lehman Brothers, há seis meses, um leilão com obras do britânico Damien Hirst (próxima foto) levantou US$ 107,8 milhões em Londres. Mas a bolha da arte contemporânea parece ter estourado. "Não se pode esperar que uma obra de um artista com menos de 50 anos valha mais que um Rafael", diz Pedro Corrêa do Lago, representante no Brasil da casa de leilão Sotheby's, referindo-se a um dos ícones da Renascença.

Apetite
A disparidade de preços mostra o quão aquecido andava o mercado de artes, sobretudo pelo apetite dos novos milionários russos e de colecionadores da Ásia. No Brasil, guardadas as devidas proporções, o mercado seguia igualmente bem. Ainda não se consegue ver com clareza os eventuais estragos da crise por aqui, já que as vendas tradicionalmente ganham força a partir de agora, com a temporada de leilões e a SP Arte, feira que acontece em maio.

Dadas as características do mercado brasileiro, muito pequeno e sem políticas públicas de aquisição, a alavancagem das galerias locais sempre foi muito limitada se comparada à das norte-americanas.

Segundo a marchand Márcia Fortes, da galeria Fortes Vilaça, a obra mais cara da última exposição da pintora carioca Beatriz Milhazes foi vendida por R$ 300 mil. Valor muito inferior ao US$ 1,05 milhão arrecadado com a venda de sua tela "O Mágico" (última foto), num leilão da Sotheby's em Nova York, no início do ano passado.

Os galeristas são unânimes em confirmar que o mercado anda "devagar", mas negam que estejam baixando preços. "Estamos é enxugando todo tipo de operação, em cerca de 30%", diz Fortes, que representa outros pop stars da arte brasileira, como Vik Muniz e Ernesto Neto.



Segundo outra marchand, Raquel Arnaud, dona da galeria que leva seu nome, "esta é uma fase de espera". "Os clientes estão mais cautelosos", conta.

Já o galerista Eduardo Leme, que é economista, acredita que parte da retração no mercado internacional de artes se dá porque repentinamente saiu de cena uma classe média que passou a consumir com a bonança dos últimos anos. "Mas isso não acontece no Brasil, porque esse perfil é insignificante aqui." Ele diz que não é só o preço ou a oportunidade do negócio que motiva a compra de uma obra: "Tem o fetiche da peça única e a vontade do colecionador, que vai continuar comprando, senão a peça mais cara, uma mais barata".

Transações milionárias
Por trabalhar com uma mercadoria muito subjetiva, o mercado de artes possui diversas nuances. Os especialistas dizem que a crise não deve impedir, por exemplo, transações milionárias de obras-primas consagradas, cujo preço não deve cair. Um trabalho da fase de vanguarda de Pablo Picasso, por exemplo, vai continuar caro e com mercado garantido, mas uma "obra média", uma gravura dos seus últimos anos, pode se tornar suscetível.

"Se Eduardo Constantini [colecionador argentino] quiser vender "O Abaporu", de Tarsila do Amaral, vai ter quem pague milhões aqui no Brasil", afirma Jonas Bergamin, presidente da Bolsa de Arte do Rio de Janeiro. O mesmo não acontece com obras menores e artistas menos consagrados, a julgar pela dificuldade de Bergamin em captar peças para a próxima temporada de leilões.

"A oferta para os leilões caiu 50%. É comum pensar que, numa crise, as pessoas vão vender. Podem até deixar de comprar, mas nunca vão vender", diz, considerando que as obras também são uma reserva de valor. Para Corrêa do Lago, da Sotheby's, há "uma correção de 10% a 30% no valor das peças médias". Ele confirma a dificuldade na captação de obras.

E o sucesso do leilão de Saint Laurent? "É que uma peça que pertenceu a ele ganha pedigree", responde Corrêa do Lago. Também havia muitas raridades entre as obras leiloadas, que não vão estar disponíveis tão cedo no mercado.

Preços
Christina Haegler, representante da Christie's, a casa responsável pelo leilão do estilista, também se diz surpresa: "Foi um alívio". Ela conta que o valor das obras tem caído nos pregões. "Na arte contemporânea, os preços caíram até 30%", diz, e também há dificuldade em encontrar peças para os leilões. A desaceleração do mercado de artes já fez com que a Christie's anunciasse que irá fazer "reduções significativas no quadro de funcionários" ao longo deste ano. Fala-se de um corte de até 20%.

O volume de vendas dos leilões antes e depois da crise (apesar da surpresa em Paris) mostra o desaquecimento. Em maio do ano passado, um leilão com produção do pós-Guerra, que incluía o expressionista abstrato Sam Francis, teve 95% dos lotes vendidos pela Christie's. Em novembro, num outro leilão, que incluía peças do também artista americano Jean-Michel Basquiat, 68% dos lotes foram arrematados.

As coisas também não vão bem para a rival Sotheby's. Desde o agravamento da crise, as ações da empresa americana negociadas em Wall Street se desvalorizaram em 64%.

domingo, 15 de março de 2009

Filha de Sarah Palin vai ser mãe solteira

Que casar que nada! Bristol Palin, 18 anos, filha da vice candidata republicana à Casa Branca Sarah Palin (derrotada pela chapa de Obama), anunciou que não vai mais se casar com seu namorado. O pai da criança é o também adolescente Levi Johnston. O garoto havia sido pego a laço, quando a gravidez veio à tona durante a campanha. Sarah é uma evangélica fundamentalista (e por isso foi escolhida por John McCain), ferrenha opositora do aborto e dos métodos contraceptivos. Logo, casa de ferreiro, espeto de pau.


Agora que a campanha acabou, as aparências já não são tão importantes. Tanto porque dona Sarah por si mesma já danou bastante a sua imagem durante a eleição.

segunda-feira, 9 de março de 2009

acabou o celibato do presidente Lugo?

Quem diria... Fernando Lugo, o ex-bispo paraguaio que virou presidente, agora estaria de caso com uma vedete argentina, Jesica Cirio (foto). Tudo pode ser intriga da oposição colorada (longe do governo após 61 anos de poder), que na campanha espalhou que o religioso teria 17 filhos. Segundo a imprensa paraguaia, Jesica teria inclusive vindo com o presidente no Fórum Social Mundial, em Belém...


Sessentona, Barbie se muda para a China

Com a queda acentuada na demanda do consumidor nos EUA e na Europa, a Barbie fez as suas malas cor-de-rosa e se mudou para a China, segundo notícia da Bloomberg.


A Mattel Inc., a maior fabricante de brinquedos do mundo, ignorou Londres e Paris como o local da primeira loja dedicada ao seu brinquedo mais vendido, e escolheu um prédio de seis andares em Xangai. A loja foi inaugurada neste final de semana e oferece tudo, de roupas da designer de "Sex and the City", Patricia Field, a tratamentos de beleza, passando por coquetéis "Bitini".

A mudança acontece no ano em que Barbie completa 50 anos. A boneca já foi dona-de-casa, dondoca, profissional e tudo o que as mulheres foram ou almejaram ser nas últimas décadas. A foto, uma brincadeira, mostra como a Barbie realmente seria, se aparantasse a verdadeira idade (uns 68 anos, uma vez que a boneca já tinha uns dezoito anos quando nasceu... algo Macunaíma).

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Ingrid, "a egoísta"

Ela não queria repartir os poucos livros disponíveis na floresta e ainda roubava comida no cativeiro. Será o fim de Ingrid Betancourt como mocinha da história?

No livro "Out of Captivity", escrito por três ex-refens das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves, a ex-candidata a presidente da Colômbia é descrita como sendo uma pessoa egoísta, "uma princesa arrogante" que "pensa que as Farc construíram um castelo só para ela".

O livro põe mais lenha na fogueira da já polêmica ex-refém. Sua ex-companheira de chapa, Clara Rojas, que também foi sequestrada, não fala mais com a ex-amiga. Na Colômbia, há quem veja a Ingrid como uma oportunista, que quis faturar em cima de seu infortunio.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

protesto de merda

Os produtores leiteiros da província argentina de Santafé fizeram, literalmente, um protesto de merda em frente a uma usina de laticínios local. Nos tambores, ao invés de leite, outro produto menos nobre das mimosas.

começou 2009

"O brasileiro é um feriado!", segundo Nelson Rodrigues.

Começamos, enfim, a parte 2 do nosso Carnaval. Feliz 2009!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

o grande Vicente Fernandez

Diálogo num táxi em Barranquilla, cidade no Caribe colombiano onde nasceu Shakira

- Y usted de donde es?, pergunta o motorista.
- De Brasil.
- Chévere! Que bueno que podrá disfrutar Barranquilla. El domingo habrá un concierto de Vicente Fernandez.
- Vicente quien?, questiono.
- Vicente Fernandez... ah, no me digas que no conoce a Vicente Fernandez. El és un do los más grandes cantantes de todo el mundo.
- Perdon, pero no le conozco.
- Ah... esto posible no es. Pues fijete... es que acá tengo un DVD y te muesto en un minuto.

O taxista para e se põe a buscar o DVD do cantor mexicano, estrela máxima dos fãs latinos. O carro decorado com badulaques coloridos tinha uma tela de plasma no banco traseiro. A cena parecia sair dos blocos de Regina Casé, no Fantástico. Três minutos depois, lá estava eu assistindo Vicente Fernandez, devidamente acompanhado pelo coro do motorista, é claro.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Caso dos "falsos positivos" persegue Uribe

para a Folha de S. Paulo, 15.fev.09

Mesmo após destituição de 27 militares, sobe número de militares investigados por cooptar e matar jovens, inflando cifra do combate às Farc

Mãe da periferia de Bogotá conta busca pelo cadáver do filho assassinado em troca de recompensa e depois acusado de ser da guerrilha

MAURÍCIO MORAES
EM BOGOTÁ

No dia 8 de fevereiro de 2008, o colombiano Jaime Steven (foto), 16, ligou para sua casa em Soacha, a uma hora de Bogotá. Com a voz sussurrada, contou rapidamente à irmã que estava em Ocaña, próximo à divisa com a Venezuela. Steven desaparecera havia dois dias, deixando a mãe em desespero. Apesar da chamada, só foi encontrado sete meses depois, morto, numa vala comum.

Oficialmente, Steven era um membro das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), assassinado numa batalha com o Exército. Mas os fatos acabaram por mostrar que ele é mais um dos cerca de 1.500 "falsos positivos" -muitos garotos pobres cooptados e mortos por soldados que, em busca de recompensa e promoção, forjavam enfrentamentos com a guerrilha e baixas.

O escândalo estourou em outubro passado e segue sendo um calcanhar-de-aquiles do presidente Álvaro Uribe, dado o volume cada vez maior de soldados arrolados nas investigações no Ministério Público. No fim de janeiro, já eram 1.500.

Se casos do tipo já eram denunciados por ONGs há vários anos, o assassinato de Steven e outros dez rapazes de Soacha detonou o surgimento de relatos em vários pontos do país e acendeu a luz amarela em relação à exitosa política de "segurança democrática" de Uribe, a ofensiva militar que acossou como nunca as Farc e deu a ele recordes de popularidade.

María Sanabria (foto), 50, seguiu buscando o filho Steven desde o telefonema. Na casa em que vive com 3 dos 8 filhos em Soacha, uma cidade-dormitório paupérrima de 400 mil habitantes, ela conta que em 28 de setembro foi mais uma vez ao Instituto Médico Legal, quando surgiram na imprensa as primeiras suspeitas. Foi a filha quem, no dia seguinte, o identificou. "Fui então ver as fotos. Vi que o haviam torturado porque tinha a testa inchada. Bateram muito nele", chora.

No centro de Bogotá, a poucas quadras da Casa de Nariño, o palácio presidencial, o ex-deputado Jairo Ramírez, presidente do Movimento Nacional de Vítimas, diz que as organizações de Direitos Humanos da Colômbia contabilizam cerca de 1.500 casos como o de Steven. "O governo mede o desempenho [das Forças Amadas] pela quantidade de mortos. É uma prática macabra."Civis estariam fazendo falsas denúncias, ligando pessoas à guerrilha, em busca de recompensa: "Em [departamento de] Arauca, o presidente do Comitê de Direitos Humanos foi preso porque foi denunciado como sendo ligado às Farc", diz.

Ramírez anda de carro blindado, com proteção policial, após receber ameaças de paramilitares -apesar da desmobilização negociada pelo governo em 2005, há remanescentes deles e novos grupos, que dividem com as Farc o comando do tráfico. Uma investigação sobre a vinculação dos "paras" com políticos já levou à prisão de mais de 30 congressistas, a maioria governista.

Fernando Escobar, representante do Ministério Público em Soacha, também está sob ameaça de morte desde que liderou as denúncias dos "falsos positivos". "Me acusam de ser inimigo de Uribe, do Exército, de colaborar com a guerrilha."

Reação e medidas

A primeira reação de Uribe ao escândalo foi defender os militares, dizer que os rapazes achados em Ocaña eram delinquentes -nenhum tinha grave delito nas fichas policiais.

Mas o caso cresceu e o Ministério da Defesa abriu investigação interna. Pressionado, o comandante do Exército, general Mario Montoya renunciou. Outros 27 -entre eles três generais- foram destituídos.

O ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, citado como presidenciável em 2010, baixou um manual com "regras para o enfrentamento" e estabeleceu exigência de bom histórico na matéria para promoções. Bogotá reconheceu o caso em dezembro, no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

O cuidado com o tema - praticamente sem reflexo na aprovação do governo - é redobrado quando Uribe está em campanha para convencer a Casa Branca de Barack Obama e o Congresso de maioria democrata a manter a ajuda milionária que os EUA transferem à Colômbia para o combate ao narcotráfico e à guerrilha. Após visitar o Brasil, a partir de amanhã, acompanhando o presidente Uribe, o chanceler Jaime Bermúdez vai a Washington iniciar a ofensiva diplomática. Santos integrará a missão.

Saga de horror
O enredo de horror da mãe de Steven não acabou com a confirmação da morte. María, que trabalha para a Cruz Vermelha, viajou a Ocaña. "O mais terrível foi quando o tiraram da cova, numa bolsa preta. Nunca vou apagar isso da memória."Sem dinheiro para o translado, voltou sozinha a Soacha. Levaria dois meses até levantar fundos para o funeral. Em novembro, o corpo de Steven foi finalmente enterrado.As medalhas de atletismo e natação do garoto seguem penduradas na casa. María diz não confiar na Justiça, tampouco diz ter medo de represálias por denunciar o caso. "Levaram-no direto ao matadouro."

Fotos William Martinez

sábado, 14 de fevereiro de 2009

do terror à folia

Escrevo este post em primeira pessoa. Estou há uma semana na Colômbia, para uma oficina de crônicas da Fundação Gabriel Garcia Márquez. Aterrisei em Bogotá num dia cinzento, com garoa e frio, o que parece ser habitual na capital colombiana. Tive uma maldita dor de cabeça por conta da altitude de 2.600 metros (Clara Rojas me receitou um chá aromático quente - sim, trata-se da simpatissísima refém liberada ano passado, ex-canditata à vice-presidência, na chapa de Ingrid Betancourt). Estou agora em Barranquilla, a alguns minutos do mar, na cidade de Shakira e do mais famoso carnaval do Caribe.

Minha jornada colombiana começou em busca de uma entrevista com Alan Jara (na foto rodeado pelo filho e pela esposa, Claudia), um dos reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), liberto pela guerrilha na semana passada. A conversa com Jara, e com seu filho Alan Felipe, 15, aconteceu num restaurante. A entrevista à Folha foi a primeira dada a um veículo estrangeiro.


É difícil entender como uma pessoa que passou sete anos e sete mesos encarcerado, em condições subumanas, consegue manter tamanha lucidez e equilibrio (ao menos é o que parece). Jara parecia extremamente feliz, bem como o filho, hoje adolescente, que tinha apenas sete anos quando o pai foi sequestrado. "Eu não vi meu filho crescer, apenas vi meu filho crescer", contou ele.

Veja a entrevista completa na Folha.

Segunda e terça-feira viajei a Soacha, cidade a uma hora de Bogotá. Alí reportei um dos temas mais macabros e triste de minha curta vida jornalística, o caso dos falsos positivos. Tratam-se de rapazes pobres cooptados e executados pelo exército colombiano segundo uma lógica perversa de resultados na qual quanto maior o número de mortos (supostamente guerrilheiros), mais eficiente são as Forças Armadas no combate às Farc. Conversei com a mãe de Jaime Steven, 16, que nada tinha que ver com a guerrilha, embora oficialmente tenha sido morto num combate em Ocaña, dois dias depois de desaparecer de Soacha, mais de mil quilômetros distante.

A entrevista será publicada amanhã, domingo, no dia em que o presidente Álvaro Uribe chega ao Brasil. Convém dizer que, como prega o bom jornalismo, o Ministério da Defesa foi procurado para se posicionar sobre o caso. Cinco dias após o início dos contatos, o assessor do ministro me ligou para dizer que ele só poderia falar com a Folha a partir de terça, 17, justamente o dia em que Uribe voltaria à Colômbia - uma tática para postergar a publicação da reportagem e evitar mal-estar durante a estadia do chefe de Estado colombiano no Brasil.

Na quarta cheguei a Barranquilla, na costa do Caribe, para enfim tomar parte da oficina de crônicas da Fundação Garcia Márquez. Aqui estou com outros treze jornalistas de oito países latino-americanos, da Argentina ao México, passado por El Salvador. Fui o único brasileiro selecionado, de maneira que sou quase um gringo num mundo de "hispanohablantes". Ressalto a presença de três colegas venezuelanas, todas ressentidas pelo fato de não poderem votar no referendo deste domingo, no qual a Venezuela escolherá se quer ou não a eleição ilimitada do pseudo-democrata Hugo Chávez (serão três votos NÃO a menos).

Estamos escrevendo crônicas sobre o Carnaval de Barranquilla, uma festa super colorida, alegre, da qual os barranquilleros são extremamente orgulhosos. Os textos serão publicados posteriormente em um livro, em espanhol. Conto mais detalhes em breve.

Agora, ufa!, tenho de voltar à minha redação. E ainda tenho que ir "cumbiar" (o que é tudo muito estranho, já que eu nem sou amante do Carnaval). Ontem desfilei fantasiado, tomei rum e até assisti a um tiroteio. This is Latin America.

That´s all folks!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Barack Perón Obama

"No se si Obama habrá leído a Perón, pero déjenme decirles que se le parece mucho" .

A comparação um tanto quanto inusitada partiu da president(a) peronista Cristina Kirchner, da Argentina, em um pronunciamento na Quinta de Olivos.

É difícil entender a histérica e histriônica cultura política da Argentina (até para nós brasileiros acostumados a uma cultura política para lá de heterodoxa, para ser eufêmico). Numa comparação um pouco tosca, é como se as discussões políticas no Brasil ainda fossem pautadas pelas ideias de Getúlio Vargas (com direito a mausoléu, múmia e peregrinação), cuja doutrina trabalhista é vista como uma filosofia (feita de uma pitada de catolicismo anti-clerical, socialismo sem comunismo, uma grande dose de personalismo e outra de autoritarismo), amparada num grande partido, o Justicialista (vulgo Peronista), uma espécie de grande PMDB, com todos os seus vícios. Achou suficiente? Não... no Brasil não há nada a Evita para avançar na comparação.

Obama, segundo Cristina, bem que poderia ser peronista....tsc tsc tsc

O mais hilário é que, na Argentina, a comparação soou como elogio. Houve palmas retubantes após o discurso da president(a).

(fotomontagem do diário Perfil)

sábado, 31 de janeiro de 2009

Calvin Klein lança nova campanha publicitária


A nova campanha da Calvin Klein, assinada pelo publicitário americano Steven Meisel, já incomodou os conservadores de plantão. O vídeo sofreu embargo no YouTube.

Para passar bem o fim de semana, eis o vídeo...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

'habemus patriarca' na Igreja russa, o antigo espião Kirill

Kirill, bispo de Smolensk e Kaliningrad, 62, é o novo patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, no lugar de Aleksey II, morto em dezembro.

O novo patriarca (foto) serviu à KGB, o antigo serviço secreto soviético, sob o codinome Mikhailov, como reportou o jornal londrino The Times. Kirill é conhecido por seu nacionalismo e, ironicamente, pela abertura de diálogo com o ocidente, mais especificamente com o Vaticano, onde esteve no ano passado.

Kirill não era o preferido do Kremlin, que mantem uma estreita relação com a hierarquia ortodoxa desde a desintegração soviética. O premiê e líder de facto Vladimir Putin, também ex-agente da KGB, e o presidente Dmitry Medvedev costumam frequentar as festas religiosas. Situação muito diferente da vivida nas décadas anteriores, quando o ateismo era quase imposto pelo governo comunista.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

ex-espiões russos são candidatos a papa da Igreja Ortodoxa

Depois de ganhar o Kremlin na figura de Vladimir Putin (antes presidente, hoje premiê e sempre o homem que manda), os ex-espiões da KGB, o antigo serviço secreto soviético, agora estão na corrida para ser patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, o "papa" na versão svovsky.

O último patriarca, Aleksey II (na foto com Putin), morreu em dezembro do ano passado. Segundo reportagem do diário londrino The Times, três ex-espiões participam da eleição:

(1) Kirill, bispo de Smolensk e Kaliningrad, 62, codinome Mikhailov, foi chefe do departamento de assuntos estrangeiros da Igreja Ortodoxa e é uma das vozes mais estridentes do nacionalismo russo

(2) Clemente, bispo de de Kaluga e Borovsk, 59, codinome Topaz, atuou nos EUA e Canadá e já foi chamado de "o homem das sombras do sistema"

(3) Filaret, bispo de Minsk e Slutsk, 73, codinome Ostrovskii, é próximo do ditador da Bielorússia, Alexander Lukashenko

O último patriarca, Aleksey II, também era envolto de polêmica. Ele também teria servido a KGB sob o codinome Drozdov.

A notícia chega uma semana depois de outro ex-agente, Alexander Lebedev, 49, comprar o Evening Standard, o principal jornal vespertino de Londres.

O negócio é ser ex-agente da KGB!

governo da Islândia é o primeiro a derreter com a crise

No último dia 6 de outubro, o premiê da Islândia, Geir H. Haarde, falou em cadeia nacional de televisão:

"Há um perigo real, cidadãos, de que a economia da Islândia, no pior caso, pode ir para o ralo junto com os bancos, e o resultado pode ser uma falência nacional". Ontem foi o dia Haarde ir para o ralo e o governo da Islândia ser o primeiro a derreter com a crise.


No dia do pronunciamento, a outrora caríssima coroa islandesa (que fazia os compatriotas de Björk se sentirem ricos em qualquer parte do mundo) viu 25% do seu valor evaporar. A dívida dos bancos islandeses era imensa e equivalia a 9% do PIB da ilha gelada do Atlântico Norte.

Veja: "Quase 'falida', Islândia é espelho da crise" (MM)

Mas a realidade veio à tona. A bolha da Islândia estourou e o país de 320 mil habitantes e melhor IDH do mundo foi até parar na lista de "terroristas" do Reino Unido (que inclui a Al Qaeda). Tudo porque os bancos islandeses deram um calote em 300 mil investidores britânicos.

O país teve de acorrer ao FMI e, desde então, vive uma situação surreal, de quase falência. Os protestos, inéditos, passaram a fazer parte do cotidiano da antes pacata Islândia. A temperatura subiu na ilha. O governo derreteu.

Para entender melhor a urucubaca islandesa, recomendo o texto antológico "A grande ilusão", de João Moreira Salles, na edição de janeiro, da Piaui.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

FHC quer mudar Constituição para impor 'pax tucana'

Matéria de Kennedy Alencar, na Folha, conta que os grão-tucanos já decidiram que vão de José Serra em 2010. A decisão tomada por uma meia dúzia de caciques destoa bastante da imagem de partido moderno, de moldes europeus, que o PSDB costuma evocar. Tanto porque há um outro postulante importante à corrida presidencial - o mineiro Aécio Neves - o que deveria resultar em prévias, como costumam fazer os partidos democráticos.

Que o PSDB é um partido de caciques travestidos de tucanos, não há novidade. Estarrecedora é a proposta de FHC, narrada a seguir (sim, ainda é possível se estarrecer com a tragicômica política nacional):

"O principal defensor de Serra é FHC, que gosta de falar que "política tem fila". Ele tem dito reservadamente que Aécio é jovem e que precisaria entender que é a vez de Serra. (...) FHC aconselhou Serra a fazer um compromisso com Aécio para acabar com a reeleição, caso o paulista se eleja em 2010. Segundo o ex-presidente, deveriam ser dadas as garantias a Aécio de que ele será o próximo postulante do PSDB à Presidência".

Então se muda a Constituição apenas para dar a vez a Aécio??? FHC já impôs a emenda da reeleição em benefício próprio e agora que acabar com o dispositivo por conveniência tucana. Tsc tsc tsc... Não é mais fácil Serra e Aécio fazerem um acordo de cavalheiros (ou de caciques, com dança da chuva e tudo) e acertarem a ordem da fila???

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

na Casa Branca, o site é novo, mas a política para a América Latina continua velha

A julgar pelo novo site da Casa Branca, que entrou no ar no minuto posterior ao juramento de Barack Obama como o novo presidente americano, a mudança chegou mesmo aos Estados Unidos.

De visual novo, com mais recursos e direito a blog, o site inova até no texto biográfico de seus novos ocupantes. Veja a descrição da primeira-dama, Michelle Obama:

"Quando as pessoas pedem a Michelle Obama que descreva a si mesma, ela não hesita. Primeiro e antes de tudo, ela é mãe de Malia e Sasha. Mas, antes de ser mãe - ou esposa, advogada ou servidora pública - ela é filha de Fraser e Marian Robinson".


Mas se o site é inovador, a América Latina continua a ocupar o velho e quase inexistente lugar na agenda externa norte-americana. Na página dedicada às relações exteriores, todos os continentes são citados, com algumas questões devidamente detalhadas. Exceto dois deles: a Europa e a América Latina. O primeiro, porque é um parceiro histórico e estratégico. Não há no que se mexer. Já a pobre América Latina, pelo visto, continua a ser vista como mero quintal norte-americano. Nada muda também?

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

yes, he did

Barack Hussein Obama II tomou hoje posse como o 44.º presidente dos Estados Unidos. Obama é o primeiro negro a ocupar a Casa Branca. A ver as cenas dos próximos capítulos...



(instalação com reprodução da obra do artista Shepard Fairey, que ficou famoso ao retratar o então candidato à presidência americana)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

virgem Maria!

O estilista Ricardo Oyarzun provocou a ira dos católicos do Chile, após vestir suas modelos de Virgem Maria para um desfile em Santiago. Oyarzun cutucou um vespeiro: a sociedade chilena é uma das mais conservadoras do continente. Vale lembrar que o país foi o último do mundo a legalizar o divórcio, apenas em 2003.

(foto Rodrigo Nunes/Reuters)

domingo, 18 de janeiro de 2009

Inspirador de Madoff, Charles Ponzi morreu pobre no Brasil há 60 anos

para a Folha de S. Paulo, 18.jan.09

No dia 18 de janeiro de 1949, o Hospital São Francisco, no centro do Rio de Janeiro, registrava a morte do italiano Charles Ponzi. Cego, vítima de um infarto, ele não tinha família no Brasil. Internado na ala dos indigentes, era o mesmo homem que, três décadas antes, tinha uma vida luxuosa e que quase comprou um banco nos Estados Unidos. Até sua rede de fraude, imortalizada como "Esquema Ponzi", cair por terra.

O homem que inspirou o investidor Bernard Madoff (acusado de fraudes de até US$ 50 bilhões) começou seu negócio na década de 1910, alguns anos depois de emigrar para os EUA.

Na ocasião, descobriu que os selos de retorno postal vendidos no país eram muito mais caros que os comprados na Europa. Passou, então, a comprar e a revender selos do correio internacional e conseguir lucros elevados. Para expandir seu negócio, passou a captar dinheiro com outros imigrantes em troca de alta rentabilidade. Até o negócio desmoronar, e Ponzi acabar parando no Brasil.

Quase um século depois, Madoff também prometia altos rendimentos aos seus investidores. Em vez dos selos de Ponzi, o ex-presidente da Nasdaq dizia aplicar em fundos igualmente fabulosos. Entre seus clientes, estavam, principalmente, membros e instituições da comunidade judaica, que, igualmente aos imigrantes italianos do início do século, confiaram o seu dinheiro a um dos membros de sua comunidade.

Assim como Madoff, Ponzi vivia uma vida de luxo em Boston, após enriquecer. Sua fama cresceu, ele contratou agentes e montou um pequeno império.

"Ele administrava milhões de dólares em investimentos, que só faziam crescer, com as pessoas hipotecando as próprias casas", diz o jornalista americano Mitchell Zuckoff, autor de "Ponzi's Scheme: True Story of a Financial Legend" ("Esquema Ponzi: A Verdadeira História de uma Lenda Financeira", em tradução livre). Cerca de 17 mil investidores deixaram seu dinheiro nas mãos de Ponzi.

A rentabilidade fenomenal começou a levantar suspeitas e o jornal "The Boston Post" passou a investigá-lo, descobrindo que, para sustentar o negócio, Ponzi teria de comercializar 160 milhões de selos de retorno postal. Mas apenas 27 mil selos circulavam no país.

A notícia fez uma multidão de investidores reclamar seu dinheiro, em 1920. Ponzi se fez de vítima, pagou a alguns e convenceu a maioria a manter as aplicações. Contratou até um relações-públicas, James McMasters, para gerir o escândalo. Conseguiu segurar a situação por mais alguns meses, até McMasters vender os detalhes da negociata ao jornal.

Ponzi acabou preso e, em 1934, foi deportado à Itália. Em 1941, desembarcou no Brasil, como funcionário da antiga companhia de aviação Ala Littoria. Por razões desconhecidas, deixou a empresa e passou a viver no subúrbio de Engenho Novo, na zona norte do Rio, de onde mantinha uma intensa e apaixonada correspondência com Rose, sua ex-mulher, que ficara nos EUA. Eles não tiveram filhos, eram divorciados.

"A impressão que tenho de suas cartas é que ele estava feliz no Brasil, mas queria voltar para Rose e para os Estados Unidos, não para a Itália", afirma Zuckoff. "Ele tentou a sorte com alguns negócios. Numa carta, ele pergunta a Rose qual tipo de batom ela usava. Ele queria vender batons no Brasil. Ele estava sempre tentando fazer dinheiro de alguma forma.

"Nos últimos anos, doente e cego, Ponzi nem conseguia escrever. "As cartas eram escritas por um vizinho" chamado Antonio, segundo Zuckoff. Foi ele quem avisou Rose da morte de Ponzi, aos 66 anos, num dia quente de verão de 1949.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Para fugir, simulou a morte e tentou suicídio, mas foi pego pela polícia

para a Folha de S. Paulo, 15.jan.09

No último domingo, uma torre de controle do Estado do Alabama recebeu um cha­mado de socorro. Uma ven­tania teria pego de surpresa o avião pilotado pelo consul­tor financeiro Marcus Schrenker, acusado de frau­des milionárias nos Estados Unidos. Minutos depois, um jato militar localizou a aero­nave, que estranhamente voava sozinha, com a porta aberta. O piloto sumira.

Em seguida, o aparelho se espatifou no chão da Flórida. O paradeiro do condutor tor­nou-se um mistério, até Schrenker ser encontrado na noite de terça-feira, de pulsos cortados, numa apa­rente tentativa de suicídio.

Schrenker teve frustrada suas duas tentativas de sair de cena. Na primeira, atola­do em problemas, o consul­tor teria feito um plano au­dacioso: simular a própria morte, deixando o avião no piloto automático enquanto saltava de paraquedas. Schrenker esperava que o avião caísse no mar do Golfo do México, onde ninguém reclamaria seu corpo. Mas o aparelho se espatifou antes, por falta de combustível.

Em terra firme, no Alaba­ma, Schrenker teria fugido com uma moto, estrategica­mente escondida no local em que previu que aterrissaria após seu salto. Seguiu para um hotel, onde ficou prova­velmente sabendo do fracas­so do primeiro plano. Ten­tou, então, se suicidar, ao que tudo indica. Mas foi achado semiconsciente, com o pulso cortado sangrando. Segundo os paramédicos, Schrenker balbuciava a pala­vra "morte". Mas ele conti­nua vivo, e deve seguir para acadeia, avisou a polícia.

Negociata - Schrenker, 38, ex-piloto,era conhecido pela lábia. Fa­lante, gostava de ternos bem cortados. Profissional do ra­mo de seguros, o consultor do Estado de Indiana cole­ciona fraudes e processos ju­diciais. Na última sexta-fei­ra, um juiz de Maryland de­terminou que sua compa­nhia, a Heritage Wealth Ma­nagement, pagasse US$ 533mil num processo perdido. Um ex-colega o acusa de rou­bar US$ 2 milhões.

Mas a crise fez Schrenker se ver encurralado nos pró­prios negócios, com clientes furiosos reclamando os in­vestimentos. Sua última víti­ma teria sido o padrasto. Schrenker tentou, então, a última cartada. Mas tudo pa­recia conspirar contra ele, inclusive a sorte e a esposa: Michelle Schrenker entrou com um pedido de divórcio, no dia 30 de dezembro.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Fidel Castro morto?

É a mais nova fofoca virtual. A probabilidade foi reportada pelo diário espanhol El País. É muito provável que o líder cubano esteja, ao menos, muito doente, a julgar pelas declarações suspeitas do venezuelano Hugo Chávez, no último domingo: "Já sabemos que aquele Fidel que andava pelas ruas e vilarejos com seu uniforme de guerreiro, abraçando o povo, não voltará. Porque Fidel viverá, como está vivo, e viverá sempre, além da vida física. E deve viver, ele sabe, por anos. Precisamos de você ainda".

Fidel não apareceu, nem em foto protocolar, durante a visita do presidente equatoriano Rafael Correa à Cuba, semana passada, assim como não foi visto na visita do panamenho Martín Torrijos e da chilena Michele Bachelet. El Comandante já não mais escreve sua coluna no jornal Granma. Especula-se que o líder possa estar em estado terminal, ou até morto, mas o regime cubano estaria postergando o aviso para depois da posse de Barack Obama, nos EUA. O recente cortejo de líderes estrangeiros à ilha também seria uma forma de reafirmar a autoridade de Raúl Castro, o irmão e herdeiro político de Fidel.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Madoff: roubou até a irmã

Sondra Wiener, 74, irmã de Bernard Madoff, é outra ví­tima das fraudes de US$ 50 bilhões arquitetadas pe­lo ex-presidente da Nas­daq. Sondra tenta despe­radamente vender uma casa com piscina e três quartos que possui na Fló­rida (pede US$ 950 mil), após "perder mi­lhões" em investimentos administrados pelo ir­mão mais novo.

Sondra teria, no entanto, recebido um dos pacotes com jóias e relógios valiosos (um deles Cartier, outro Tiffany, cravejado de diamantes) despachados por Madoff pelo correio, na semana passada. O investidor está em prisão domiciliar no seu luxuoso apartamento de US$ 7 milhões, no Upper East Side, em Manhattan, sem os relógios, mas com um rastreador eletrônico em forma de bracelete.

O investidor é acusado por fraudes que podem chegar a US$ 50 bilhões, por meio de um rede de corrupção conhecida como esquema Ponzi. Entre as vítimas estão bancos europeus e in­vestidores particulares co­mo o cineasta espanhol Pedro Almodóvar. O golpe atingiu em cheio instituições e membros da comunidade judaica, que confiaram a Madoff (também judeu) seu rico dinheirinho...

domingo, 11 de janeiro de 2009

Cristina Kirchner desmaia, à beira de um ataque de nervos

Cristina Kirchner encontra-se em repouso. A president(a) argentina teve de adiar compromissos, depois de sofrer um desmaio nesta semana.

A temperatura subiu muito em Buenos Aires nos últimos dias. A president(a) passou mal e, segundo o diário La Nación, foi cogitada sua internação. Cristina inclusive adiou uma viagem à Cuba e à Venezuela. Ao que tudo indica, trata-se de uma forte crise de estresse.

Cristina define-se ela própria como "pinguina", uma referência à província patagônica de Santa Cruz, onde fez sua carreira política (embora tenha nascido na província de Buenos Aires). São comuns suas queijas ao "calor agobiante" da Capital Federal. Também o recanto preferido da president(a) é sua casa em El Calafate, no gelado sul do país.

Além dos calores da estação, aos calores da president(a), nos seus 50 e poucos anos, somou-se mais um round da crise agrícola, que por três meses paralisou a Argentina ano passado. Os produtores já começaram a fechar novamente as estradas do país. Cristina também tem de lidar com a briga dos manifestantes da província de Entre Rios, que há quase dois anos mantem ilegalmente fechada a fronteira com o Uruguai, desde o conflito sobre a papeleira Botnia. Além disso, 2009 é ano de eleições legislativas na Argentina, e Cristina deve sofrer uma derrota achapante. Isso só para falar dos problemas domésticos.

A crise econômica já afeta uma fragilizada Argentina, que ainda não se recobrou da quase falência de 2001. O país sofre de carência institucional, maquila seus índices econômicos e sociais e tem uma sociedade (como já de costume histórico) dividida, agora em torno do polêmico casal presidencial Kirchner. Aliás, diz-se por lá, o principal problema da president(a) é seu marido, o ex-presidente Néstor, que parece ser o lider de facto e a grande sombra de seu governo. O noticiário político é de um dramalhão típico de novela mexicana, cheio de peleas e conspirações. Néstor está sendo processado por formação de quadrilha, isso só para citar um dos capítulos da crônica argentina.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

indústria pornô pede ajuda nos EUA

"As pessoas podem viver sem carro, mas não sem sexo", diz o comunicado que empresários da indústria pornô de Los Angeles publicaram esta semana. Depois de verem cair em 22% a venda de DVDs eróticos, os empresários resolveram agir. Liderados pelo lendário Larry Flint, dono da revista Hustler, e por Joe Francis, criador da série Girls Gone Wild, a indústria pornô faz lobby no Congresso americano por uma ajuda de US$ 5 bilhões ao setor.

Larry Flint e suas "sobrinhas"

"As pessoas estão muito deprimidas para se manter sexualmente ativas", justifica o comunicado, que argumenta que a crise financeira e, mais especificamente, a crise na indústria pornô , "é algo muito negativo para a saúde do país". "As pessoas estão deprimidas e o Congresso deveria rejuvenescer o apetite sexual", conclui o documento.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

filha de Benazir Buttho faz rap para mãe

Bakhtawar Bhutto, filha da ex-premiê paquistanesa Benazir Buttho, assassinada ano passado por fundamentalistas, fez um rap em homenagem à mãe. Em I Would Take The Pain Away, a garota de 18 anos lamenta a morte prematura de Benazir. Rodeada de polêmica e acusações de corrupção, a herdeira de um clã político do Paquistão foi a primeira mulher a dirigir uma nação muçulmana.



"Minha mãe foi morta. Eu nem entendo. Valia à pena ter morrido por isso?" , pergunta a menina. O clipe foi exibido pela TV estatal, controlada por seu pai, o atual presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

crise faz bilionário alemão se matar

Às 18h30 da noite de segunda-feira, funcionários da estrada de ferro que corta o vilarejo de Blaubeuren, na região de Baden-Württemberg, no sul da Alemanha, encontraram um corpo estendido nos trilhos. O suicida, Adolf Merckle, 74, era o quinto homem mais rico da Alemanha e o dono da 94ª maior fortuna do mundo, segundo a revista Forbes. Isso até chegar a crise e Merckle perder € 1 bilhão na especulação de ações da Volkswagen e arruinar as finanças de suas empresas.

Merckle era rico desde o berço. Advogado, nunca exerceu a profissão. Entre suas paixões estava o esqui e o mercado financeiro. Gostava de investir. Mas, no último outubro, foi vítima de sua própria especulação, surpreendido com a brusca desvalorização das ações da Volkswagen. Segundo a imprensa alemã, Merckle perdeu cerca de € 1 bilhão em investimentos com ações da montadora.

O baque foi sentido também nas suas empresas, prejudicando a saúde financeira da HeidelbergCement, a quarta maior produtora de cimento na Alemanha. Merckle se viu na iminência de vender sua parte na empresa, bem como na farmacêutica Ratiopharm, também fundada por sua família. Ele era ainda proprietário da Phoenix Pharmahandel e da montadora de máquinas Kässbohrer. O conglomerado familiar fatura anualmente € 30 bilhões e emprega 100 mil pessoas, mas se especula que as dívidas seriam de € 16 bilhões.

"A situação desperadora das suas companhias, causada pela crise financeira, as incertezas das últimas semanas e sua impotência para agir quebraram o apaixonado empreender e tiraram a sua vida", disse a família, num comunicado.

Merckle não é a primeira vítima fatal da crise financeira. Há poucos dias, o francês Thierry de la Villehuchet se esfaqueou no seu escritório em Nova York, depois de receber um calote de US$ 1,4 bilhão do investidor fraudulento Bernard Madoff. As mortes lembram os lendários suicídios cometidos no lastro do Crash de 1929, quando vários investidores teriam se atirado pelas janelas de edifícios de Nova York e de Londres.

Casado e pai de quatro filhos, Merckle deixou uma carta, pedindo desculpas pelo suicídio. Advogado de formação, luterano, considerado discreto e um investidor prudente, o empresário viu sua tragédia financeira circular pela imprensa alemã. Merckle poderia ser um dos destinatários do pacote de socorro ao empresariado, do governo regional de Baden-Württemberg. Dias atrás, a manchete do jornal local "Suedkurier" referia-se a Merckle como "o bilionário de bolsos vazios".

Na segunda-feira, ao meio dia, o dono da fortuna de US$ 9,2 bilhões, saiu de casa. Preferiu não voltar.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

o tempo dos imigrantes


Os imigrantes africanos, que costumam frequentar as crônicas policiais e humanitárias na Espanha, ficaram pop. Doze deles foram clicados, nus, pelo fotógrafo Adolfo López, para levantar fundos a uma associação de apoio aos trabalhadores sin papeles. Veja reportagem do El Pais.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Japão multicultural?

Abrir-se ao mundo parece ser, mais uma vez, a salvação da lavoura japonesa. É o que pensa um grupo de políticos do Partido Democrático Liberal (conservador), o mesmo do premiê Taro Aso. À revelia da opinião da maioria de seus partidários, eles promovem o esboço de uma ampla política de imigração, que pretende atrair trabalhadores dos países asiáticos vizinhos (ainda ressabiados com os arroubos imperialistas do Japão no passado próximo). Depois do baby boom do pós-guerra, que ajudou a alçar o Japão ao grupo das mais desenvolvidas economias do mundo, a população envelheceu: logo, o país perdeu vigor e ganhou altas faturas previdenciárias.

Embora o tema seja espinhoso (que o diga a Europa), foram os imigrantes que fizeram bombar a economia britânica e espanhola nos anos 90. No Japão, além dos problemas demográficos, assusta a desaceleração da economia, reflexo da atual crise. Só em novembro a produção industrial retraiu 8,1%, ante outubro.

A reportagem é da revista The Economist, que diz ter o Japão um dos menores contingentes de imigrantes entre os países desenvolvidos. Diz também que por lá, estrangeiro e deliquente costumam ser sinônimos para o japonês médio. O texto cita os dekasseguis brasileiros e fala da dificuldade de adaptação numa cultura extremamente fechada.

Vale lembrar que o país só arrancou econômica e políticamente no fim do século 19 (na Era Meiji) quando rompeu o isolamento em que se encontrava há seculos. O Japão chegou então a figurar entre os protagonistas do imperialismo no início do século 20 e (após a derrota na 2. Guerra) tornou-se um grande exportador de tecnologia e cultura (mangás, moda, design...).

Agora, além de fazer negócios com o mundo, os japoneses terão pela frente o desafio de conviver com a gente do mundo... Multiculturalismo? No, it´s the economy, stupid!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Björk cria fundo para ajudar Islândia

A cantora Björk está procurando investidores para o fundo Ardur Capital, criado por ela a fim de irrigar a economia da agora pobre Islândia. A ilhota no Atlântico norte, cujo IDH é o mais alto do mundo, está prestes a submergir - além do perigo trazido pelo aquecimento global, a Islândia viu sua economia derreter com a crise global.

Veja: Quase "falida", Islândia é o espelho da crise

O país se aproveitou da bolha ilusória da economia, que estourou em setembro. A dívida dos bancos do país é 9 vezes maior que o PIB islândes. A crise provocou uma situação surreal na ilha, cujo primeiro-ministro chegou a declarar, em rede nacional, que a Islândia estaria à beira da falência. Até empréstimo do FMI o país nórdico recebeu depois de entrar numa fria... gelada até para os padrões islandeses.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Madonna escapou da crise por pouco, afirma produtor

para a Folha de S. Paulo, 21.dez.08

Responsável pela turnê "Sticky & Sweet", que rendeu US$ 280 mi, diz que a venda antecipada de ingressos evitou impactos da turbulência

Cantora também movimenta economia das cidades onde faz shows; em SP, prefeitura calcula que 39 mil turistas deixarão R$ 23,4 milhões

Não à toa ela é a "material girl". Mais do que a adrenalina dos fãs, Madonna movimenta milhões de dólares, na economia de onde passa e na própria conta bancária. Cantora mais bem paga de 2007, segundo a revista "Forbes", a rainha do pop pode ser considerada um fenômeno de fazer dinheiro. A turnê "Sticky & Sweet", que acaba hoje em São Paulo, deve render US$ 280 milhões à sua produtora, a Live Nation.

Segundo o produtor da turnê, Arthur Fogel, "até agora, não há crise para Madonna". Por pouco. "É que quase todos os ingressos foram vendidos antes de a crise começar", afirma, em entrevista à Folha."Eu não posso dizer que houve qualquer impacto, mas no futuro teremos de ser mais cuidadosos [na venda de ingressos]", disse Fogel, que produz as turnês de Madonna desde 2001. Ele admite um "ambiente econômico muito ruim", acha que "a crise vai afetar" os negócios da música, mas aposta que "grandes artistas não devem sofrer grande impacto".

Fogel foi um dos principais responsáveis, no ano passado, pela assinatura do contrato de dez anos de Madonna com a Live Nation, que rendeu US$ 120 milhões à cantora. Nada mal para quem diz ter chegado em Nova York com US$ 35 no bolso, em 1976. Três décadas depois, a Live Nation espera faturar US$ 1 bilhão com o contrato de Madonna.

A turnê, que vendeu 2,3 milhões de ingressos nos 58 shows (28 deles com lotação completa) em 17 países, deve render US$ 280 milhões. "É um bom começo", diz Fogel. Em 2006, a temporada de "Confessions on a Dance Floor" rendeu US$ 195 milhões. Na turnê de 2004, foram US$ 125 milhões e, na de 2001, US$ 75 milhões.

"Ela é um bom negócio. Neste ponto da sua carreira está melhor do que nunca", diz o produtor sobre a cantora, que mostra jovialidade aos 50 anos. Mas ele toma para si parte do sucesso: "Há um bom planejamento. Optamos por tocar em estádios maiores e para mais gente", conta. "Também incluímos cidades onde ela nunca tinha se apresentado ou não toca há muito tempo." Caso do Brasil, onde ela não cantava havia 15 anos: os três shows iniciais viraram cinco.

Fogel não revela muitos números, mas admite que a venda de CDs, a mina de ouro dos artistas no passado, já não é "tão relevante" no faturamento. "Hoje as turnês e o merchandising são a parte mais importante da receita de Madonna", diz. No ano passado, ela lançou uma linha de roupas na cadeia sueca H&M. Faturou US$ 15 milhões já na primeira semana.

Segundo Fogel, "Madonna é a responsável pela maior parte da receita da Live Nation". A cantora recebeu US$ 25 milhões em ações da companhia na ocasião do contrato. Além das turnês e do merchandising, a produtora administra os direitos autorais e as gravações de Madonna. A Live Nation também trabalha com artistas como Elton John e a banda de rock Mettalica. Apesar do otimismo de Fogel, as ações da companhia, negociadas na Bolsa de Nova York, acumulam perdas de 70% em 2008.

Extra-oficialmente, estima-se que a fortuna de Madonna supere US$ 1 bilhão. Mas não é só a cantora quem fatura com suas turnês. A Prefeitura de São Paulo calcula que os 39 mil turistas que vieram assistir aos shows deixarão R$ 23,4 milhões na cidade. No Rio, a ocupação hoteleira da zona sul foi de 83% no período dos shows, acima da média de 64%.

Tudo para assistir à turnê de divulgação de "Hard Candy" ("Doce Forte", duro, em português) -o álbum é dos mais vendidos em 2008, adoçando ainda mais as cifras de Madonna.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

no século 17, tulipas deixaram Amsterdã à beira da bancarrota

para a Folha de S. Paulo, 21.set.08

Um arranjo de tulipas custa hoje cerca de R$ 30. Mas, na Holanda do século 17, para comprar um só bulbo da flor, era necessário dispor de 24 toneladas de trigo. A conta é assustadora, assim como foi a quebradeira que se seguiu à primeira crise especulativa de que se tem notícia. Quase 400 anos depois, Wall Street vê algumas de suas instituições ruírem. Os tempos e as crises são outras, mas o "espírito animal" que faz as cotações alcançarem preços irreais continua o mesmo.

"Espírito animal" foi o termo usado pelo economista inglês John Keynes (1883-1946) para explicar a euforia que move os investidores em busca do lucro fácil proporcionado pelo mercado financeiro. Assim foi na crise de 1929 e assim foi na rica Amsterdã dos anos 1600. A exótica tulipa, vinda do Oriente, virou mania entre os holandeses, que passaram a colecionar e logo a disputar os bulbos.

Tamanha valorização fez os produtores (e logo os intermediários) fecharem contratos futuros informalmente, os chamados "windhandel" (negócio de vento). A cada ano, o preço da tulipa se inflacionava e alcançava valores exorbitantes.

"Uma isca dourada fisgou tentadoramente um a um. Todos correram para os mercados de tulipas, como abelhas num pote de mel", descreveu Charles Mackay, num relato do século 19 que celebrizou a tulipamania, como ficou conhecida.

O que foi inicialmente uma vaidade dos ricos holandeses se tornou um negócio milionário. Mackay conta que um marinheiro bêbado passou seis meses na prisão depois de comer um dos valiosos bulbos, pensando se tratar de uma cebola.

Em 1637, a bolha estourou. "Foi um efeito manada", explica o professor Renato Colistete, da FEA-USP. "Os negociantes começaram a vender os contratos e o mercado fictício desapareceu." Assim como evaporaram as propriedades e tudo o que os holandeses empenharam na tulipamania. O relato de Mackay é controverso e muito do que conta pode ser lenda, ou seja, tão real quanto o valor de muitos títulos negociados Bolsas afora. Mas a história ilustra bem a crise que chacoalha Wall Street, tragando instituições de peso como o banco Lehman Brothers e virando a ideologia do livre mercado pelo avesso.

Assim como o governo americano já torrou US$ 1 trilhão para aliviar a crise (e deve gastar em breve outros bilhões), o governo holandês teve de intervir. Os contratos podres eram comprados por 10% de seu valor. Para Colistete, a atual intervenção "é surpreendente". Muito diferente de 1929, quando o governo Herbert Hoover assistiu de braços cruzados à erosão do sistema financeiro. Dinheiro público seria usado só depois, para pagar as frentes de trabalho num país em que 25% da população ficou desempregada.

Um dos efeitos da tulipamania foi a sofisticação do sistema financeiro e a criação de mecanismos como o mercado de opções. Colistete acredita que a atual crise também trará mudanças: "Haverá uma pressão por mais transparência", diz, já que houve uma oferta exacerbada de crédito ao setor imobiliário e os riscos não foram perceptíveis no início.

Sobre a crise atual, o professor não se arrisca, mas parece crer no presidente do Federal Reserve: "Ele está usando o conhecimento acumulado pelos estudos", brinca Colistete. Enquanto acadêmico, Ben Bernanke foi um especialista em Grande Depressão.

o anti-prefeito

"Eu dedico esta vitória ao Serra", foi assim, com os olhos azuis arregalados, sorriso no rosto, que Gilberto Kassab agradeceu pela vitória à prefeitura de São Paulo. O prefeito é bem-agradecido. Tem de ser. Serra foi seu grande fiador. Sem o governador de SP, Kassab continuaria sendo só mais um deputado baixo-clero do PFL (DEM) paulista, ex-secretário de Pitta e representante de um eleitorado meio... antigo. Virou prefeito, por acidente de percurso. Ele era o marionete mais conveniente para Serra. Mas o destino existe para Kassab, nem que seja pela metade. Ele é agora o nosso prefeito, quer dizer...o anti-prefeito.

Sejemos sinceros: quem administra a prefeitura de SP é o secretário das Subprefeituras, Andrea Mattarazzo. Graças ao bom Deus e à maquiavelia de Serra! Imaginem uma cidade governada pelo Kassab mais "primitivo", o Kassab que enxotou chamando de vagabundo um manifestante, o Kassab herdeiro do Maluf way of government? Ele pode ter se redimido e se tornado um neo-tucano travestido de demo. Mesmo assim, Serra preferiu deixar o governo da cidade nas mãos de Andrea.

Filho da fina flor da elite paulista (primo do ex, Suplicy, de Marta), Andrea seria algo como o primeiro-ministro de São Paulo, elegante, quase um personagem romano saído de um filme de Fellini. É a sombra do anti-prefeito.

Com cenário armado para 2010, cabe a Serra agora lidar com os detalhes para dar o cheque-mate. A arquitetura política conservadora está pronta. Mas se quiser ser chegar ao Palácio do Planalto, em 2010, Serra terá de mostrar muita malemolência, descer do salto alto e comer buchada, feito FHC em 1994. Se mantiver sua arrogância típica, vai quebrar a cara. Algo ao estilo Cristina Kirchner. Serra terá de mudar seu estilo negociador (deplorável, na recente "guerra civil" entre as polícias de SP e na ocupação da reitoria da USP, ano passado). Como se comportaria um "presidente Serra" ao negociar a atual crise dos brasiguaios no Paraguai, que deve ser o calcanhar-de-Aquiles da política externa nos próximos anos?

Serra provou que consegue eleger um anti-prefeito em SP. Mas na presidência... bem... na presidência não há espaço para anti-heróis.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

pastoreando o Paraguai

O ex-bispo Fernando Lugo tomou hoje posse como presidente do Paraguai, encerrando uma hegemonia de 61 anos do Partido Colorado no poder. Jurou a Constituição vestindo uma camisa branca, sem gravata nem paletó, calçando sua habitual sandália de couro. Ainda não se sabe no que vai dar esta aventura (democrática) que Lugo encara como missão quase espiritual - por o mínimo de ordem em um Estado arrasado pela corrupção, clientelismo, isolado na planície parte pantanosa do centro da América do Sul.

A imprensa não vai demorar para adicionar Lugo à lista dos presidentes populistas de esquerda que pipocaram no continente. Mas Lugo tem um apelo diferente dos outros. Seu personagem não se ampara na origem étnica de boa parte da população, caso de Evo Morales na Bolívia, ou no discurso ideológico cujo pacote inclui políticas compensatórias e assistencialistas, caso de Hugo Chávez, na Venezuela. Suas sandálias lembram que ele ainda é um religioso. Especula-se qual escola esquerdista irá adotar, se a bolivariana de Chávez ou a pragmática de Lula e Michele Bachelet do Chile. Lugo provavelmente fará a opção por uma revolução a la São Francisco de Assis.



A primeira grande batalha que o presidente missionário deve encarar é seu próprio gabinete. Lugo foi eleito por uma coalizão de onze partidos. A Aliança Patriótica para a Mudança inclui de movimentos sem-terra radicais ao centenário Partido Liberal, do vice Federico Franco, histórico rival dos Colorados. Curiosamente, os liberais estiveram no poder até 1947, quando o Partido Colorado assumiu o país depois da Guerra Civil, pregando justamente o fim da oligarquia autoritária dos liberais - as avessas do que se vê hoje. Daí os temores de que ele pudesse sofrer um golpe de seu vice, Franco, que já reclamou mais poder na condução do novo governo. Embora essa conspiração soe surreal aos nossos ouvidos, golpes e desrespeito deslavado às instituições do Estado ainda são corriqueiros no Paraguai.

Ao que parece, a principal garantia de governabilidade no Paraguai será o próprio Lugo, daí seu apelo religioso numa sociedade católica que lembra o interior do Brasil. O presidente já disse que pretende implantar um programa de renda básica no país e Brasília está disposta a ajudar. Se por aqui o Bolsa Família garante um forte respaldo a Lula, no Paraguai pode render um poder quase fascista a Lugo. Resta saber se ele não cairá em tentação.

Fato é que o Paraguai nunca mais será o mesmo a partir de hoje. O fracasso da elite política tradicional é evidente, tanto que a derrota dos colorados se explica também pelo racha em seu seio de poder. O grande consenso é de que o país precisa de mudanças urgentes, questões primordiais também às elites econômicas, que esbarram em vícios arcaicos para se inserir no mundo globalizado. Nem a internet é liberalizada no Paraguai. Por isso, a tarefa de Lugo é herculiana. Estranho seria se o novo presidente declinasse da ajuda dos deuses.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

a Itália e sua política mofada

O primeiro-ministro Romano Prodi, 68 anos, parece repetir a sina que ronda a Itália desde o fim da Segunda Guerra - a instabilidade política. Contam-se nos dedos de uma mão os políticos que conseguiram completar um mandato inteiro à frente do governo. O premiê de centro-esquerda perdeu o voto de confiança do Senado na útima sexta-feira, numa sessão estridente, que teve socos, berros e comemoração com champagne e mortadela por parte dos deputados da oposição de direita. Nada mais italiano... O presidente da República Italiana, Giorgio Napolitano, 82 anos, pediu ao presidente do Senado, Franco Marini, 73, que forme um governo provisório. Quem não gostou foi o lider da oposição conservadora, o magnata e vovô playboy Silvio Berlusconi, que aos 71 anos quer o poder de volta a qualquer custo.

Faz tempo que a Itália luta contra a decadência. Sua economia, que já foi tão grande quanto à do Reino Unido, está prestes a ser ultrapassada pela da Espanha, o país "subdesenvolvido" que entrou para a Comunidade Européia em 1986. Embora guarde o glamour de seu design e de sua moda, a Itália há tempos não produz cultura de vanguarda. Ainda é lembrada pelo cinema de Fellini e pela música de Pavarotti, que começaram sua trajetória nos tempos da "dolce vitta" dos anos 50. A Itália parece ter parado no tempo e isso pode se ver na média de idade de seus líderes políticos.

Enquanto os países europeus apresentaram ao mundo líderes joviais e pujantes como Tony Blair, na Inglaterra, Zapatero, na Espanha, e Sarkozy, na França, a Itália patina no mais do mesmo. Tanto que o presidente Napolitano, no alto de sua idade, quer mudar as regras do jogo político do país. O Parlamento e o Senado, somados, possuem mais de mil legisladores, a maioria velhinhos, já que muitos possuem mandato vitalício. Os privilégios são imensos: eles recebem o maior salário parlamentar da Europa, só para citar um.

A burocracia também é italianíssima. Se por aqui reclamamos dos 22 ministérios do presidente Lula, o que dizer dos 102 ministros do governo Prodi. Sim, 102 ministros!!! E os italianos são 59 milhões, quando nós somos 180 mi.

Em artigo publicado no The New York Times, em dezembro, o correspondente Ian Fisher diz que "mais velha e mais pobre, a Itália está em depressão". Numa nação onde a maioria dos jovens só saem de casa em torno dos 30, o jornalista ouviu um blogueiro, que sintetiza bem o sentimento italiano: "Em todo país os jovens têm esperança. Aqui na Itália não há mais esperança. Sua mãe mantém você bem em casa, e você fica lá e não luta. E se você não luta, é impossível tomar o poder de alguém", disse Mario Adinolfi, 36 anos. "Nós não temos um Google aqui. Não podemos imaginar na Itália alguém com 30 anos abrindo um negócio em uma garagem", emenda. Na Itália, conhecida por seus bons vinhos, a máxima etílica de "quanto mais velho, melhor" parece não funcionar.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

o monstro de Niemeyer

Decepcionante o presente de Niemeyer a Fidel Castro. A escultura, inaugurada esta semana na Universidade de Ciências da Informação em Havana, traz o desenho de um monstro com a boca aberta frente a um homem que segura a bandeira cubana. O "monstro imperialista", como já está sendo chamada, faz juz ao apelido. É horrível!! Niemeyer está irreconhecível na obra...

Cristina K. se estranha com Roma

Ainda não se pode chamar de briga, mas a presidenta (como exige ser chamada) Cristina Kirchner criou mais um embaraço internacional. É que a Santa Sé não deu, nem vai dar, o agrément ao embaixador argentino indicado pelo governo da Argentina para o Vaticano. O nome indicado, Alberto Iribarne, já foi vice-ministro do Interior, ministro da Justiça e ocupou outros cargos importantes no governo argentino. Apesar da experiência, o Vaticano não acha que a recomendação seja adequada porque... pasmem!... Alberto Iribarne é divorciado e vive com outra mulher. Tsc, tsc, tsc...

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

América Latina volta à agenda dos EUA

Ontem à noite, o presidente George W. Bush proferiu o seu último Discurso do Estado e da União. A tradicional fala do presidente ao Congresso abre o ano legislativo americano, com a agenda do governo dos Estados Unidos. Como era esperado, Bush falou "republicanamente" sobre cortes de impostos, as turbulências que rondam a economia do país e pediu o apoio dos congressistas às guerras que o país trava mundo afora. Desta vez, parece que a América Latina voltou à agenda política de Washington. Bush pediu ao Congresso que aprove o Tratado de Livre Comércio com a Colômbia. Mais que um mero projeto de integração econômica, o TLC tem um forte sentido político e é uma estocada na paranóia bolivariana de Hugo Chávez.

Bush não citou o pseudo-democrata venezuelano, mas foi explicito ao dizer que tratados como esse são de "interesse estratégico" dos EUA. "A Colômbia é uma nação amiga, que luta contra a violência, o terror e o narcotráfico. Se fracassarmos (os EUA) em aprovar este acordo de livre comércio, fortaleceremos aos promotores do falso populismo", disse, numa clara menção à Chávez.

Após duas décadas de anemia diplomática em relação à América Latina, os EUA parecem retomar o interesse pelos vizinhos. As peripécias de Chávez e sua legião de seguidores incomodam o "império do norte" (segundo o léxico bolivariano), mas também boa parte dos países latinos da região, como o Brasil e o Chile, que possuem uma democracria de mercado afinada com a ordem econômica mundial. Ontem, Chávez anunciou, com seu cupincha Daniel Ortega, da Nicaragua, o projeto de criação de uma força armada "bolivariana", para defesa do continente. Disse, mais uma vez, que há um plano dos EUA, endossado pela Colômbia, de assassiná-lo. A neurose patológica de Chávez mostra que o pseud0-democrata venezuelano está mesmo com a cabeça nos tempos da Guerra Fria. Sua tese seria correta se vivessemos nos anos 70, quando Washington não titubeava em derrubar governos incômodos no seu "quintal latino-americano". Mas os tempos são outros. Resta saber até quando vai durar o fôlego de Chávez, cujo mercado de petróleo se vê agora ameaçado pelas perspectivas de recessão americana. O pseudo-democrata venezuelano lembra os personagens recorrentes de Garcia Márquez no seu romance "Cem Anos de Solidão". Quando pensamos que já haviam morrido, eles reaparecem, em outro corpo, mas com as mesmas idéias, prenunciando sempre a fatídica vanguarda do atraso que ronda a América Latina.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

todos vão ao casamento de Sarkozy

Pelo menos é o que garante a Ryanair. A companhia aérea irlandesa, que ficou famosa na Europa por vender passagens ao custo de € 1, lançou, na França, uma campanha no mínimo pitoresca. A peça publicitária usa a imagem do presidente Nicolas Sarkozy e de sua namorada, a italiana Carla Bruni. Na conversa, Carla diz: "Com a Ryanair, toda a minha família pode assistir ao meu casamento", referindo-se aos baixos preços praticados pela companhia.

Só há um inconveniente na história: Carla Bruni é de Turim, onde não há vôos diretos da Ryanair para Paris. Por isso, os parentes da futura primeira-dama francesa terão de ir até Milão para, então, seguir à França. O negócio ainda sim é bom. Se fizerem suas reservas com três semanas de antecipação, vão pagar € 39,64, ida e volta, pelas passagens, com taxas inclusas.

O Palácio do Eliseu anunciou que estuda processar a companhia, que já usou no passado a imagem de outros políticos europeus como o premiê espanhol, José Luiz Zapatero, e o da Polônia, Jaroslaw Kaczynski. Tony Blair também já figurou na publicidade da Ryanair, mas foi sua mulher, Cherie, que rendeu a maior polêmica. Ano passado, a então primeira-dama britânica vôou a bordo de uma aeronave da companhia para assistir as olimpíadas de inverno de Turim. Os tablóides ingleses não perderam a piada, já que no mesmo dia em que Cherie desembarcou na Itália, nos aviões de € 1, Laura Bush aterrisou no Air Force 2, da presidência americana. Semanas depois, a BBC transmitiu um documentário falando dos problemas de segurança da companhia irlandesa.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

amor e ódio na Colômbia

Prestes a organizar uma grande manifestação contra as FARC, marcada para meados de fevereiro, a Colômbia não parece estar unida em torno do tema do terrorismo. Tanto que a senadora Piedad Córdoba, que ajudou a mediar a libertação das reféns Clara Rojas e Consuelo Gonzáles, quase foi agredida hoje em um vôo de Bogotá a Caracas. A senadora, que apareceu de turbante e espalhafatosas roupas vermelhas durante a libertação, ganhou a atenção da mídia internacional. Apesar da fama, ela está longe de ser unanimidade entre os colombianos.

Em tempos de tensão diplomática entre Colômbia e Venezuela, Piedad é quase uma embaixadora de Hugo Chávez em Bogotá. Apesar das negociações do presidente venezuelano com a guerrilha, os colombianos não vêem com bons olhos o pseudo-democrata bolivariano, que já chamou o presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, de mentiroso e mafioso. Embora os números não sejam a melhor maneira de medir o amor e o ódio, é reveladora a pesquisa publicada hoje pelo instituto Gallup - 81% dos colombianos apóiam a gestão de Uribe, o melhor percentual de todo o seu governo.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

a fé de Barack Obama

George W. Bush é crente. Hillary Clinton e Barack Obama também são. E Barack Obama não é muçulmano, como afirma categoricamente a pastora Jane Fisler Hoffman, ministra da United Church of Christ, congregação freqüentada pelo senador, em Chicago. O depoimento em que defende a fé cristã de Obama pode ser visto no portal do pré-candidato no You Tube. A campanha inclusive dispõe de um site, o faith.barackobama.com, que trata exclusivamente da fé do senador.

Obama se projeta como voz das massas, dos jovens, com idéias de cunho liberal para a América republicana e conservadora do crente George W. Bush - ao menos é assim na imprensa. Mas Obama também se esforça para ganhar a simpatia da temente população americana que vive nos confins do país. O pré-candidato democrata à Casa Branca tem uma origem incomum - é negro filho de um queniano, viveu na Ásia e tem parentes muçulmanos, o que é quase uma hecatombe para as mais "puristas" mentes da América. Daí o discurso de Jane F. Hoffman.

Esta semana, Obama fez um longo discurso em uma congregação batista na Carolina do Sul. Falou pouco, ou quase nada, de questões de campanha como a crise imobiliária americana ou a guerra no Iraque. No púlpito, portou-se como um pastor e fez uma analogia de sua campanha com "o cerco de Jericó", passagem que narra a união do povo judeu para retomar o seu templo, citada na Bíblia. Na abençoada terra dos tementes americanos, Deus é um eleitor imprescindível para todos os aspirantes à presidência. Mesmo a moderna e (agora) nova-iorquina Hillary Clinton não pode se dar ao luxo de dissimular a sua fé. No discurso em que agradeceu pela vitória em New Hampshire, ela se despede dizendo: "Deus abençoe a todos vocês". Amém.

Veja o vídeo "Barack Obama é cristão, não muçulmano", da pastora Jane F. Hoffman:



"SP mais perto do primeiro mundo"

Essa foi uma das manchetes publicadas ontem pelo diário espanhol El País. A reportagem, assinada pelo correspondente Juan Arias, diz que a cidade está prestes a cumprir três décadas com índices de assassinatos inferiores a 10 para cada 100 mil habitantes, o que a posicionaria na média mundial. A opinião é endossada pelo diretor do Instituto Brodel de Economia Mundial, Norman Gall. O texto cita estatísticas da Secretaria de Segurança Pública do Estado e faz elogios às administrações tucanas de Covas, Alckmin e Serra. Segundo a reportagem, a principal razão pela queda no número de homicídios está na construção de novos presídios, empreendidas nos últimos anos. É estranho que a notícia não tenha feito eco na imprensa brasileira, que adora reportar tudo o que publicam sobre o país lá fora. Mesmo com os números animadores, os que vivem por aqui sabem que não dá para comemorar. O noticiário sobre a Polícia de São Paulo nos últimos dias dá conta de coisas que os gringos não publicam: envolvimento de policiais em milícias genocidas na periferia e desvio de parte de uma apreensão de drogas por membros da PM.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

mestres e doutores made in Paraguay

Relógios, bebidas, eletrônicos e todo tipo de trambolho de origem duvidosa circulam diariamente entre Cidade do Leste e Foz do Iguaçu. Tamanho trânsito fez do contrabando marca do Paraguai, tanto quanto a guarânia, tradicional música local. Por isso mesmo, paraguaio já virou adjetivo para falsificação. O editorial de hoje do ABC Color, o principal jornal do país, chama a atenção para outro tipo de comércio ilícito, que não passa pela Ponte da Amizade. Trata-se do contrabando de títulos de mestrado e doutorado emitidos por universidades paraguaias a estudantes brasileiros. Para se tornar mestre ou doutor no país vizinho, não é preciso freqüentar muito mais que meia-dúzia de aulas.

O jornal fala que "as universidades privadas foram se abrindo e se expandindo pelo país sem que o Estado assumisse sua função de vigiá-las". Nada muito diferente do que acontece por aqui, pesem algumas implicações: o Paraguai não possui um sistema de controle acadêmico como o Brasil, que tem o provão e afins. Além disso, boa parte da demanda por estes cursos vem do outro lado da fronteira. As universidades estão montando cursos exclusivos para brasileiros, alguns em português e fechados aos paraguaios, vendidos aqui por agências especializadas, que cobram cerca de R$ 10 mil pelo título, divididos em até 36 vezes.

O escândalo já foi noticiado pelo Estadão, em 2005, citando na época as empresas Educare, Universo e Instituto Internacional de Planejamento Educacional. Segundo o diário ABC Color, a publicidade das agências fala em duas mil horas-aula. Mas, "numa comparação com a quantidade de dias que duram os cursos, cada hora-aula duraria de cinco a dez minutos", diz o jornal. Os cursos são geralmente ministrados em semanas de janeiro e junho, na capital, Assunção.

Não há muito o que se esperar das autoridades do Paraguai, onde, infelizmente, a fronteira entre os interesses públicos e privados é de longe mais enevoada que aqui. A responsabilidade, ora, recai sobre o Ministério da Educação do Brasil. Como se não bastasse toda a sujeira envolta nos cursos superiores brasileiros, o poder público ainda tem de se preocupar com as universidades do país vizinho. Haja energia!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Nova York vai avaliar seus professores

Há alunos bons e ruins. Alunos que precisam de atenção especial e outros que se destacam. A afirmação é tão óbvia quanto pensar que o mesmo princípio vale para os professores. Há profissionais capacitados e outros nem tanto... No caso do Brasil, parte da falácia em que vive nossa educação é responsabilidade de professores mal-qualificados. Descontadas as proporções, a regra é a mesma em todo o o lugar. Para tratar da questão, o governo da cidade de Nova York está adotando uma medida que parece também ser óbvia, mas já causa polêmica - a avaliação dos professores da sua rede pública.

O experimento ainda não foi anunciado oficialmente, mas consta na edição de hoje do The New York Times. Por enquanto, a avaliação se dará em 140 colégios, cujos nomes não serão revelados. O poder público irá monitorar e avaliar os professores a partir de vários quesitos, sendo o principal a performance dos alunos ensinados por eles.

Ainda não se sabe como o governo de Nova York irá proceder quando tiver um diagnóstico dos docentes em mãos. Mas a secretária de Educação da cidade insinua que mais polêmica deverá vir por aí: "Se nós apenas disponibilizarmos estes dados a cada um dos moradores da cidade - professores, pais e diretores, e dizer a eles que façam o que quiserem com as informações, isso já será um passo e tanto", afirmou Chris Cerf, que pretende que a ação seja uma quebra de cultura no sistema de educação da cidade.

A divulgação dos dados é um tanto exagerada, creio eu. Mesmo assim, o Brasil deveria observar e adotar políticas de avaliação de seus professores. É notório que muitos de nossos professores não têm formação adequada, não se reciclam, simplesmente acomodam-se, sem contar que nos milhares de municípios país afora, vale mais ser parente do prefeito que ser bem formado na hora de ocupar a vaga de docente em uma das escolas.

Em abril do ano passado, o Ministério da Educação incluiu a avaliação dos professores no Plano de Desenvolvimento da Educação, voltado aos 200 municípios com pior performance na área. Mas se a questão preocupa até a desenvolvida Nova York, isso mostra que o MEC deveria estudar e propor uma avaliação de abrangência nacional. Com os dados em mãos, o ministério saberia onde está e como atacar o problema. Resta saber se há coragem por parte do governo, que vai pensar duas vezes antes da gritaria dos professores.

o amor de Amy Winehouse

Seu pai tentou mandá-la para a clínica de reabilitação, mas ela disse não. A rebelde Amy Winehouse foi uma das mais gratas revelações da música britânica em 2007. A cantora de 24 anos, voz doce e cara de menina carente transformou-se numa celebridade e é presença constante na mídia, em notícias nem sempre boas. Mas Amy, a nossa Janis Joplin versão 2, é do bem. Seu único problema é ser muito apaixonada. Que o diga seu marido. Na sexta-feira, gritou que o amava, em plena sessão de um tribunal, onde o rapaz de 25 anos prestava depoimento a um juiz. "Love you handsome. Gorgeous one! (Te amo lindo!)", declarou Amy.

Blake Fielder-Civil está preso depois que agrediu um homem em Londres e lhe ofereceu propina, para que não denunciasse o caso à polícia. Amy já chorou no palco, depois do acontecido, no último verão. Foi inclusive advertida pela ONU, para dar melhor exemplo à sua legião de fãs - a cantora foi fotografada com o nariz sujo de um certo pó branco, dia desses...

Escândalos à parte, fica aqui Rehab, a música autobiográfica em que Amy canta a sua rebeldia ante as tentativas do pai para que ela passasse por um tratamento de reabilitação.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

a maquiagem de Sarkozy e Ségolène

Com seu sorriso de apresentador de show de calouros, Nicolas Sarkozy conduziu a líder do partido socialista, e sua adversária política, Ségolène Royal, até a entrada do Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa. Na foto publicada no diário Liberation, Ségolène nem esboçou um sorriso amarelo. Tinha a cara fechada, sóbria, apesar do colorido de seu tailler rosa (mais discreto que para espalhafatoso). A dupla, que se digladiou ano passado pelo mando do país, encontrou-se para acertar as rebarbas dos gastos da eleição com a Comissão Nacional de Contas de Campanha. Tanto Ségolène quanto Sarkozy vão ter de devolver dinheiro ao órgão, responsável pelo controle do financiamento público das campanhas do país. Mas não se trata de nenhum esquema do tipo mensalão. É que os dois, basicamente, gastaram demais com maquiagem e penteado...

Sarkozy gastou € 34 mil em gel, cremes corretores e pó-de-arroz (que termo antigo!) para ficar bem em cena. Ségolène dispensou ainda mais, quase € 52 mil, em blush, fixador para o cabelo e todo o trambolho de maquiagem que as mulheres não vivem sem. A Comissão entendeu que parte desses gastos é de ordem pessoal e não pode ser pago pelo erário francês. Resultado: Sarkozy terá de devolver € 11 mil e Ségolène € 17 mil à Comissão.

Não se trata de nenhum escândalo político. É assim que as coisas funcionam no mundo civilizado. Mas não dá para perder a piada: mesmo com tanta maquiagem, parece que está difícil seduzir os franceses. A socialista Ségolène não empolgou o eleitorado durante a campanha. O direitista Sarkozy levou a melhor na eleição mas também está ruim na cena, mesmo com o reforço de imagem de sua nova namorada, a modelo Carla Bruni. Pudera: os franceses adoram a beleza, mas não pensam muito para botar o castelo abaixo quando estão descontentes. Que o diga Maria Antonieta.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

o circo de Chávez

Clara Rojas e Consuelo Gonzalez estão livres. Depois de anos sequestradas pelas FARC, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, a advogada de 44 anos e a deputada de 56 podem voltar para casa, para suas famílias. Não há como não ficar feliz com a liberdade das duas, bem como não dá para não rechaçar a estupidez da guerrilha colombiana, cuja ideologia já se esvaiu há tempos para dar lugar a um tática de mero desmonte do Estado da Colômbia - ou seja, os revolucionários já entraram na classificação dos justiceiros sem causa.A questão colombiana é complexa. A história das duas é grande, triste e comovente. Por isso, uso o post para falar do circo de Chávez.

Pela primeira vez, o mundo parece ter dado o braço a torcer para o pseudo democrata venezuelano. Até o governo dos EUA ("o império do norte", no léxico bolivariano) rendeu elogios a Chávez. Tudo está ok até o momento. Pesares à parte, o presidente da Venezuela tem seus méritos (bem como seus deméritos) na negociação com as FARC. Foi uma ação humanitária, a qual o presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, jamais poderia empreender, por conta de sua política de cerceamento da guerrilha.Questionável em todo o tempo foram os rompantes já conhecidos de Chávez durante as negociações. No fim do ano passado, ele simplesmente quebrou a hierarquia do Estado colombiano ao negociar imediatamente com o chefe do Comando Militar da Colômbia, passando por cima de Uribe e da institucionalidade do país vizinho. Claro que foi desautorizado por Bogotá e, em resposta, ao melhor estilo caudilho pateta latino-americano, Chavez disse improvérbios a Uribe, o chamou de mentiroso, etc, etc.Depois, Chávez e as FARC anunciaram a libertação de Consuelo, Clara e seu filho Emmanuel, que nasceu no cativeiro. Foi este o primeiro circo.

Toda a caudilhada latino-americana quis levar alguma coisa na história. Lá estavam o Marco Aurélio Garcia e o ex-presidente argentino Néstor Kirchner feitos papagaios de pirata. Só que a operação naufragou, simplesmente porque as FARC pensaram que tinham Emmanuel, mas não tinham. Ou seja, o grupo guerrilheiro que quer tomar de assalto o governo da Colômbia não consegue sequer contrololar o paradeiro de seus sequestrados.

Passada a frustração e a ressaca do primeiro circo, eis que Chávez arruma a segunda versão de seu espetáculo para o mundo. A libertação foi toda acompanhada pelas câmeras da Telesur, a TV chavista. Assim que são entregues, Clara Rojas e Consuelo Gonzalez já são postas diante das câmeras e, subitamente, começam a agradecer ao presidente Chávez. Em dois minutos, o ministro do interior da Venezuela, vestido com espalhafatosas roupas vermelhas no calor da selva amazônica, entrega um telefone às ex-reféns, com Chávez na linha. Ambas agradeceram mais uma vez ao presidente, tudo ao vivo pela TV.

No avião, mais agradecimentos. A Chávez, à Cruz Vermelha e uma série de outros envolvidos no resgate. Nenhuma menção a Uribe. É certo que o presidente da Colômbia não é flor que se cheire, é envolvido com as milícias paramilitares e teve uma política de não-negociação com as FARC. A questão é o que virá daí? Chávez vai se contentar com os sinceros agradecimentos de Clara e Consuelo? Ou vai, ao seu melhor estilo, usar a libertação como arma política no seu projeto panbolivariano pelo continente? Eu também agradeço a Chávez pela intermediação. Mas antes que o presidente da Venezuela possa dar qualquer declaração, é bom lembrar a frase real de Juan Carlos da Espanha: "Por que não te calas?".

trem bala em velocidade de tartaruga

Há alguns meses, a imprensa e os burocratas do Planalto fizeram um zum zum zum em torno de um sonho antigo - a construção de um trem bala ligando o Rio a São Paulo. É ridículo pensar que um país de extensões continentais como o Brasil tenha simplesmente ignorado o transporte ferroviário, como fez nas últimas décadas. A desculpa, sempre, é a falta de verbas. Mentira! É falta de vontade política mesmo. Hoje, o diário La Nación noticiou o projeto de um trem bala que ligará Buenos Aires a Córdoba, passando por Rosário (as duas mais importantes cidades do interior do país). Já o projeto aventado pela ministra Dilma Roussef, que causou zum zum zum, parece dormir nas gavetas da burocracia de Brasília. "Sairá muito caro", dizem. Mas e o Brasil não tem dinheiro para tanto? Não somos a sexta economia do planeta?

Está certo que a Argentina cresceu mais que o Brasil nos últimos anos, mas há que se lembrar que esse crescimento significa, por enquanto, apenas a recuperação da economia do país vizinho aos antigos patamares, de antes do corralito que quase levou o país à falência, em 2001. Além disso, o Brasil tem uma estrutura econômica e política muito mais estável que nossos hermanos e os investimentos estrangeiros feitos por aqui nem de longe são comparados àqueles aportados na Argentina. Logo, se eles conseguem fazer um trem bala que vai cruzar mais de 700 km pelo interior do país, nós também conseguimos. Somadas, as populações de Buenos Aires, Córdoba e Rosário são de aproximadamente 18 milhões, menos que os 20 milhões de paulistas que vivem só na Grande São Paulo. Ora, ora... por aqui, temos muito mais gente a transportar e a pagar os bilhetes. Não há desculpas.

Quando se viaja pela Europa, pode-se observar a eficiência do transporte ferroviário de alta velocidade. É muito mais confortável que tomar ônibus ou avião. A edição de hoje do El País traz um gráfico que mostra o projeto, já pronto, de um um trem bala que passará sob o estreito de Gibraltar, ligando a Europa à África, pelo Marrocos, ao estilo Eurostar, que liga Londres a Paris. O Brasil deveria seguir o exemplo da Espanha, um país que há menos de 30 anos tinha estatísticas de terceiro mundo, cuja classe política se uniu em torno de um projeto de Estado, essencial na trajetória de desenvolvimento do país nas últimas décadas. Isso significa que, se o Brasil quiser, pode sim construir o trem bala entre o Rio a São Paulo, bem como projetar outras linhas país afora (uma ferrovia que ligasse as capitais do Nordeste pelo litoral, por exemplo, faria explodir a indústria do turismo na região).

Toda esta história vale para a Educação, a infra-estrutura, a Cultura e tudo mais que está esculhambado no Brasil. Vale também para o Metrô de São Paulo. Chega a ser patético uma cidade dessas dimensões ter uma rede tão acanhada.